Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
9

Marcelo faz a primeira parte de Gato Fedorento

Depois de terem parodiado figuras como Alberto João Jardim, Paulo Bento, José Sócrates, Pinto da Costa ou Santana Lopes, perguntámos aos Gato Fedorento se Cavaco Silva seria hipótese para uma futura rábula. Na altura, Zé Diogo Quintela respondeu que não. “Só batemos em pessoas que não têm poder ou pelas quais não temos respeito nenhum”, afirmou.
8 de Dezembro de 2006 às 00:00
Dias depois, mostrando a sua tendência para serem politicamente correctos e não deixarem ninguém de fora, revelaram que qualquer um pode ser alvo de uma rábula e nem o Presidente da República escapa. Até Cavaco Silva já foi retratado apesar de terem dito que não seria.
Ricardo Araújo Pereira – Foi na brincadeira que dissémos isso. O Cavaco, apesar de ser Presidente da República, é uma pessoa como outra qualquer.
Ou seja, ninguém está a salvo?
RAP - Sim, ninguém está a salvo do nosso humor.
Política, televisão, futebol. Esta trilogia chega para sustentar esta temporada de ‘Diz Que É uma Espécie de Magazine’?
RAP - Uma das nossas dificuldades é a abordagem que fazemos da actualidade. Aquilo que fizemos com o Alberto João Jardim não podemos fazê-lo todas as semanas.
Zé Diogo Quintela - Tal como sempre fizemos no programas de sketches, queremos evitar repetições. O problema é que nem sempre a actualidade nos dá bom material para trabalhar. Em relação aos formatos televisivos, têm uma grande vantagem: permitem abordar vários temas.
RAP - Sobre futebol ainda nem fizemos nada de especial. Mesmo o sketch da ‘História Nunca Contada da História Nunca Contada de Pinto da Costa’ foi mais sobre justiça do que sobre futebol.
São vocês que ajudam o professor Marcelo ou é ele que vos lança já com as audiências em alta?
RAP - As pessoas ainda não se aperceberam que o professor Marcelo faz a nossa primeira parte do programa, mais ou menos como nos concertos: na primeira parte actua uma banda mais pequena e na segunda é que aparecem os cabeça de cartaz.
Já pensaram em juntar os programas?
ZDQ - Epá, isso era giro. O ideal era tirar o Miguel e pôr o professor no lugar dele. Podíamos pô-lo a bater nos convidados, dar-lhes umas reguadas como na escola.
As audiências estão a crescer. O dia e o horário são agora mais adequados?
RAP - Não fazemos a mínima ideia. O programador, neste caso o Nuno Santos, é que sabe.
ZDQ - Acho que também tem a ver com a altura do ano e com a concorrência.
Os vossos vídeos estão entre os mais vistos da internet. Têm mais concorrência do ‘youtube’ ou dos canais privados?
RAP - Esse é um fenómeno que nem nós compreendemos. Mas queremos desde já agradecer à pessoa que se dá ao trabalho de pôr os sketches online: primeiro, porque perde uma parte razoável do seu tempo livre; segundo, porque contribui para que as pessoas possam rever até à exaustão os ‘sketches’.
ZDQ - Exacto, até não ter piada nenhuma.
RAP - Ficámos a saber há pouco tempo que houve alguém que criou um blog só para o ‘Diz Que É uma Espécie de Magazine’ onde estão todos os episódios.
ZDQ - Os sketches também andam a circular de email para email, por isso é natural que apareçam facilmente na ‘net’, principalmente no youtube.
RAP - O youtube é uma espécie de lixeira. É justo que estejamos lá também.
ZDQ - Respondendo à pergunta: não sabemos.
A popularidade também aumenta. Ainda conseguem sair à rua sem ser perseguidos pelos fãs?
RAP - Não é uma coisa extraordinária. As pessoas pedem-nos autógrafos quando nos reconhecem, mas continuamos a fazer as mesmas coisas, as mesmas compras...
