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Correio da Manhã

Tv Media
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Herman regressa

Herman José regressou à RTP com um programa que pode ser o reinício de uma carreira que, em determinada altura, pareceu confusa. Mais controlado, mostrou que as suas qualidades não se evaporaram. Ainda bem que está de volta.
23 de Abril de 2010 às 15:00
Concurso sem nada de novo
Concurso sem nada de novo

Numa recente entrevista a uma revista norte-americana, Tina Fey (a comediante de ‘30 Rock' e que ganhou estatuto com as suas imitações de Sarah Palin) dizia serenamente: "Eu penso que o meu nível de fama vai cair. Vai retrair-se. De facto sei que assim será. É assim a vida no planeta Terra. Mas sinto-me bem com isso. Além de conseguir mesas em restaurantes e tratamento especial no aeroporto, o que é que há de mais nisso?"

Tina Fey sabe como é a lei da gravidade na televisão e no mundo: o que sobe, desce. Acontece a tudo e a todos. Em Portugal há, no entanto, um comediante que talvez tenha sentido como poucos a inclemência da história: Herman José. Foi ele que assumiu a ruptura com o humor popular de revista, influenciado pelo mundo do Parque Mayer, hegemónico até aos anos 70, e introduziu um humor urbano fortemente influenciado pelo universo dos Monty Phyton. Foi uma alteração brutal, numa altura em que se assistia à substituição da influência cultural francesa pela britânica.

No humor coube a Herman José assumir essa bandeira. Durante anos os seus programas guiaram o humor português. A sua saída da RTP e a ida para um canal onde só se vence se se tiver audiências fez com que tivesse de conciliar valores bem diferentes. Começou aí um longo exílio, onde as suas inegáveis qualidades chocavam com a necessidade de audiências.

Pensou-se que, num país povoado de novos humoristas, Herman José tinha entregue o seu reino. Mas não foi isso que aconteceu: ele regressou, e ainda bem, à televisão com ‘Herman 2010', uma espécie de talk show, onde estão presentes todas as qualidades que o tornaram um ‘entertainer' incontornável nas últimas décadas.

Mais sóbrio, com mais capacidade para escutar os convidados, com alguns momentos de bom humor, Herman é um valor acrescentado para o serviço público de televisão. E é onde ele pode e deve estar. Há alguns erros no programa (aquele sofá é tudo menos convidativo...) e Herman ainda denotou algum nervosismo no primeiro programa, mas espera-se que tudo ficará mais afinado no futuro. Mas, para já, este é um programa com sentido numa RTP 1 demasiado à deriva.

CULTO

DAILY SHOW
Aqueles que consideram os telejornais nacionais das oito da noite completamente enfadonhos e demasiado virados para o umbigo nacional, têm agora uma alternativa credível. Não ficarão a saber o que se passa no mundo (mas nos telejornais nacionais também não ficam...), mas pelo menos divertem-se. Jon Stewart e o seu ‘Daily Show' é agora um espaço regular na SIC Notícias e, com o seu humor caótico e corrosivo, é um outro olhar sobre o mundo da política. Se por vezes se centra em personalidades americanas pouco conhecidas dos portugueses não é menos verdade que Stewart consegue levar, até ao seu programa, políticos de todos os quadrantes, com quem trava diálogos extremamente divertidos. Um momento de grande televisão e que fomenta a capacidade crítica dos espectadores.


VER NA TV

'CASA COM HISTÓRIA'

Um momento inteligente e culto de TV é ‘Casas com História', viagem interessante a muitos locais que marcaram a sociedade portuguesa devido à acção de quem nelas viveu. As memórias de escritores a pintores.


DESLIGAR

'EUROTWITT'

Há coisas que francamente ultrapassam todos os limites do delírio televisivo. ‘Eurotwitt' diz-se um programa juvenil sobre a Europa. Em ritmo pop, estilo Twitter, já se vê. O resultado é uma catástrofe, com fait-divers.

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