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Correio da Manhã

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JOÃO MARIA TUDELA QUER ENTREVISTAR ÁLVARO CUNHAL

Nascido em Moçambique, incute nos filhos o amor a Portugal, içando todos os dias a bandeira nacional em casa. Na RTP1, vai entrevistar os convidados mais velhos, num programa de entretenimento.
25 de Janeiro de 2003 às 01:12
João Maria Tudela
João Maria Tudela FOTO: Tiago Sousa Dias
João Maria Tudela sente “um grande descanso” em participar, a partir de 9 de Fevereiro, no programa “Domingo é Domingo”, na RTP1. Isso porque o produtor é José Nuno Martins, que considera “um homem de televisão de grande prestígio”. Visivelmente satisfeito por a RTP o ter convidado para ser um dos seis apresentadores, a par com Serenella Andrade, Daniel Oliveira, António Macedo, Sérgio Mateus e um outro nome ainda não divulgado, afirma que estará, sobretudo, “conotado com convidados de mais idade”, devido aos seus 73 anos e à sua vivência. “A pessoa que mais gostaria de entrevistar era o doutor Álvaro Cunhal”, admite.

“Decerto, Álvaro Cunhal olharia para mim como uma figura secundária e nem me daria confiança para o entrevistar. Mas gostaria de o fazer, pela responsabilidade que ele teve na condução e na formação de milhares de pessoas depois do 25 de Abril”, afirma o cantor e apresentador nascido em Moçambique. “Far-lhe-ia algumas perguntas, não deixando de o respeitar como figura que ficará na História de Portugal. Embora nunca tenha tido o
poder oficial, ele teve outro tipo de poder, com muito poder!” acrescenta.

“É fascinante pensar que vamos fazer quatro horas em directo no ‘Domingo é Domingo’, até porque considero que comunico bem, que sei ser ‘entretainer’. Mais difícil é para quem produz e tem de garantir que essas horas estejam sempre bem preenchidas, nomeadamente com música de qualidade”, salienta.

O novo programa da RTP, com orquestração de José Marinho,vai recordar grandes canções. Haverá um ecrã gigante em palco e jogos interactivos. Se bem que não previsto, João Maria admite poder acompanhar alguém que cante, ou até fazer interpretações a solo. A propósito, o cantor de “Kanimambo”, que, em 2002, participou com o tema “Amália Triste” no CD “Os Reis da Rádio”, anuncia ter “na manga” um novo CD, que poderá ser lançado ainda este ano, com o título provável de “O Prazer de Cantar”, incluindo temas antigos e um original, “A Canção do Vagabundo”.

“Tive sempre o condão de gastar à frente daquilo que ganho, para tirar partido dos prazeres da vida, como seja o de fumar charuto, um vício de há muitos anos”, afirma este homem que, em finais da década de 80, vimos apresentar na RTP1 o programa “Noites de Gala”, no palco do Casino Estoril, vestido a rigor, com “smoking”, tal como exigia à assistência presente naquele que foi considerado pelo então director de programas do canal público, Carlos Pinto Coelho, “o maior programa de ‘music-hall’ até hoje feito em Portugal.”

Outra sua faceta é o amor pela terra onde nasceu, Moçambique, e por aquele povo, que diz ser “único em toda a África, pela generosidade e pela forma de estar.” Tanto assim, que João Maria gostaria de levar ao seu país natal a mulher e os dois filhos, nascidos em Portugal, actualmente com onze e oito anos de idade.

“Em Portugal, falta amor e orgulho patriota. E uma má esquerda contribuiu para destruir os nossos valores”, considera. Revela que, para contrariar o facto, tem por hábito, todos os dias, içar, com os filhos, a bandeira nacional na sua casa, no Cartaxo.

O cantor considera, assim, que se assiste a uma certa degradação da sociedade, para a qual contribuíram muito “além do mau aproveitamento da democracia, os maus programas de televisão, levados pelo intuito das audiências.” Na sua opinião, “apesar de tudo, a televisão pública nunca se deixou degradar tanto como isso e, agora, está na senda de repor uma certa dignidade.”

“VOU SENTIR-ME UMA RAINHA”

No meio de cinco apresentadores, em princípio, todos homens (só falta revelar um dos nomes), Serenella Andrade pensa que, em “Domingo é Domingo”, como única mulher, vai sentir-se “uma rainha”.

“É um daqueles sonhos que se torna realidade”, afirma a apresentadora de “Sorte Grande”, também da RTP. A experiência recente que viveu, em três emissões do programa “Estúdio 5”, que Júlio Isidro apresenta em directo também no canal público, aos domingos à tarde, foi “muito boa” e, segundo diz, deu-lhe “confiança” para abraçar agora este novo projecto.

“Além disso, entusiasma-me trabalhar com o José Nuno Martins como produtor e autor da ideia. Acho-o um óptimo profissional”, salienta Serenella, que espera, no programa, “desenvolver temas que mostrem o lado mais positivo da vida.”

“Não acho difícil estar quatro horas em directo, desde o momento em que há uma equipa empenhada e a trabalhar por gosto”, conclui Serenella, afirmando que deverá manter “mais ou menos o mesmo visual, a que o público já se habituou” e que, como sempre, os três filhos, de seis, nove e doze anos de idade, serão “os principais críticos” do seu desempenho.
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