ZDQ - Ainda vamos à mesma sex-shop de sempre...
RAP - Curiosamente tenho-me apercebido de uma coisa que não acontecia antes. Por exemplo, quando vamos ao Estádio da Luz...
ZDQ - Vamos? Eu de certeza que não vou.
RAP - Pois, quando eu, o Tiago e o Miguel vamos ao Estádio da Luz, desde o estacionamento até ao nosso lugar na bancada ouvimos as pessoas a repetir frases nossas. A diferença é que agora já não repetem sempre as mesmas frases. Dantes era sempre “Quinze a zero, quinze a zero”. Agora não ouvimos a mesma frase duas vezes. O povo português já não repete as mesmas expressões e isso é agradável.
ZDQ - Mas é incrível aquilo que as pessoas conseguem decorar. Até os nossos enganos são decorados. Ontem fomos a um jantar e estava lá um miúdo que sabia de cor uma sequência que só passou uma vez na televisão, num daqueles programas de bloopers.
RAP - Se nós conseguimos impor os bordões que o povo usa o País só tem a ganhar.
Porque optaram por gravar o programa em vez de o fazer em directo?
RAP - Nunca tínhamos feito nada assim. Não temos estofo para um programa gravado, quanto mais para um em directo.
A seguir a ‘Diz Que É uma Espécie de Magazine’ volta o Gato Fedorento ‘clássico’?
RAP - Acho que o formato clássico já se tornou cansativo. São mais de 300 sketches ao longo de dois anos sem repetir personagens. Isso cansa o público e antes cansarmo-nos nós do que o público.
Próximas férias... já consideraram uma viagem à Madeira?
ZDQ - Por acaso recebemos há dias um email proveniente de um endereço que terminava em ‘.gov.pt’ a convidar para ir até lá. Era de uma senhora com alguma responsabilidade lá.
RAP - Mas nós vamos a qualquer lado. Se nos baterem até dá um novo ‘ellan’.
ZDQ - Exacto, o nosso objectivo é pôr todos os distritos do País a quererem bater-nos.
Há uma rubrica no programa que está a ter grande sucesso, ‘Os tesourinhos deprimentes da RTP’. Como fazem a selecção daqueles pedaços de história televisiva?
RAP - São coisas de que a gente se lembra. Felizmente temos uma memória excelente para coisas parvas. Para coisas mais sérias já não é bem assim. Depois há aqueles episódios que marcaram a nossa entrada na escrita humorística. ‘A Gala Nova Gente’ e a ‘Gala d’A Bola’, que já apareceram em dois programas, foram dos nossos primeiros textos para televisão.
Mas sabem sempre o que querem?
RAP - Às vezes é por acaso como aconteceu naquela cena dos “nobalhos de cavelo”. Tínhamos pedido à RTP alguns programas do ‘Raios e Coriscos’ e no meio daquilo tudo encontrámos a frase daquele senhor.
Como se preparou para fazer aquele ‘bêbedo’ que apareceu na semana passada?
RAP - Conheço um número razoável de bêbedos pelo que não foi difícil. Apenas tentei que não tivesse os soluços do costume. Mas não me inspirei em ninguém em especial. É mais um daqueles personagens que surgem do nada.
O que estão a preparar para a passagem de ano?
RAP - Ainda não sabemos se vamos fazer alguma. Aliás, boa parte de nós nem estará cá na passagem do ano.
Mas Nuno Santos afirmou que estava a planear fazer alguma coisa para essa data. Vão deixar algo gravado?
RAP - Não sei. Temos um problema que nos condiciona muito: participamos em quase todas as fases de produção do programa. Os textos, a ideia para a música, a pesquisa de temas e notícias, etc. Devido a isso estamos até meio da semana a pensar no que vamos fazer. Depois é uma pressão muito grande para gravar tudo. Apesar de termos uma equipa muito boa, como nos centramos muito na realidade, não sei se vamos fazer alguma coisa.
