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Correio da Manhã

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INFERNO EM TONS DE AZUL

Eram cinco horas da madrugada e já os responsáveis do ‘Diário da Manhã’ (TVI) se tinham apercebido da avalanche de temas e notícias que se precipitavam para a edição do dia. O resultado só podia ser um: foi uma emissão… infernal
15 de Maio de 2004 às 00:00
A véspera tinha sido pródiga em notícias: o FC Porto vencera o Deportivo da Coruña, assegurando a passagem à final da Liga dos Campeões, e Carlos Cruz acabara de passar a primeira noite em sua casa, 15 meses depois de ter sido preso. Assuntos ‘quentes’ que não podiam faltar no ‘Diário da Manhã, o programa matinal que a TVI emite entre as 07h30 e as 10h00.
A superabundância de informação e de temas no alinhamento do dia levaram o coordenador Paulo Salvador a recusar um pedido do apresentador Henrique Garcia para entrevistar uma senhora, contactada pela repórter Cristina Ferreira, que conhecera Amália Rodrigues. O assunto prometia ser aliciante para um programa que se quer “muito ágil e vivo”, como o define o próprio coordenador, mas faria inevitavelmente excluir outro.
A diversidade de temas e a duração de cada emissão exigem o planeamento minucioso do ‘Diário da Manhã’, que é transmitido em directo de Queluz de Baixo. No passado dia 5, em que a Correio TV assistiu à preparação e emissão do programa, Paulo Salvador dirigiu as operações sentado a uma mesa da ‘régie’. O plano foi elaborado por ele próprio, assim que chegou, às 5 horas da manhã, com os elementos coligidos na reunião preparatória do dia anterior. Às 6h30, apresentou o alinhamento ao realizador Mário Rui e à equipa técnica.
O carácter ‘infernal’ daquela manhã foi pressentido imediatamente, também, pelo editor Francisco Máximo. Quando chegou, às 4h45, a consulta dos jornais e da Internet fê-lo concluir que seria uma edição “de características excepcionais, com dois temas principais, muito absorventes”, afirma. Às 6h00, o editor, que chefia uma equipa de cinco jornalistas, entregou as notícias à assistente de realização Rita Gonçalves. Mas ao contrário do que costuma acontecer, a cadência de actualizações e novas notícias obrigaram-no a visitar a ‘régie’, nessa manhã, dezenas de vezes.
Num dia de programação muito densa, Paulo Salvador ainda pôde fazer uma flor. Poucos minutos antes do termo da emissão, o coordenador disse, ao microfone, a Henrique Garcia: “É melhor ficares em pé, entre elas.” O apresentador levantou-se imediatamente e foi colocar-se entre Júlia Pinheiro e Rita Gonçalves, que tinham acabado de ser maquilhadas frente às câmaras. Com a cara e os lábios pintados de azul, a co-apresentadora deu um beijo no rosto do seu colega, e a assistente de realização, cuja face esquerda ostentava as cores berrantes do logótipo do Euro’2004, fez o mesmo na outra bochecha de Garcia. A ideia surgiu a Paulo Salvador no próprio momento. Foi o corolário colorido de uma emissão que teve de ser controlada de relógio na mão.
HENRIQUE, O PONDERADO
Quando o intervalo é anunciado pelo assistente de estúdio – duas interrupções numa emissão de duas horas e meia – Henrique Garcia salta imediatamente da sua cadeira. “Vou ao defumadouro!”, avisa. Pouco depois, caminhava calmamente, com um cigarro na mão, entre as secretárias da redacção da TVI, separada do estúdio por uma parede de vidro. O apresentador saiu muito cedo da cama – 4h30 – e levou muito menos tempo que a sua colega na sala de caracterização da TVI. A razão, adiantada pelo próprio, é simples: “Já venho arreado de casa.” No decorrer da emissão beberica chá. É ele que apresenta os jornais na revista de imprensa, pegando em cada exemplar de maneira a que a câmara reproduza a primeira página com nitidez. As revistas, que são mais fáceis de empunhar, ficam a cargo da co-apresentadora.
JÚLIA, A ENÉRGICA
Descontraída, provocatória, amistosa. Assim é Júlia Pinheiro em estúdio, quando o microfone não está ligado. A apresentadora lança constantes apartes humorísticos a Henrique Garcia e aos elementos da equipa técnica. O líquido que os telespectadores a vêem bebericar de uma caneca, através duma palhinha, é leite.
No dia em que a Correio TV assistiu à emissão do ‘Diário da Manhã’ a co-apresentadora saltou da cama às 5h00. Cerca das 6h30 deu entrada nas instalações da TVI, “num estado lastimoso”, como ela própria considerou. O tempo que esteve na sala de caracterização foi, portanto, mais dilatado.
Ao contrário de Henrique Garcia, nos intervalos do programa, Júlia Pinheiro não sai do estúdio.
A maquilhadora e a cabeleireira acorreram, eliminando os estragos causados pelo cachecol do FC Porto com que a apresentadora envolveu a cabeça. “Isto é que são as armas químicas”, comentou a apresentadora, sorridente, no momento em que a cabeleireira lhe pulverizou laca no cabelo.
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