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Correio da Manhã

Tv Media

Influências negadas

Os recentes comentários políticos ao acordo celebrado entre o Grupo Media Capital (MC) e a espanhola Prisa levou a empresa de Pais do Amaral a reagir ontem em comunicado, sublinhando que as duas empresas não têm nenhuma influência do governo, quer português quer espanhol.
6 de Setembro de 2005 às 00:00
Pais do Amaral fala de aproveitamento político no negócio
Pais do Amaral fala de aproveitamento político no negócio FOTO: Pedro Catarino
Esta actuação surge na sequência das declarações proferidas por Marques Mendes, líder social-democrata, que, anteontem, acusou o Governo de estar a preparar-se para autorizar a venda da TVI aos espanhóis da Prisa, conotados com o PSOE de Zapatero.
Também Ribeiro e Castro, líder do CDS-PP, veio a público dizer que o seu partido tenciona saber se “houve ou não conversações entre os dois partidos socialista sobre o assunto”, admitindo que o CDS/PP poderá solicitar um inquérito sobre o negócio.
No final da semana, João Van Zeller demitiu-se do cargo de administrador da TVI, denunciando que foram alegadas cumplicidades entre os dois partidos socialistas ibéricos que permitiram a “tranquila assinatura” de acordo entre a Media Capital e a Prisa. Van Zeller justificou a sua saída com “o risco de perda das identidades editorial e nacional” da TVI.
No documento, assinado por Pais do Amaral, a dona da TVI fez saber que, tanto o GMC como a Prisa, são “empresas cotadas em bolsa”, sem qualquer intervenção accionista do Estado português e espanhol.
“Os acordos assinados entre alguns accionistas do MC e o Grupo Prisa respeitam escrupulosamente a legislação existente (...) concluindo-se que as afirmações produzidas recentemente por responsáveis políticos onde é referida uma transacção que não está contemplada nos acordos firmados, e uma autorização governamental à referida transacção, que obviamente não a necessita, resultam de uma deficiente interpretação dos acordos referidos bem como da legislação em vigor”.
Para o MC, tais comentários traduzem-se numa “intromissão inaceitável de forças políticas numa operação entre entidades privadas, sendo ainda reveladoras de uma total falta de sensibilidade para com o funcionamento do mercado de capitais na medida em que desconsideram o impacto que a informação relativa a empresas cotadas tem sobre o mesmo e sobre as cotações dessas empresas”.
Por isso mesmo, a empresa de Pais do Amaral anuncia ser sua intenção comunicar à Comissão de Valores de Mercado Mobiliários os factos que consideram ser “aproveitamento político de operações legítimas tendo por objecto valores cotados, com todos os efeitos nefastos daí decorrentes para os agentes de mercado e para a credibilidade do mesmo”.
Anteontem, na sessão de encerramento da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, Marques Mendes considerou que o negócio entre a Media Capital e a Prisa pode colocar em causa a cultura portuguesa.
Por seu turno, Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, com a tutela da Comunicação Social, reagiu às declarações do social-democrata, acusando-o de “mentir” e revelar “ignorância” sobre a matéria.
VAN ZELLER SEM FUNÇÕES EXECUTIVAS NA TVI
A Media Capital esclarece, no mesmo comunicado, algumas afirmações proferidas pelo ex-administrador da TVI, João Van Zeller, aquando da sua demissão. De acordo com o documento, o “ex-administrador foi um pequeno accionista na primeira fase de existência da TVI, tendo vendido as suas acções em 1998 quando a Media Capital se tornou accionista de referência da estação, não sendo nesta data accionista da TVI nem titular de qualquer participação significativa na GMC”.
João Van Zeller “não tinha, nem nunca teve, quaisquer funções executivas ou estratégicas na TVI ou no GMC, nem participou nas negociações nem na elaboração da correspondente documentação entre os accionistas da Media Capital e o Grupo Prisa, pelo que o seu conhecimento dos Acordos com o Grupo Prisa é o mesmo do público”, adianta.
O comunicado acrescenta que “as afirmações produzidas pelo referido ex-administrador relativas aos  acordos com o Grupo Prisa – que considero alarmistas e totalmente injustificadas – não têm por suporte quaisquer factos ou documentos não públicos, consistindo unicamente na sua interpretação dos factos e no seu entendimento da realidade”, concluindo que “as suas opiniões e declarações não se fundam em qualquer conhecimento particular ou específico e por isso têm apenas a importância que lhes for atribuída” pelos media.
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