SÉRIE LOPES DA SILVA EM DVD
AS PERGUNTAS DOS FÃS
Por que é que não fazem programas todos os dias?
RAP - Tu queres é que eu passe a trabalhar todos os dias.
Quem gostariam que fosse o quinto elemento dos Gato Fedorento?
- Por unanimidade, Gisele Bündchen.
Quando voltam os espectáculos ao vivo?
RAP - Se tudo correr bem, nunca mais.
Gostam de ver os vossos vídeos na net?
RAP - Quando éramos pouco conhecidos beneficiámos com isso, não vamos reclamar agora.
Por que é que é sempre o ZDQ a fazer as cenas íntimas?
ZDQ - É a única oportunidade que eu tenho para estar com raparigas.
O horário é o mais adequado?
RAP - Continuo magoado por não irmos para o ar no lugar do Telejornal. Aí é que era.
Como convenceram o David Fonseca a fazer aquela versão de ‘Afinal havia outra’?
ZDQ - A ideia era ter a Mónica Sintra a cantar uma música do David Fonseca. No entanto ela disse que não descia a esse nível. Então decidimos fazer ao contrário.
RAP - Exacto, e o David só perguntou se podia trazer uma guitarra de distorção.
FLORIBELLA, AS CENAS DE PANCADARIA E A PRESSÃO POLÍTICA
“TAMBÉM QUEREMOS PANCADA”
“Há dias esteve cá a Floribella e houve pancadaria. Nós não somos menos e não saímos satisfeitos daqui sem que haja uma boa sessão de pancada.” (RAP)
"PRESSÃO POLÍTICA EXISTE"
“Quase todos os dias o Nuno Santos [director de Programas da RTP1] nos liga a pedir para não falarmos do presidente da junta de Figueiró dos Vinhos.” (ZDQ)
AS REACÇÕES DOS VISADOS PELO HUMOR DOS 'GATO FEDORENTO'
ALBERTO JOÃO JARDIM
Foi dos primeiros a ser parodiado. Em resposta, o líder madeirense afirmou só ver programas com nível cultural.
PINTO DA COSTA
Uma rábula sobre o líder do FCP fez com que a RTP fosse impedida de entrar nas instalações do clube.
SANTANA LOPES
Confessou ter achado piada aos sketches criados depois do lançamento do seu livro de memórias.
PAULO BENTO
Reagiu positivamente à brincadeira dos Gatos, mas tem tentado evitar a expressão ‘com tranquilidade’.
'GATO FEDORENTO' NA RTP1
SÉRIE 'DIZ QUE É UM ESPÉCIE DE MAGAZINE'
Dia / audiência % / Share % / Espectadores
29.10.06 - 9,4 - 24,4 - 889,6
05.11.06 - 12,5 - 30,7 - 1 187,1
12.11.06 - 13,7 - 35,1 - 1 295,3
19.11.06 - 11,0 - 28,0 - 1 043,6
26.11.06 - 12,5 - 31,1 - 1 185,5
03.12.06 - 13,6 - 31,6 - 1 281,9
Média - 12,2 - 30,4 - 1 155,2
SÉRIE 'LOPES DA SILVA’
24.03.06 - 12,5 - 32,1 - 1 182,4
31.03.06 - 10,7 - 25,8 - 1 012,9
07.04.06 - 8,7 - 22,2 - 825,9
14.04.06 - 8,6 - 21,7 - 812,3
21.04.06 - 8,4 - 20,4 - 794,6
28.04.06 - 7,7 - 21,1 - 731,0
05.05.06 - 8,6 - 23,5 - 811,2
12.05.06 - 9,0 - 25,4 - 851,1
19.05.06 - 10,0 - 26,0 - 947,6
26.05.06 - 8,2 - 23,5 - 780,2
02.06.06 - 6,7 - 20,6 - 635,5
09.06.06 - 8,2 - 23,2 - 776,4
16.06.06 - 6,7 - 18,2 - 638,1
Média - 8,8 - 23,3 - 829,3
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)