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Correio da Manhã

Tv Media
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IMAGINAÇÃO NÃO LHES FALTA

Quando os espectadores pensam que já viram tudo, novos ‘reality shows’ elevam a fasquia do arrojo. Jogar com os sentimentos dos concorrentes e pôr à prova os instintos de sobrevivência continuam a ser os pratos fortes, mas a forma de os servir e os ingredientes usados são cada vez mais originais.
4 de Dezembro de 2004 às 00:00
Homens de barba rija forçados a explorar o seu lado feminino, obesos em competição para ver quem perde mais peso e famílias dispostas a desbravar uma zona inóspita da Austrália são apenas algumas propostas da nova geração de ‘reality shows’. O humor desempenha um papel cada vez mais importante nos novos formatos, mas o sexo e o risco continuam a ser factores contemplados pela ‘reality TV’.
‘He’s a Lady’ (‘Ele é Uma Mulher’), cuja primeira edição se estreou em Outubro no canal norte-americano TBS Superstation, é um bom exemplo das novas tendências. Os concorrentes – um grupo de heterossexuais musculados e de aparência rude – foram enganados pela produção do programa, que os levou a acreditar que iriam participar num jogo composto por duras provas físicas. Os homens que, apesar do engodo, se deixaram tentar pelo prémio de cerca de 200 mil euros, foram submetidos a uma profunda transformação, passando a usar roupas de mulher, peruca e maquilhagem. Ao longo de dois meses, estes travestis forçados viveram na ‘Doll House’ (‘Casa de Bonecas’), uma habitação decorada de modo a pô-los em contacto com o seu lado feminino, desfilaram em ‘passerelles’ e organizaram festas, entre outras actividades.
UM CONCURSO DE PESO
‘The Biggest Loser’ (‘O Maior Perdedor’), em exibição na NBC, propõe a um grupo de doze obesos – seis homens e seis mulheres – a oportunidade de alcançar uma figura invejável sem se submeterem a cirurgia estética. Recorrendo a dietas e muito exercício físico, os concorrentes encaram a árdua tarefa de emagrecer num curto período de tempo. No final, quem mais peso perder recebe um prémio de cerca de 200 mil euros. Para tornar o desafio ainda mais difícil, a produção alicia os concorrentes com tentações altamente calóricas.
Satirizar programas como ‘O Aprendiz’ e ‘The Rebel Billionaire’, é a ideia por trás de ‘My Big Fat Obnoxious Boss’ (‘O Meu Chefe Grande, Gordo e Irritante’), transmitido pela Fox TV. Doze aspirantes a gestores são avaliados pelo milionário fictício M. Paul Todd, personagem pomposa e arrogante interpretada pelo actor William August. O seu papel é humilhar os concorrentes, semana após semana, entregando-lhe desafios como pedir esmolas nas ruas de Chicago. A componente séria do concurso é o prémio, no valor de mais de 200 mil euros.
ROMANCE ‘GAY’
‘Boy Meets Boy’ (‘Rapaz Conhece Rapaz’), o primeiro programa de encontros românticos ‘gay’ da televisão norte-americana, é uma das novas propostas do canal Bravo. A primeira edição, que se estreou recentemente, tem como figura central James, director de recursos humanos de uma empresa de advocacia, que tem de ser seduzido pelos restantes 15 concorrentes. No entanto, há uma rasteira, porque nem todos são homossexuais. A verdadeira orientação sexual dos participantes só é conhecida pela produção, que oculta a verdade ao público e a James.
Ao contrário de formatos como ‘Big Brother’, os concorrentes não partilham a mesma residência, mas são organizadas actividades em conjunto e encontros individuais. No último episódio, um dos pretendentes será escolhido por James e passarão umas férias na Nova Zelândia.
Mas nem todos os projectos originais chegam dos EUA. O canal australiano SBS planeia estrear no próximo ano ‘The Colony’ (‘A Colónia’), um novo conceito de ‘reality show’, cujos concorrentes, ao invés de se habilitarem a um prémio, voluntariam-se apenas para conhecerem os seus próprios limites. O programa pretende recordar o passado da Austrália, quando o país era uma colónia britânica, reunindo três famílias de ocidentais anglo-saxónicos e uma tribo de aborígenes, que conviverão durante quatro meses. Os concorrentes irão sujeitar-se às mesmas condições em que viveram os pioneiros que chegaram à Austrália no princípio do século XIX.
