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Correio da Manhã

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Guerra GES-Impresa na mira da AACS

A Alta Autoridade para a Comunicação Social (AACS) vai pronunciar-se sobre a guerra que opõe o Grupo Espírito Santo (GES), de Ricardo Salgado, e a Impresa, de Francisco Pinto Balsemão. Ainda que, para já, não exista nenhuma decisão oficial neste sentido, contactada pelo CM, fonte do organismo considera pertinente e “da competência da AACS” uma análise ao caso.
14 de Julho de 2005 às 00:00
Ricardo Salgado e Pinto Balsemão são os rostos de um caso que a Alta Autoridade vai analisar
Ricardo Salgado e Pinto Balsemão são os rostos de um caso que a Alta Autoridade vai analisar
Mas ressalva: “É essencial que o colectivo assim o entenda”. A decisão poderá ser tomada já para a semana, data em que ocorre o próximo plenário do órgão regulador, caso exista quórum (a presença de sete dos dez elementos).
Já José António Saraiva, director do ‘Expresso’, disse ao nosso jornal ter tido “conhecimento de que um membro da AACS fez uma diligência junto de uma pessoa da cúpula do grupo [Impresa], para informar que o organismo se iria ocupar do caso”.
“Poderá estar em causa a falta de rigor informativo dos órgãos de Comunicação Social da Impresa, considerando a perspectiva do GES, que diz que as notícias sobre a instituição não são rigorosas. E também o corte de publicidade do GES a uma série de títulos da Impresa pode questionar a independência dos media face ao poder económico”, diz a mesma fonte da AACS.
Qualquer destes dois itens justificam a abertura de um processo que, a concretizar-se, assentaria na metodologia habitual: após a decisão em plenário da abertura de um processo, procede-se à audiência dos envolvidos, pronúncia que poderia durar oito a dez dias, após a qual é elaborado um relatório que vai a plenário para deliberação.
Além de uma decisão autónoma por parte da AACS para deliberar sobre este caso, também o GES ou a Impresa poderiam queixar-se ao órgão regulador. Questionado sobre esta eventualidade, Paulo Padrão, director de comunicação do GES, não comenta. Já a Impresa, pela voz de José Freire, director de relações com os investidores, diz que “não foi considerada essa hipótese”.
EDITORIAL DO 'EXPRESSO'
Enquanto o subdirector do semanário, Nicolau Santos, está no Brasil, para prosseguir a investigação sobre o caso que alegadamente envolve o GES num escândalo financeiro, “não no sentido de perseguição, mas de avaliação directa do envolvimento, ou não, do GES neste caso”, como explicou José António Saraiva, o próximo editorial do ‘Expresso’ volta ao assunto. “Vamos reafirmar a isenção com que o jornal continuará a tratar este e outros temas que envolvam instituições”, frisa o director. Após uma reunião com Balsemão e um segundo encontro, também com os membros da administração da Impresa e da direcção do ‘Expresso’ (ocorreu, como habitualmente, terça-feira), o responsável garante manter “o excesso de zelo no tratamento de assuntos que respeitem as instituições que possam pensar que o jornal tem algo contra elas”, recordando como exemplos desta ‘atenção’ os escândalos Euroamer ou Portucale. Saraiva não deixa, no entanto, de considerar que “o GES está a entrar num caminho perigoso de ataque à Imprensa, como o fez Santana Lopes”.
Também na SIC, Pinto Balsemão abordou a direcção de Informação para reforçar o seu apoio aos jornalistas. “Nunca houve indicações no sentido de dar ou não dar esta ou outras notícias. Mantém-se a independência de sempre”, afirma uma fonte do canal de Carnaxide.
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