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Correio da Manhã

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JOÃO BRAGA ENTRE AS MULHERES

Chamam-lhe o “revolucionador do fado”, mas ele rejeita o título, diz que apenas contribuiu para a renovação do género musical, sobretudo com novas vozes femininas. É entre elas que o fadista quis comemorar os seus 35 anos de carreira.
Em palco, claro.
25 de Julho de 2002 às 17:52
É entre as mulheres que João Braga se sente bem. Além de ser um admirador confesso do sexo feminino, foi com elas que aprendeu a cantar o fado, sobretudo com Amália Rodrigues, com Maria Teresa de Noronha e com Lucinda do Carmo. “Aprendi muito com estas senhoras. É mais fácil deslumbrar-me com uma voz feminina do que com uma masculina”, revela o fadista.

Por este motivo, João Braga fez questão de comemorar os seus 35 anos de carreira entre quatro mulheres: Marta Campo, uma estreante, Ana Sofia Varela, que apesar de já cantar há algum tempo continua (injustamente) desconhecida, Cristina Branco e Maria Ana Bobone, ambas veteranas nestas andanças. Foi com elas e com sete guitarristas – Raul Nero, José Fontes Rocha, Joel Pina, Carlos Gonçalves, José Luís Costa, Jaime Santos e Manuel Martins — que o fadista subiu ao palco do Teatro São Luiz, no passado dia 31 de Janeiro, para um concerto único, que a TVI transmite na noite de terça-feira.

“Foi o melhor espectáculo que já dei no São Luiz. Correu muito, apesar dos nervos. Houve alguém que disse que parecia que era a primeira vez que eu subia a um palco. A verdade é que, se fosse a primeira vez, eu estava calmíssimo. O pior é que, nesta altura da minha carreira, receio sempre que seja a última”, confessa.

Aos 58 anos, João Braga faz um balanço muito positivo da carreira e, também, da sua vida. “A vida é sempre uma maravilha, desde que estejamos vivos e lúcidos”, afirma. Refere ainda que existem muitos sonhos e projectos por realizar. Em breve, o fadista vai lançar “Canções que Sempre Quis Cantar”, com ver-sões de temas de Jacques Brel, Char-les Aznavour, Tom Jobim, Bob Dylan e Paul Simon, entre outros. Acabada de sair, a compilação "Fados Para Sem-pre", enquanto um outro disco de originais se encontra em fase de gravação. “Só espero que Deus me dê voz e saúde por mais alguns anos”, afirma.



Revolucionário?
Não, obrigado!

João Braga é conhecido como “o revolucionador do fado”, mas rejeita o título. “As pessoas são livres de dizerem o que quiserem, mas não me considero um revolucionador. As revoluções costumam destruir o que já existe para impor algo novo. Eu não destruí o fado!”
João Braga, que começou a cantar o fado com 16 anos em casa dos pais, prefere que lhe chamem “um renovador”, que deu a conhecer novas vozes e que impediu que o fado estagnasse.

“Tenho muito orgulho em pertencer a uma geração de grandes fadistas. Contudo, a maioria deles interditou a entrada de novos valores e de novas formas de interpretar. Nos anos 80 apercebi-me que, com o desaparecimento de vozes como Alfredo Marceneiro e Hermínia Silva, o fado estava a entrar em declínio, pelo que precisava de uma renovação. A única que fiz foi recrutar novos intérpretes, que trouxeram consigo novos conceitos de fado e enriqueceram o género musical. Graças a esta nova geração de fadistas, o fado nunca vai desaparecer e voltou a tornar-se acessível aos jovens.”
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