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Correio da Manhã

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“Hoje sou realmente acarinhado pelo público"

Actor é um dos rostos mais assíduos da TV portuguesa. É soba sua batuta que se move o elenco de ‘Remédio Santo’, na TVI
7 de Outubro de 2011 às 00:00
“Hoje sou realmente acarinhado pelo público'
“Hoje sou realmente acarinhado pelo público' FOTO: Vasco Neves

Oque o levou a trocar a representação pela direcção de actores em ‘Remédio Santo’?

Estou há cinco anos em contínuo na televisão. Tinha de parar. E gosto de dirigir.

Um dia deixará definitivamente a representação?

Não quero chegar a uma altura da vida em que a memória me falhe e deixe uma equipa pendurada. Espero que isso aconteça o mais tarde possível, mas dirigir pode ser o meu futuro.

Como está a correr o trabalho em ‘Remédio Santo’?

Está a correr bem. É um trabalho em conjunto, com parcerias várias. Há muitas partes envolvidas.

Qual o maior desafio?

Ajudar os actores a evoluírem para o que idealizamos. Mas o trabalho de base é feito antes da novela arrancar, na pré-produção e nos ensaios. É nestas três ou quatro semanas que é feita a construção das personagens e o alinhamento da novela.

Hoje, esta fase da pré-produção é mais cuidada?

Quando comecei, na ‘Vila Faia’, há 30 anos, o Nicolau [Breyner], que fazia a direcção de actores, dizia que se tinha fechado com os actores durante três meses a fazer um workshop intensivo...

Isso foi em ‘Vila Faia’. Mas com o aumento da produção as coisas mudaram...

Sim, depois evoluiu negativamente, com falta de tempo para ensaios. Os actores iam descobrindo as personagens à medida que as iam fazendo. Neste momento, estamos no caminho certo. Há um trabalho de preparação. Quando os actores vão para o plateau já devem ter uma noção da personagem e do núcleo onde ela se movimenta, porque cada um tem uma linguagem verbal e física próprias.

Vai muito ao plateau?

Nos primeiros meses estava sempre lá. Hoje não. Convém um distanciamento, porque os actores têm de se apropriar das personagens o mais depressa possível. E têm de ter uma relação próxima com o realizador.

Este cargo obriga-o a ter tarefas burocráticas?

Tenho de as fazer: revisão de textos, conversas com o autor, escolha do elenco adicional...

Foi estranho trocar o estúdio por um gabinete?

Não, porque sabia ao que vinha. Isto é uma fase. Revejo-me em cada um dos meus actores. Ajudei a desenvolver o trabalho que eles estão a fazer. E o meu futuro, no imediato, não é ficar aqui, agarrado a uma secretária...

Que vai fazer a seguir?

Fiz um telefilme e deverei integrar o elenco de outra novela.

Há pouca comédia nas grelhas televisivas?

Há e, neste momento, é o que as pessoas querem e precisam mais para fugir um bocadinho à realidade.

Está na TV há 30 anos. Como é ir envelhecendo no ecrã?

Não tenho grandes problemas com a idade.

Que trabalhos seus mais marcaram o público?

A ‘Vila Faia’, a série ‘Os Polícias’, que marcou uma geração. E o ‘Super Pai’, que marcou outra.

Que recorda de ‘Os Polícias’?

Trabalhávamos muito, mas divertíamos muito.

E o ‘Super Pai’?

Foi um projecto de quase dois anos, cansativo, que criou muitos laços e vai ficar na memória.

Que mudou desde ‘Vila Faia’?

Quase tudo. Tecnicamente houve uma grande evolução. E em termos humanos também. Quando começámos éramos uma família. Se alguém tinha a filha doente todos sabíamos e perguntávamos por ela. Hoje é mais industrial.

Como foi ser sócio da Spara, uma agência de actores...

Foi conturbado. Em Portugal, a novidade cria inércias grandes. Foi o que aconteceu com a Spara. Desgastou-me muito.

O Colégio Militar é uma referência na sua vida e foi sempre contra a sua extinção...

Não faz sentido fechar o Colégio Militar. Não é elitista porque todos se vestem da mesma maneira e são tratados de igual modo, mas forma elites. E por que se há-de acabar com um colégio que forma elites?

Qual a maior lição que aprendeu nessa escola, onde entrou com dez anos?

Valores morais e humanos sem paralelo no ensino cá fora.

É permeável às abordagens na rua?

Na ‘Vila Faia’ tinha um bigode enorme e ficava constrangido quando as pessoas me vinham falar. E pior ficava ainda quando me puxavam o bigode para ver se era falso. Era muito complicado. Sinto que hoje sou realmente acarinhado pelo público.

PERFIL

Luís Esparteiro nasceu em Coimbra, há 52 anos. Começou na comédia, no teatro. Estreou-se na televisão com Nicolau Breyner em ‘Eu Show Nico’ e ‘Euronico’. Em 1982 integrou o elenco de ‘Vila Faia’. É um dos actores mais populares da televisão portuguesa, onde fez várias novelas e séries.

OPTIMISTA

Aos 52 anos, Luís Esparteiro está feliz com a sua carreira. "Não tracei objectivos. Sou um optimista. Mesmo das coisas negativas retiro algo positivo. Por isso, quando olho para trás, estou contente com a carreira que fiz". Dos companheiros que marcaram a vida profissional recorda Nicolau Breyner, que o lançou, e "os meus pais da primeira novela, Glória de Matos e Varela Silva. E ainda Mariana Rey Monteiro e Armando Cortez, homem discreto e humilde".

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