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Correio da Manhã

Tv Media

Jovem invisual conduz programa

Um protocolo estabelecido entre a Escola Básica 2,3 de Coja e a Rádio Clube de Arganil permitiu a um jovem invisual, de 19 anos, realizar um sonho de miúdo: ser locutor. A colaboração começou há um ano e continuará, porque Ricardo Madeira está prestes a deixar o ensino: “Não gosto de estudar. Gosto é de fazer rádio.”
4 de Junho de 2007 às 00:00
Uma vez por semana, Ricardo Madeira apresenta 'Sons da Tarde'
Uma vez por semana, Ricardo Madeira apresenta 'Sons da Tarde' FOTO: Isabel Duarte
Ricardo Madeira começou por colaborar no programa ‘Sons da Tarde’, de Lurdes Gonçalves, que o foi ambientando ao estúdio. Mas, rapidamente, trocaram de lugares. O jovem invisual passou a conduzir o programa, sob a orientação da colega. “O processo de aprendizagem foi rápido, tendo em conta as limitações do Ricardo. É de louvar o seu esforço para aprender e a dedicação que tem ao rádio”, confessa ao CM Lurdes Gonçalves.
‘Sons da Tarde’, que vai para o ar todas as quintas--feiras, entre as 17h00 e as 18h00, é agora conduzido pelo jovem Ricardo. “No início, o mais difícil foi decorar os botões da mesa de mistura, mas decorou a função de cada um. Para o efeito, conta com os próprios dedos, sabendo, por exemplo, que o 1.º botão é o do microfone e assim sucessivamente”, explica Lurdes Gonçalves ao nosso jornal.
E como é que, por exemplo, o jovem radialista resolve o problema da música que coloca no ar, perguntará o leitor. Ricardo Madeira encontrou uma solução: leva para o estúdio do Rádio Clube de Arganil a sua discografia. “Conheço os meus CD todos de cor, que estão colocados por uma determinada ordem na minha pasta e decoro as músicas de todos os CD. Quem não me conhece nem se apercebe de que sou cego”, conta-nos o jovem locutor.
‘Sons da Tarde’ tem a participação dos ouvintes, que pedem músicas e Ricardo nunca os desilude. O programa, garante, está a conquistar público. Na sua terra, Barril de Alva, “já há mais ouvintes e noutras localidades também”, diz o jovem, garantindo receber muitos telefonemas”. Os amigos, esses, não ligam muito. “Às vezes dão-me os parabéns, mas é muito raro, talvez por passar muita música popular portuguesa, aquela que os meus ouvintes gostam”, explica.
Ricardo Madeira, que vai deixar os estudos e que “gostava de ser locutor numa estação profissional”, tem em mente uma rádio na internet, “para emitir apenas durante algumas horas, mas falta-me o equipamento para pôr a emissão on-line, que é muito dispendioso”.
COMENTADOR DE FUTEBOL
Na Rádio Popular FM, do Pinhal Novo, também colabora um invisual. Cego desde nascença, Vítor Cola costumava fazer os comentários dos jogos de futebol do Distrital de Setúbal. Na época agora concluída, preferiu trabalhar no estúdio durante as emissões de Desporto.
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