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Correio da Manhã

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Herman José Renasceu

Herman José sobreviveu à câmara de eco onde o tinham colocado, nos últimos anos, em Carnaxide. Voltou a soltar-se e a mostrar porque é um dos melhores ‘entertainers’ portugueses. E improvisou, capacidade que já julgávamos ter perdido.
10 de Julho de 2009 às 00:00
Herman José Renasceu
Herman José Renasceu

Nem todos os ‘entertainers’ portugueses têm a magia de Herman José. Já várias vezes foi dado como desaparecido no meio de programas de gosto duvidoso, mas o certo é que, de vez em quando, renasce como se estivesse a fazer, pela primeira vez, o ‘sr. Contente e o sr. Feliz’. E isso é bom, porque mostra que Herman é um artista à moda antiga. A questão não é ele ter sido o cómico mais importante da televisão portuguesa nas últimas décadas. Ou de ele ter desbravado o caminho para que o humor irreverente e anárquico tivesse conseguido um espaço no pequeno ecrã. Herman é um artista completo. E a quem o peso da idade conferiu um estatuto diferente que muitos, lamentavelmente, não entendem (como se viu, nos últimos anos, na SIC). ‘Nasci para Cantar’ é importante por todos os motivos e por mais um: Herman voltou a renascer e a ter prazer em fazer um programa de televisão divertido.

O formato não é muito original, mas não é isso que verdadeiramente interessa. Ele consegue fazer de algo banal um espaço agradável e cheio de humor. Ele começou por fazer o que nem todos os artistas conseguem: brincar consigo próprio, como fez quando recordou uma sua ida à Madeira. E isso não soou a patético. Pareceu antes um pequeno ajuste de contas com o passado, aquilo que só os grandes artistas conseguem. As piadas iniciais foram bem distribuídas e, com humor, nem esqueceu a sua anterior casa, que àquela hora estreava ‘TGV’ (e que motivou um corte abrupto em ‘Equador’ para entrar ‘Nasci para Cantar’).

Herman pareceu renascer das cinzas, brincando com tudo e com todos e, sobretudo, mostrou que é um dos poucos apresentadores que, quando encontram participantes com espírito (como aconteceu com a delegada de propaganda médica disfarçada de Amy Winehouse), ganha ainda mais alento para fugir ao guião e mostrar como é excelente a improvisar. Em ‘Nasci para Cantar’ voltou a ter prazer a fazer aquilo em que é verdadeiramente notável, a improvisação bem humorada. Renascido, espera-se agora que a seguir tenha direito a um formato original e genial.

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