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ÍDOLO COM PÉS DE BARRO

Chegou aos píncaros da fama, foi tido como provável vencedor, mas em poucas semanas Joel viu-se afastado sem apelo nem agravo. Num deserto de talentos, a esperança de reanimação do ‘BB’ reside na entrada de novos concorrentes.

18 de outubro de 2003 às 00:00

A expulsão de Joel na gala de terça-feira, que foi durante algum tempo considerado o ‘novo Zé Maria’ e o potencial vencedor de ‘BB4’, reduziu a população de concorrentes a seis. Antes do fim do mês entrarão na casa até sete novos participantes, apurados de um numeroso lote de inscrições, cujo prazo terminou na passada quarta-feira. Joel nem queria acreditar! O madeirense acabou por ser expulso a menos de metade do tempo do concurso. No início desta 4ª edição, Teresa Guilherme chegou a vaticinar a sua vitória.

Com o decorrer do tempo, Joel começou a mostrar a sua personalidade, que se revelou muito diferente do que inicialmente os telespectadores haviam pensado. A sua atitude para com Raquel e a forma de agir deram indícios de que era calculista e pouco sincero, pelo que foi castigado pelo público com a expulsão.

Apesar de ter sido o Joel a ser expulso, o madeirense não é mais do que um exemplo de que a escolha das pessoas para esta edição do programa não foi a melhor. De facto, os residentes do ‘Big Brother 4’ formam o grupo menos animado de todas edições do concurso. Agora, com apenas seis residentes, o marasmo tem aumentado dentro da casa.

O desgosto de amor que Joel sofreu antes de concorrer ao ‘BB4’ foi muito falado, inclusivamente depois da saída do concorrente da casa de Venda do Pinheiro, quando interrogado por Teresa Guilherme. Mas terá constituído a participação no concurso um refúgio para o madeirense? Ele não o disse, mas se assim foi, os resultados não são famosos. Certo é que Joel não contava ser expulso. “Nem sequer acredito que vou sair”, disse, quando Teresa Guilherme anunciou a sua saída. Já no estúdio, o madeirense referiu: “Fui sempre sincero. Não se pode agradar a toda a gente. Mostrei a minha parte boa e a minha parte má.”

PORQUE MURCHA O CONCURSO?

A vivacidade está ausente da casa da Venda do Pinheiro. Nenhum concorrente evidencia um comportamento original, marcante. As ocorrências inesperadas foram de férias. Na primeira gala do ‘BB 4’, em 2 de Setembro, o programa conseguiu um ‘share’ de 41, 8 %, segundo dados da Marktest. Pouco mais de um mês depois, na gala de 7 de Outubro, aquele indicador havia caído para 27,4 % (audiência média de 7,7 %). Na passada terça-feira houve uma recuperação (36 % de ‘share’, 10,2 % de audiência média), mas os índices permanecem insatisfatórios. A ‘receita’ de sexo (que não passa de uns beijos e abraços) e álcool (muito álcool) do ‘BB 4’ provocou mais desapontamento do que curiosidade entre os telespectadores. A verdade é que os residentes, todos muito jovens e com pouco carisma, não conseguem cativar o público.

O Correio TV questionou alguns participantes de anteriores edições do ‘BB’ e ‘BB Famosos’, que nos deram as suas opiniões sobre o que está mal. E falámos com o director da produtora Endemol, que revelou ainda algum optimismo.

PIET HEIN, Director da Endemol Portugal: PRECISAMOS DE MAIS IMAGINAÇÃO

- “As audiências flutuam e como estamos na 4ª edição precisamos apenas de ter mais imaginação. Além disso, tivemos dias em que os programas diários, transmitidos depois das 11 da noite, obtiveram óptimas audiências. O ‘Big Brother’ ainda pode ter uma vida longa.”

- “Não se podem comparar estes residentes com os das edições anteriores. O Zé Maria ganhou uma grande popularidade porque foi o primeiro vencedor do ‘Big Brother’ em Portugal. Nesta casa também temos várias pessoas com carisma, além de que este é um ‘Big Brother’ mais competitivo a nível individual.”

NUNO HPOMEM DE SÁ, ‘Big Brother Famosos 1’: JÁ DEU O QUE TINHA A DAR

- “O formato está gasto. O ‘Big Brother’ já deu o que tinha a dar. Vi um pouco, mas perdi a curiosidade. Cheguei à conclusão de que estava na hora de mudar de canal.”

- “A produção fez o favor de escolher pessoas a dedo com a predisposição para acasalar.”

- “Não há a espontaneidade que havia antes. Os concorrentes já conhecem o formato e por isso têm manhas e truques.”

FRANCISCO MENDES, ‘Big Brother Famosos 1’: TODOS IGUAIS

- “Num ‘Big Brother’ de pessoas não famosas devia haver concorrentes um pouco mais velhos e com estilos diferentes, para dar mais vivacidade ao programa. Eles têm quase todos a mesma idade e a mesma maneira de ser.”

- “A ‘Operação Triunfo’ e o ‘Ídolos’ são programas que têm mais interesse do que o ‘Big Brother’. Aparecem miúdos a cantar e as pessoas gostam de ver novos talentos portugueses a aparecer.”

- “Conheço o Ricardo B., porque andou comigo na Capoeira, e é simpático. Mas em geral, estes concorrentes não têm tanto carisma quanto os das outras edições.”

CATARINA CABRAL, Vencedora do ‘Big Brother 3’: FALTA MAIS PIMENTA

- “No ‘Big Brother 3’ às vezes perdíamos as provas semanais só por causa de uma pessoa e acabávamos quase sempre a discutir.”

- Referindo-se aos concorrentes do ‘BB 4’, Catarina diz que “eles já sabem o que o público quer e não quer, pelo que acabam por não ser naturais.”

- “Falta discutirem os problemas, exporem as suas ideias. Falta mais pimenta no programa.”

ZÉ MARIA, Vencedor do ‘Big Brother 1’: SEM COMENTÁRIOS

- O barranquenho anda de costas voltadas para a Imprensa e para o concurso. Por isso, apenas nos disse, antes de desligar o telefone: “Não estou a ver o programa.”

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