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Correio da Manhã

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Governo está a matar a cultura

Encenador e apoiantes indignados com o corte nos apoios do Estado atribuídos por uma comissão criada pela Direção-Geral das Artes
28 de Maio de 2013 às 22:07
João Lourenço afirmou que o futuro da companhia “está em risco”
João Lourenço afirmou que o futuro da companhia “está em risco” FOTO: Mariline Alves

João Lourenço, encenador do Novo Grupo de Teatro Aberto, disse esta terça-feira, num encontro que contou com a presença de diversas personalidades da área, que “este Governo está a matar a cultura” e que o futuro da companhia “está em risco”. Ainda assim, João Lourenço não desiste de lutar e afirmou que vai recorrer a todos os mecanismos que poder para que a decisão da Direção-Geral das Artes (DGArtes) – que atribuiu 163 mil euros de apoio – “não se mantenha”. E se continuar de portas abertas espera, em junho, estrear a peça ‘O Preço’, de Arthur Miller, agora em ensaios, e voltar a colocar a mesma em cena lá para Setembro.

O encenador revelou ainda que vão surgir parcerias com outras companhias de teatro. Entre as quais a Cornucópia. “Somos solidários com o Teatro Aberto, mas a nossa situação e da de outras companhias é idêntica”, disse a propósito o encenador Luís Miguel Cintra.

A esta outras vozes da cultura e das artes se juntaram, e ainda da política como o antigo ministro da Cultura, Manuel Maria Carilho, o ex-autarca João Soares, entre muitos outros como a escritora Lídia Jorge, o fadista Carlos do Carmo, além de muitos atores como Virgílio Castelo, Ruy de Carvalho e Irene Cruz.

A atriz Carla Chambel foi a primeira a intervir para dizer que o encenador João Lourenço é um “mestre”, que “o teatro é o ginásio do ator” e que “sem o teatro o ator não cresce”.

Também Ruy de Carvalho se mostrou indignado com os cortes nos subsídios, ainda assim acredita que “não há mal que não acabe”.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, José Jorge Letria, manifestou o seu apoio às queixas de João Lourenço e afirmou que existe uma “clara ameaça à cultura”.

Ao CM, a directora de Produção do Novo Grupo de Teatro Aberto reforçou o que já havia dado a entender o encenador João Lourenço: a companhia terá sido penalizada nos seus apoios por “ter público” e “as contas em dia”.

Em 2010 o teatro Aberto recebeu 600 mil euros, em 2013 recebe 163 mil euros. Um valor que não chega, na ótica dos seus responsáveis, para manutenção do edifício e garantir os postos de trabalho de cerca de 30 pessoas. “Em 2010 demos trabalho a mais de 70 criativos”, referiu a propósito.

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