Marcelo Rebelo de Sousa parece ter bichos carpinteiros e farta-se de fazer caretas. Já António Vitorino enfia-se na cadeira e aparenta contar os segundos para que o deixem ir embora. Estas são apenas algumas das críticas que gestores de imagem apontam aos dois comentadores da RTP 1. O CM ouviu duas especialistas na matéria que destacaram os pontos fortes e fracos dos políticos.
“O professor Marcelo tem muita energia: mexe-se bastante na cadeira, as mãos não param e às vezes fixa o tecto”, diz Glória de Matos, actriz e que já ensinou técnicas de expressão a Cavaco Silva e outras individualidades.
Essa energia e a “pressa em falar”, segundo a especialista, “inquietam o telespectador, porque pode ser visto como impaciência”. Também Maria Duarte Bello, da MDB Coaching e Gestão de Imagem, aponta a “má articulação das palavras” como um ponto fraco do comentador. A “mania de tossicar” do protagonista de ‘As Escolhas de Marcelo” é, pois, um tique a evitar.
Já a postura de Vitorino em ‘Notas Soltas’ é, para Glória de Matos, errada. “António Vitorino enfia-se na cadeira e ele próprio parece ter pouco interesse no que diz. Precisa de dar mais força às palavras e sentar-se direito”, analisa.
O deputado do PS tem também um tique que passa despercebido ao telespectador menos atento. “Quando explica um tema sério, Vitorino ameniza o caso com humor muitas vezes rindo-se”, aponta. Ter cara de boa pessoa parece ser o seu maior trunfo, segundo Maria Duarte Bello.
Para muitos, os dois comentadores, para lá de estarem em partidos rivais, competem em desigualdade no canal público. Marcelo domina, há muito, os ecrãs, cativando miúdos e graúdos, ao passo que Vitorino ainda tem muito que palmilhar.
“Creio que a única vantagem do professor é ser facilmente reconhecido. A sua notoriedade é maior porque está há mais tempo na TV. O Vitorino não será reconhecido em algumas camadas porque esteve ausente do País”, considera a responsável da MDB. A mesma realça que Rebelo de Sousa está a aproximar-se do “seu registo natural”, desde a saída de Queluz. “Enquanto que, na TVI, era ele quem punha e dispunha. Tem tendência para comandar a situação e a apresentadora [Ana Sousa Dias] deixa-o brilhar”, diz.
As especialistas sublinham que estamos perante registos díspares. “Se o Vitorino tivesse que dizer o discurso de Marcelo não conseguiria. E vice-versa”, refere Glória de Matos.
'AS ESCOLHAS' COM MAIS ESPECTADORES
No ‘braço-de-ferro’ das audiências, é Marcelo Rebelo de Sousa quem leva a melhor.
O programa do professor ‘As Escolhas de Marcelo’ tem tido mais espectadores desde a sua estreia. No dia 27 de Fevereiro, mais de 1,6 pessoas seguiram o espaço de comentário da RTP 1 do professor. Este foi o programa que mais público cativou, conseguindo uma audiência média de 17,1% e um ‘share’ de 38,4%.
Já o primeiro ‘Notas Soltas’, de António Vitorino, a 3 de Junho, teve apenas 718 mil espectadores sintonizados. E tem sido praticamente assim. O melhor resultado do dirigente nacional do PS foi alcançado no passado dia 20, quando registou uma audiência média de 8,8% (com 832 mil espectadores) e um ‘share’ de 23,2%.
Quanto aos piores momentos dos dois comentadores do canal do Estado, Marcelo Rebelo saiu a perder. A 22 de Maio teve apenas 463 espectadores (o que significa que obteve uma audiência média de 4,9%), enquanto António Vitorino cativou, a 13 de Junho, dia de Santo António, a atenção de 690 mil pessoas (7,3% de audiência média).
REDUTOR E TÉCNICO
"São dois excelentes comentadores. O Marcelo é o comentador de Portugal. É imbatível, domina a televisão e os seus comentários abrangem todos os temas. O Vitorino é mais redutor porque apenas incide sobre política e a Europa. É mais técnico." Júlio Magalhães (Jornalista da TVI)
POLÍTICO COM GRAÇA
“Sobre o programa de António Vitorino ainda não tenho uma opinião clara porque é muito recente. Parece-me uma entrevista clássica. Já o Marcelo é… o Marcelo.
É um comentador político com imensa graça e ele diverte-se com esse papel.” Ricardo Costa (Director SIC Notícias)
MARCELO REBELO DE SOUSA
O melhor: Tem uma boa expressão facial o que, para Maria Duarte Bello, quer dizer que existe coerência no olhar, na postura corporal e gestos. Tem um enorme à-vontade e é espontâneo. Não rodeia as questões e vai directo ao cerne dos problemas. A actriz Glória de Matos frisa que o professor é um grande comunicador, seguro de si e, se controlar a respiração, pode ir mais longe.
O pior: Glória de Matos e Maria Duarte Bello são unânimes ao afirmar que Marcelo tem uma má articulação das palavras. Fala depressa de mais, não controla a respiração e come as sílabas. Tem vindo a melhorar mas ainda precisa de trabalhar a dicção. Tem alguns tiques como o tossicar e, por vezes, fixa o tecto em vez de olhar directamente para a câmara. Para Glória de Matos, o professor necessita de serenar.
ANTÓNIO VITORINO
O melhor: Ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino articula muito bem as palavras, isto aliado ao facto de ter um bom tom de voz, são para Maria Duarte Bello os seus pontos mais fortes. Glória de Matos afirma que Vitorino é um grande comunicador que fala como se estivesse a tocar um instrumento e, por vezes, explica os temas mais complicados com recurso a fábulas e fantasias.
O pior: A falta de espontaneidade é um dos seus piores ‘defeitos’, segundo Maria Duarte Bello. É também bastante contido e mesmo quando apanhado de surpresa é conservador nas suas opiniões. Dar força e convicção ao que diz são os conselhos de Glória de Matos, para quem o dirigente nacional do PS tem uma postura demasiado relaxada. Enfia-se na cadeira e parece ter pouco interesse no que diz.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.