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Correio da Manhã

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‘JÁ FUI MUITO MULHERENGO’

Arquitecto de profissão, Pêpê Rapazote rendeu-se à arte da representação. Em ‘Coração Malandro’, ele é um D. Juan que seduz todas as mulheres que lhe aparecem pela frente, até ao dia em que se apaixona de verdade...
8 de Março de 2003 às 18:44
‘JÁ FUI MUITO MULHERENGO’
‘JÁ FUI MUITO MULHERENGO’ FOTO: Natália Ferraz
O “Zé Maria Pardal” não faz nada para conquistar as mulheres. Elas caem-lhe aos pés?
Bem, ele não usa “Axe”… Não é um galanteador exacerbado, e não joga charme à descarada…

Ele é seduzido, mais do que seduz?
Não. Seduz muitas vezes. Ele sabe que elas sentem-se atraídas pelo “Passarinho”, como abelhas pelo mel… E eu acho que a minha obrigação é satisfazer as abelhas… [Risos] Com a “Paula” (Sandra Alvim), ele terá de fazer um jogo de sedução. Como ela é uma mulher da cidade, tem estudos e educação, haverá situações extremamente caricatas. Apesar de ser um galanteador e cavalheiro, com este cavalheirismo provinciano, há uma disparidade. Quando quer, é muito exagerado. Quando quer ser educado, é demasiado, ridículo! As formas de sedução dele são muito provincianas, engraçadas, queirosianas… muito poéticas!

É esse o segredo do seu sucesso?
Talvez. O “Passarinho” é muito prestável e optimista. E isso é extremamente sedutor. Se a isso juntarmos um galanteio, ainda melhor. Assim, até eu! Este indivíduo “não existe”, é um “extraterrestre”!

O “Pardal” é um “D. Juan”. Por amor, ele deixa de o ser?
Eu penso que sim, porque ele é muito puro, muito ingénuo. Ele ‘já se passeou’ com todas as mulheres da terreola e arredores. Mas ao apaixonar-se perdidamente, penso que será capaz de ser fiel. Porque isso vai fazê-lo sofrer e sonhar tanto… Depois de ter experimentado de tudo e estar habituado a mulheres mais desbragadas, mais atrevidas, fica atraído por uma mulher mais difícil, séria, com personalidade, uma senhora! E penso que pode ficar por aqui…

Mas ele irá perder este seu amor para outro. Como reage?
Isto vai dar muitas voltas, nem eu sei…

O que é que há do Pêpê no “Pardal”?
Dizem que somos fisicamente parecidos. Mais bigode, menos bigode! Houve muito trabalho e, ao princípio, muita insegurança, própria da responsabilidade de um protagonista. Mas houve algo que não me custou fazer: o cavalheirismo e o galanteio. Eu tive uma excelente educação, inclusive de etiqueta e boas maneiras.

Teve muitas namoradas?
Sim, muitaaaaaas [Risos]. Fui muito mulherengo, mas depois de casar sempre dei muita importância à fidelidade. Mesmo que haja tentações, o respeito e a fidelidade sobrepõem-se.

Que semelhanças há entre o “Toni” de “Sonhos Traídos” e o “Passarinho”?
São os dois mulherengos. É a única coisa que têm em comum. O “Toni” era malcriado e preguiçoso. Castiço, mas muito borjeço e pintarolas… A princípio, pensei que a TVI me escolheu porque achava: “Temos aqui um mulherengo, isto é para o Pêpê.” Mas eu não queria fazer duas personagens seguidas muito parecidas. Depois, percebi que são personagens diferentes. Na postura e na forma de estar.

Há muita diferença entre o “Zé Pardal” e “Pedro, o Escamoso”, do original colombiano?
Não há assim tantas diferenças, embora sejam universos completamente diferentes. Sei que, no original, todas as cenas com conotação sexual são assumidas em imagem. Em Portugal, optou-se por maior moderação. No original, o protagonista “limpa-as todas”, se me permitem a expressão. Eu vivi dois anos na Venezuela e sei como é a ficção, principalmente na América Latina espanhola. Até o Brasil é mais púdico!

Seria capaz de fazer cenas de sexo na telenovela?
Não teria problemas nisso. Temos de estar preparados para tudo. Mas, em “prime-time”, nunca se fariam cenas dessas em Portugal.

Como é que enveredou pela carreira de actor?
Desde miúdo aprendi música e estive ligado às artes do palco. Tive aulas de teatro em Benfica com o actor José Boavida. Depois fiz teatro amador e o Francisco Nicholson reparou em mim e convidou-me.

Qual foi o seu primeiro trabalho em televisão?
Foi uma novela do Francisco Nicholson, “Ajuste de Contas”. Depois, entrei nalguns telefilmes. Mas, antes disso, trabalhava como arquitecto. Tenho 32 anos e fui mais tempo arquitecto do que actor. Só estou nisto há cinco anos.

FIEL À MULHER

Conheceram-se e apaixonaram-se durante as gravações da novela “Ganância”. Curiosamente, no pequeno ecrã formavam um casal que não se suportava. A realidade, no entanto, trocou-lhes as voltas. Pêpê esqueceu as muitas namoradas que teve e assumiu o compromisso. Há um ano casou com Mafalda Vilhena, uma actriz com créditos firmados. O actor garante que hoje é um homem fiel.

No ano passado, o casal voltou a contracenar na novela da TVI “Sonhos Traídos”. Ela como “Susana” e ele como “Toni”. Antes desta, Mafalda Vilhena participou em várias outras produções televisivas, designadamente nas séries “Super Pai” (TVI) e Capitão Roby (SIC).
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