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Mãe desesperada para ver o seu filho

Odília está a fazer de tudo para conseguir falar com o filho, Renato Seabra. Mas não a deixam entrar no hospital. Dizem que só o pode fazer depois de ouvido por um juiz.
12 de Janeiro de 2011 às 00:30
Carlos Castro tinha 65 anos e conheceu Renato em Outubro
Carlos Castro tinha 65 anos e conheceu Renato em Outubro FOTO: Duarte Roriz

Odília Pereirinha, mãe de Renato, o autor confesso da morte de Carlos Castro, está desesperada. Quer ver o seu filho ou, pelo menos, chegar à fala com ele, mas não consegue. Renato está sob custódia da polícia, o que tem impedido de ser visitado pela mãe.

"Um paciente psiquiátrico que está sob custódia da polícia não pode ser visitado por familiares até ser presente a tribunal", informou fonte hospitalar. Mas a advogada da família, Paula Fernandes, não dá a ‘guerra’ por perdida. Diz que tudo está a ser feito para que Odília veja o filho e admite mesmo que o encontro poderá ocorrer muito em breve. "É possível que hoje à noite [madrugada em Lisboa] ainda o consiga", disse, esperançosa ao CM. A única visita que Renato recebeu até agora foi do advogado que prepara a sua defesa nos EUA. "Ele já falou com um colega, mas é prematuro adiantar qualquer pormenor", disse Paula Fernandes.

Entretanto, ficou ontem a saber--se que Carlos Castro foi morto na noite em que se preparava para regressar a Portugal. "Ele antecipou a viagem. Estava para voltar dia 15, mas antecipou para dia 8", revelou ao CM Cláudio Montez, amigo de Castro, dando a entender que a relação entre o cronista social e o jovem modelo não corria como previsto.

"A partida também foi adiada", acrescentou, referindo que Carlos e Renato estiveram três dias em casa do cronista, em Sete Rios, Lisboa. "E eles não saíram porque o Renato não queria ser exposto." O jovem, natural de Cantanhede, garantiu ainda a Cláudio Montez que esta era a sua primeira relação homossexual.

"O Renato até podia não estar preparado para uma relação deste tipo, mas foi avisado várias vezes. Foi testado, foi-lhe perguntado pelo Carlos 500 mil vezes", frisa Cláudio.

"APROVEITOU-SE DO CARLOS"

Fernanda e Amélia, irmãs de Carlos Castro, aterraram ontem em Nova Iorque para cumprir o último desejo do cronista: que as suas cinzas sejam espalhadas pelas ruas da Broadway.

Segundo contou ao CM Cláudio Montez, amigo de longa data de Carlos Castro e que acompanhou Fernanda e Amélia nesta viagem, "o processo custará cerca de 800 euros". "Conheci um português no aeroporto, que é coveiro em Nova Iorque, que me deu todas as informações necessárias", explicou.

Visivelmente abatida, Amélia Castro foi dura nas palavras amargas que proferiu à chegada sobre o assassino confesso do seu irmão: "O Renato aproveitou-se do Carlos para se lançar na moda. Sempre me pareceu um rapaz frio e introvertido. Não tenho palavras para ele", disse, acrescentando de seguida: "O Carlos era uma pessoa muito feliz em Nova Iorque".

À espera dos familiares e do amigo do cronista estava Vanda, ex--mulher de Luís Pires, jornalista – a amiga de Carlos Castro que, juntamente com a filha, o esperavam no hall do hotel quando Renato apareceu e lhes disse: "O Carlos não sai mais daqui". É em casa de Vanda que vão ficar uma semana.

Fernanda, Amélia e Cláudio seguiram depois para a polícia. As autoridades querem ouvir o maior número de pessoas possível da parte de Carlos Castro e de Renato para melhor entenderem a relação entre ambos.

PAI ENFERMEIRO MUITO AFECTADO

Apesar da distância com o filho Renato, Joaquim Seabra ficou "muito afectado psicologicamente" com a notícia do envolvimento do filho na morte de Castro Castro, referiu ao CM um familiar. O enfermeiro, separado da mãe do modelo, vive em Vila Real de Santo António, no Algarve, e trabalha no Serviço de Urgência Básica. Também está ligado à política local. Viajou ontem para Nova Iorque, com a actual mulher, para apoiar o filho.

O modelo costumava ir passar férias com o pai, no Verão, mas nos últimos anos as visitas começaram a ser poucas. "Depois de se meter no mundo da moda deixou de vir ver o pai", referiu a familiar.

ORDEM PARA NÃO DAR INFORMAÇÕES

A secção consular de Portugal em Nova Iorque "tem instruções superiores para não divulgar qualquer informação" sobre o caso do homicídio de Carlos Castro. "Não podemos dar qualquer informação aos meios de comunicação. Temos ordens superiores para não o fazer", disse fonte do consulado, acrescentando que tais ordens "não provêm da embaixada".

RENATO ESTÁ NA ALA PRISIONAL

Renato foi transferido da ala psiquiátrica para a área prisional do Hospital Bellevue, sob a custódia da polícia. O hospital tem uma unidade especializada para que prisioneiros possam ser observados pelos médicos. Renato foi directamente transferido dos cuidados médicos regulares para essa unidade, explicou ao CM Steven Bohlen, das relações públicas do hospital.

"DEMOS BEIJOS E TROCÁMOS CARÍCIAS"

Renato Seabra e uma aluna de Enfermagem em Coimbra, Isa Costa, "mantinham uma relação amorosa", revelou ontem ao CM José Malta, cunhado do manequim. "Eu não a conheço pessoalmente, mas sei que saía frequentemente com ele e com os amigos para irem ao cinema ou à discoteca. Os amigos garantem que havia uma relação amorosa, nitidamente", adiantou o familiar do autor confesso da morte de Carlos Castro. No entanto, apesar da relação, que assumiu maior intensidade há dois meses, José Malta garante que, "antes do Natal", Renato Seabra passou algum tempo na praia de Mira com outra amiga de Coimbra. Isa Costa, de 20 anos, desmente um "namoro oficial" com o jovem manequim, um ano mais velho, adiantando que eram apenas "amigos especiais", que andavam a sair juntos desde Novembro. "Demos alguns beijos, houve carícias. Ele não era homossexual", diz a estudante, que esteve pela última vez com o manequim, que conheceu pela internet há um ano, a 23 de Dezembro.

HOMICÍDIO MORTE CASTRADO NEW YORK CARLOS CASTRO RENATO SEABRA MODELO ASSASSINADO
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