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Correio da Manhã

Tv Media
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Mães sem prémios

A RTP não pagou os prémios de produtividade de 2005 a quem esteve ausente com baixa médica ou licença de paternidade. Segundo os jornalistas da estação, tal facto, considerado abstencionismo, acabou por os fazer perder 225 euros e, entre os penalizados, há quem tenha sido promovido no último ano.
1 de Dezembro de 2006 às 00:00
Administração da TV do Estado é criticada pelo Sindicato dos Jornalistas por causa da 'confusão entre desempenho e assiduidade'
Administração da TV do Estado é criticada pelo Sindicato dos Jornalistas por causa da 'confusão entre desempenho e assiduidade' FOTO: Manuel Moreira
“No departamento onde processam os salários, disseram-me que não me atribuíam o prémio de produtividade por causa do abstencionismo”, conta Rita Ramos ao CM, uma das jornalistas surpreendidas por não encontrar na sua folha de vencimento os 225 euros correspondentes ao prémio de produtividade.
Rita Ramos foi recentemente promovida. Mas a avaliação positiva do seu desempenho não foi suficiente, acabando por ser penalizada fruto de complicações no decurso da sua gravidez. O problema, segundo diz, é que na RTP “só aceitam baixas por acidentes de trabalho. As baixas de nojo também são contabilizadas como abstencionismo”, diz a jornalista, sendo corroborada pela colega Rita Marrafa de Carvalho.
De baixa pelos mesmo motivos – “três meses por uma gravidez de alto risco, segundo todos os formulários médicos que entreguei” –, Marrafa de Carvalho também teve um desempenho suficientemente satisfatório para atingir a promoção. Acabou prejudicada pelas “duas ameaças de aborto” que a atiraram para uma cama. E o marido, também funcionário da RTP, requisitou os 15 dias de licença de paternidade que a lei lhe garante e foi igualmente excluído.
São muitas as profissionais afectadas por esta medida e o CM sabe que os Recursos Humanos da empresa pública receberam várias cartas “a questionar o motivo do não pagamento”. A incompreensão é generalizada. “Nem pedimos a redução horária para aleitamento, porque sabíamos que isso não permitiria dar o melhor de nós e acabaria por afectar a RTP”, diz uma jornalista que quer preservar o anonimato. A Direcção de Informação, segundo os jornalistas, manifestou solidariedade, facto que não conseguimos confirmar junto de António Luís Marinho, pois não atendeu o telefone.
O caso já está no Sindicato dos Jornalistas (SJ), confirma fonte do organismo, lamentando a “confusão entre desempenho e assiduidade”. A mesma fonte estranha a forma como tudo se desenrolou, ou seja, “à margem do protocolo celebrado” entre o SJ e a RTP. Por outro lado, alguns trabalhadores da TV pública garantiram-nos que “os funcionários com processos judicias contra a empresa também foram afectados”.
A RTP, contactada através do seu Gabinete de Imprensa, não respondeu ao CM. Apesar disso, tentámos contactar um administrador por telemóvel, mas o aparelho estava desligado.
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