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Jornalista da RTP suspende funções para ser candidato à Câmara de Penacova

Álvaro Coimbra, que trabalhava na delegação de Coimbra, gerou polémica e motivou críticas de deputada do PS.
Lusa 21 de Dezembro de 2020 às 20:01
O jornalista Álvaro Coimbra
O jornalista Álvaro Coimbra FOTO: David Martins
O jornalista da delegação de Coimbra da RTP Álvaro Coimbra vai suspender as suas funções a partir de 01 de janeiro para ser candidato à Câmara Municipal de Penacova, afirmou esta segunda-feira a RTP, após críticas de uma deputada do PS.

A deputada do PS Raquel Ferreira, eleita pelo círculo de Coimbra, fez hoje uma exposição à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) e um pedido de esclarecimentos à RTP e à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) por um jornalista do canal de televisão público candidatar-se à Câmara de Penacova, questionando a ética da decisão.

Questionada pela Lusa, fonte oficial da RTP referiu que Álvaro Coimbra tomou a iniciativa de comunicar à Direção de Informação "a sua decisão de se candidatar às eleições autárquicas do próximo ano e, em consequência, a vontade de suspender as suas funções jornalísticas na empresa e também a sua carteira profissional".

"A sua decisão torna incompatível o exercício do jornalismo, pelo que o jornalista começará novas funções a 01 de janeiro fora da atividade jornalística na RTP", acrescentou a mesma fonte, salientando que "esta é a regra aplicada pela DI [Direção de Informação] na RTP em casos semelhantes".

Álvaro Coimbra escusou-se a tecer qualquer comentário sobre o assunto.

Na exposição feita hoje à CCPJ, Raquel Ferreira questiona a ética do jornalista da delegação de Coimbra da RTP, alegando que "terá negociado a sua transição, a partir do início do ano de 2021" para poder "disputar uma candidatura autárquica como candidato a presidente da Câmara Municipal de Penacova".

"O jornalista fez o pedido há algum tempo tendo, alegadamente sido aceite (o que muito se estranha), pelo que se depreende que possamos estar perante uma conivência da RTP com o interesse partidário e do partido em causa do jornalista e, igualmente grave, que o jornalista exerce a função sabendo-se candidato político-partidário", acusa a deputada, na exposição a que a agência Lusa teve acesso, sem nunca referir o partido pelo qual Álvaro Coimbra vai encabeçar a lista.

No documento, Raquel Ferreira critica que a RTP tenha "alegadamente viabilizado a sua transição e facilitado as condições para que o seu jornalista, atualmente em funções no local onde poderá ser candidato, seja em simultâneo profissional da RTP e candidato político-partidário".

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