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Correio da Manhã

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“Já tive convites mas não aceitei”

"Pretendo continuar a fazer comentários. Já tive convites, da parte de jornais, revistas e rádios, mas não aceitei. Porém, nenhuma proposta das televisões", diz ao CM Marcelo Rebelo de Sousa que, até 28 de Fevereiro, está com ‘As Escolhas de Marcelo’ no canal público.
17 de Janeiro de 2010 às 00:30
Rebelo de Sousa diz que a partir de 1 de Março está disponível
Rebelo de Sousa diz que a partir de 1 de Março está disponível FOTO: Sérgio Lemos

O comentador defende que o seu programa pode continuar na RTP se esta "se apressar" a encontrar um substituto de António Vitorino. "Há uns seis meses, quando se falou deste assunto, sugeri nomes como António Barreto, Mário Soares, Jorge Sampaio e Manuel Alegre. Até falei de se ir buscar a outros canais comentadores como António Costa, que gostariam de passar para um canal de sinal aberto. O António Costa até já defendeu, na ‘Quadratura do Círculo’ (SIC Notícias), que a solução não era acabar com o meu programa, mas sim encontrar um substituto."

Mas o professor também diz que "se a RTP tem dificuldade em encontrar um substituto, a ERC também não facilita a tarefa". E acrescenta: "Num comunicado, a Entidade Reguladora disse [à RTP]: ‘Não pensem que o problema se resolve só com o Vitorino’. Mas agora é preciso que esse substituto seja alguém que tenha prática de comentário político, independência, isenção e que não represente um partido. Eu já faço comentários há 37 anos consecutivos."

Quanto a alegadas pressões do Governo para pôr fim ao seu programa, o professor é peremptório: "Pessoalmente nunca tive sobre mim qualquer tipo de intervenção governamental. Sei que ficavam muito chateados de vez em quando, mas nunca houve pressões. Portanto, não percebo bem."

ESCLARECIMENTO

RTP DEVE ASSUMIR DECISÃO

O Correio da Manhã publicou (a 15 de Janeiro) uma peça intitulada "José Alberto de Carvalho, director de Informação da RTP torna a contestar as regras do pluralismo" na qual se responsabiliza a ERC pelas decisões que a RTP se prepara para tomar sobre o programa de Marcelo Rebelo de Sousa. Tal imputação é falsa, o que poderá ser confirmado solicitando à RTP que faça prova de quando e por que meio a ERC obrigou a RTP, deu qualquer indicação ou sugestão sobre entradas e saídas de comentadores, sejam eles Marcelo, Vitorino ou outros.

A ERC pronuncia-se anualmente sobre o cumprimento do pluralismo político-partidário no serviço público. Nos relatórios do Pluralismo político-partidário relativos a 2007 e 2008, a ERC chamou a atenção da RTP para a "ausência de pluralismo na representação das diferentes correntes e sensibilidades políticas e ideológicas ao nível dos programas de comentário político", tendo considerado positivo que em 2009 a RTP tenha alargado o comentário político a outras correntes ideológicas (através de um novo espaço emitido às sextas-feiras). Não é, pois, legítimo nem sério extrair daí que a ERC tenha qualquer responsabilidade numa eventual decisão da RTP sobre esse ou outros programas. Se o director de informação da RTP não sabe, como afirma no artigo do CM, como cumprir o pluralismo sem sacrificar o programa de Marcelo é um problema seu, não pode é desculpar-se com "regras" da ERC para justificar essa sua incapacidade.

As notícias que estão a ser publicadas sobre esta matéria são, repito, abusivas, visando, eventualmente, objectivos que nada têm a ver com a ERC, não podendo, assim, esta ser responsabilizada por decisões da RTP quanto às pessoas que convida ou despede, sejam elas Marcelo Rebelo de Sousa ou outros. Se, como parece, a RTP pretende acabar com o programa de Marcelo Rebelo de Sousa deverá assumir essa decisão ou imputá-la a quem eventualmente esteja a "forçá-la" a fazê-lo.

Estrela Serrano,

Vogal do Conselho Regulador

 

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