Em apenas quatro anos o quarteto de humoristas aumentou o seu cachê em 38 vezes. Exclusivos da SIC e da PT, são a ‘marca’ mais procurada no mercado
Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis preparam--se para receber 57 600 euros por cada episódio do novo programa que vão fazer para a SIC e cuja estreia está prevista para Outubro. Um valor bem distante dos 1500 euros que a SIC Radical lhes pagava em 2004. Durante estes quatro anos os ‘Gato Fedorento’ foram o rosto de várias campanhas publicitárias, lançaram DVD e deram espectáculos por todo o País. Fizeram sucesso na RTP e garantiram que 2008 seria um ano sabático. Agora regressam à SIC para fazer duas séries de 13 episódios, até ao final de 2009. O contrato ronda os 1,5 milhões de euros.
Desde que se estrearam na televisão, os ‘Gato Fedorento’ nunca mais abandonaram o ecrã. Apesar de terem assinado um contrato de exclusividade com a SIC, a RTP 1 continua a apostar na imagem do grupo de humoristas com a reposição de ‘Série Lopes da Silva’, ao mesmo tempo que a SIC Radical recorda alguns episódios das séries ‘Meireles’, ‘Barbosa’ e ‘Fonseca’. O director de Programas da RTP, José Fragoso, garante à Correio TV, que em Outubro, quando os ‘Gato’ estrearem o novo formato na SIC, sairão do ar na estação pública. 'A série está quase a terminar. E agora interessa-nos encontrar outros programas de humor'. Fragoso sublinha ainda que 'os Gato são uma mais-valia e não há ninguém que diga o contrário. Eles têm conseguido fazer conteúdos muito interessantes na área do humor'.
Ao longo dos últimos anos o quarteto foi aprendendo a gerir a sua imagem, de forma a rentabilizá-la noutras áreas. A publicidade tem sido a principal. É nesta actividade que se têm notabilizado como nenhum outro artista da televisão. 'É um fenómeno curioso, se não for o único. Sem ser o Herman José, que também fez publicidade em meados dos anos 90, não conheço nenhum artista a conseguir fazer o que eles fazem: promover vários produtos sem confundir o público e sem desgastar a sua imagem. Isso tem a ver com o agrado que existe entre eles e portugueses', explica à Correio TV o publicitário, Edson Athayde. Com um contrato de exclusividade com a Portugal Telecom, ao nível da publicidade, os ‘Gato’ têm vindo a promover os vários produtos do grupo, como o Sapo ADSL, a PT, a TMN e mais recentemente o Meo. 'É sempre um risco. A situação de desgaste de imagem pode sempre acontecer, sobretudo a eles que nunca abandonaram realmente a televisão', sublinha Edson Athayde. E avança algumas das razões para o sucesso dos humoristas: 'Tiveram o discurso certo na hora certa. Além disso começaram nos canais alternativos. Foram os primeiros artistas de mass media a aparecerem através da internet. E mantêm um grande laço com essa geração que os lançou.'
‘Eles falam, falam, falam e não os vejo a fazer nada’ (campanha do Montepio Geral em 2004), ‘É já a seguir! Mas é que é já a seguir!’(Publicidade à mesma instituição, em 2005) e ‘O que tu queres sei eu’ (PT em 2007), foram algumas das frases criadas pelo quarteto e que fizeram sucesso na boca dos portugueses. No caso do Montepio Geral, a publicidade foi tão bem recebida que o banco viu duplicar o número médio de contratos do crédito à habitação por dia. A campanha, aliás, recebeu o Prémio Eficácia 2005 da Associação Portuguesa de Anunciantes. Um ano depois tornaram-se exclusivos da PT, deixaram de ser pagos por campanha e passaram a receber por contrato. A campanha ‘O que tu queres sei eu’, no ano passado, fez com que as vendas do Sapo ADSL atingissem o seu pico logo na primeira semana de Janeiro. O primeiro anúncio da campanha Meo é outro exemplo de sucesso. A frase ‘O comando é meu’ já está a dar que falar. Só no primeiro dia que foi para o ar, em simultâneo nos três canais generalistas em sinal aberto, pelo menos 2,5 milhões de telespectadores estavam sintonizados com os ‘Gato Fedorento’. Segundo a PT, as quatro horas seguintes aos humoristas terem falado à nação, o site www.meo.pt teve 33 mil visitas e nas primeiras 24 horas o spot publicitário foi visto por 16 mil pessoas, no Sapo Vídeos. O site www.comunicadogatos.com, apenas divulgado em fóruns e blogues, teve em seis dias 32 mil visitas. 'A adesão do público às campanhas não é sinónimo de consumo do produto. Apenas potencializa a atenção sobre o anúncio, a marca e consequentemente o produto', explica à Correio TV, Edson Athayde. Um estudo recente revelou que, de todas as campanhas publicitárias do grupo PT, são as dos ‘Gato’ que mais ficam gravadas na memória do público, ficando em primeiro lugar no top de recordação de marcas.