CAÇA AO HOMEM
Se pensa que já viu tudo, calma, ainda há muito mais para ver. ‘Danger Island’ (‘A Ilha do Perigo’), por exemplo, é um projecto arriscado e controverso que pretende colocar em confronto, numa ilha deserta, dois grupos, um deles composto por criminosos, o outro por caçadores de prémios. O elemento da equipa de criminosos que conseguir escapar aos perseguidores conquistará um prémio no valor de 800 mil euros. Esta quantia será entregue à vítima do último crime do ex-presidiário, dando aos concorrentes uma hipótese para se redimirem do seu passado obscuro.
A produtora do programa pretende reunir um grupo de 12 pessoas que, no passado, tenham cumprido pena de prisão, e cuja capacidade de sobrevivência será posta à prova. Esta primeira equipa será perseguida por outro grupo, composto por mercenários, detectives, militares, caçadores e atletas oriundos de vários países do mundo. Por enquanto ainda nenhuma estação de televisão se atreveu a adquirir este formato.
SEXO PARA TODOS
As primeiras duas emissões de ‘Sex Inspectors’ (‘Inspectores do Sexo’) já foram para o ar no canal privado britânico Channel 5 e as primeiras audiências são de fazer crescer água na boca, ou não fosse o tema um chamariz para qualquer programador que se preze. A coisa passa-se de forma muito caseira. Como? Bem, pense num casal apaixonado a fazer amor na sua própria casa, quando, de repente, a intimidade é invadida por verdadeiros… empatas. No meio do doce momento, os amantes são interrompidos por um terapeuta sexual, que lhes explica como evitar a ejaculação precoce, ou simplesmente tornar o acto ainda mais prazenteiro…
RETRATO DE UMA FAMÍLIA INVULGAR
A HBO, canal de televisão por cabo que lançou êxitos como ‘Os Sopranos’ e ‘O Sexo e a Cidade’, é responsável pela série documental ‘Family Bonds’, um projecto enquadrado no estilo ‘reality TV’, que acompanha o quotidiano de Tom Evangelista, fiador de cauções, e dos seus familiares. A actividade da família Evangelista consiste em emprestar dinheiro a cidadãos acusados de crimes para que estes possam pagar a caução. No entanto, se os clientes tentarem fugir, cabe a estes profissionais, com licença de porte de arma, encontrá-los e entregá-los aos agentes da lei.
“No princípio não pensávamos fazer uma série. Mas o nosso trabalho começou num período fantástico da vida deles. Sal, um dos filhos, fez 18 anos e juntou-se ao negócio familiar e Tom e Jimmy, sócios, amigos e cunhados zangaram-se no princípio das gravações. Toda a família parece estar num período de mudança, o que origina momentos fabulosos e dramáticos”, explica Steven, cantor, realizador e produtor executivo de ‘Family Bonds’.
SIC INTERESSADA EM ‘O APRENDIZ’
Depois de ‘Masterplan’, a SIC admite voltar a apostar num ‘reality show’, procurando recuperar audiências, entretanto fugidas para a TVI, devido ao sucesso da ‘Quinta das Celebridades’, que deverá ter uma segunda edição ainda no primeiro semestre do próximo ano. A estação de Carnaxide está interessada no formato norte-americano ‘The Apprentice’ (‘O Aprendiz’), um sucesso estrondoso na NBC e que contou com uma audiência de 40 milhões de espectadores na final.
A mecânica do jogo é simples: um empresário procura um profissional competente para gerir os seus negócios. Os candidatos ao lugar, onde se incluem os concorrentes ao programa, terão de prestar provas. O vencedor terá como prémio um contrato laboral de um ano ao seu lado.
O formato foi adquirido pela Fremantle Media, mas a decisão da SIC ainda não foi tomada. “Estamos interessados em todos os bons programas internacionais, mas temos de avaliar uma série de variáveis”, disse à Correio TV o director de programas da estação, Manuel Fonseca, negando que o negócio esteja concluído.
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