Na internet os ‘Gato’ não passam ao lado do sucesso. Só no YouTube estão cerca de 4300 vídeos com Ricardo Araújo Pereira, José Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis. Entre sketches e vídeos de campanhas publicitárias, o que conta com mais visualizações é aquele em que Ricardo veste a pele de Paulo Bento, em ‘Diz Que É Uma Espécie De Magazine’, na RTP 1. Logo a seguir, da mesma estação, com 813,553 visitas, está o sketche de imitação do Professor Marcelo Rebelo de Sousa e da sua posição face ao referendo ao aborto. Os ‘Gato’ têm agradado ao público em geral fazendo paródia com as mais diversas personalidades. Até à data apenas Pinto da Costa mostrou não ter gostado da brincadeira do quarteto, no vídeo ‘A História Nunca Contada Na História Nunca Contada de Pinto da Costa’, moveu-lhes um processo judicial.
Antes de fazerem sucesso na RTP 1, onde entraram em 2006, os ‘Gato’ estavam na SICRadical. Foi, aliás, neste canal do cabo, que os quatro humoristas começaram a carreira televisiva. O sucesso foi de tal ordem que a SIC generalista emitiu alguns sketches, contrariando o acordo entre os humoristas e a estação. O motivo foi suficiente para o quarteto abandonar o grupo de Pinto Balsemão. A estação pública, que na altura tinha Nuno Santos na direcção de Programas, decidiu então apostar neles e dar-lhes o horário nobre do domingo. ‘Diz Que É Uma Espécie de Magazine’ tornou-se rapidamente num dos formatos de maior audiência da estação de serviço público.
O regresso dos ‘Gato Fedorento’ à SIC está marcado para Outubro. Apesar de nenhuma das partes falar sobre o programa ou os termos do contrato, a Correio TV apurou que os quatro humoristas vão ganhar, no total, 1,5 milhões de euros. Assim sendo, os ‘Gato’ vão receber 57 600 euros por cada um dos 26 episódios que farão até ao final de 2009. 'É simpático voltar à SIC. Aliás, iríamos para onde fosse o Nuno Santos. Calhou ser a SIC. Mas se fosse o Canal Parlamento iríamos com todo o gosto. Só que de humorismos já eles estão cheios!', afirmaram os ‘Gato’ esta semana na assinatura do contrato. Ainda sem querer adiantar pormenores sobre o programa com data de estreia marcada para Outubro, Nuno Santos, director de Programas da SIC, revela que o novo formato dos humoristas será emitido em 'horário nobre'. Tiago Dores avançou ainda que foram 'contratualizados 26 programas', até ao final de 2009, precisamente metade dos que o quarteto fez para a RTP. Apesar do programa ainda não estar completamente delineado, Nuno Santos afirma que já trabalhou com o grupo em termos cenográficos, pelo que já sabe 'como vai ser o programa'.
José Diogo Quintela esclarece: 'O programa não vai ser igual ao da RTP, mas nós não temos de ter medo das comparações. Vai haver sempre. E também não sinto obrigação de fazer o completamente diferente só por fazer.' O quarteto de humoristas assinou com a SICesta semana, três meses depois da estação anunciar a sua contratação. Apesar disso, o quarteto começou a trabalhar nos produtos da estação de Carnaxide na semana anterior, no Campeonato da Língua Portuguesa.
CAMPANHAS
A grande estreia dos ‘Gato’ na publicidade foi nos anúncios ao Montepio Geral, em 2004. Já este ano, estão a fazer sucesso no Grupo Portugal Telecom. A campanha do Meo é a mais recente.
ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS TÊM DADO MAIS PROTAGONISMO AO QUARTETO DE HUMORISTAS
- 2,5 milhões de telespectadores assistiram ao lançamento do anúncio do MEO
- 81% de share foi registado pelo primeiro spot televisivo da campanha do Meo
- 978 mil visualizações teve o vídeo satírico a Paulo Bento. O mais visto na internet
- 100 mil euros é o valor mínimo cobrado por cada ‘Gato’ por campanha
- 498 mil euros foi o valor pago pelo Montepio Geral, na primeira campanha
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