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Correio da Manhã

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MEIO MILHÃO DE FIÉIS CONVERTIDO À TELEMISSA

Cerca de meio milhão de portugueses comunga aos domingos da mesma fé através da televisão, acompanhando fielmente as transmissões da Eucaristia, numa atitude que contraria a tendência de perda de fiéis assumida pela Igreja Católica.
28 de Agosto de 2003 às 00:00
A religião ocupa parte das grelhas dominicais da RTP 1, RTP 2 e TVI
A religião ocupa parte das grelhas dominicais da RTP 1, RTP 2 e TVI FOTO: Tiago Sousa Dias
Segundo dados revelados pela Conferência Episcopal Portuguesa por altura do último censo religioso, a Igreja Católica terá perdido cerca de meio milhão de praticantes (cerca de 21 por cento) entre 1977 e 2001.
É essa, aliás, em média, a quantidade de fiéis que não dispensa ao domingo os programas religiosos exibidos pela televisão e que ocupam parte da manhã das grelhas dominicais dos canais generalistas, excepção feita à SIC.
No domingo passado, entre as 10h00 e as 10h50, o programa mais visto não era, como habitualmente, o espaço infantil, mas sim a Eucaristia Dominical, RTP 1, que prendeu ao pequeno ecrã, em média, quase 200 mil pessoas.
Na RTP 2, os três programas religiosos exibidos na manhã de domingo - 'Caminhos', 'Novos Horizontes' e '70 X 7' - apresentam um número certo de espectadores, embora consideravelmente menor, não chegando, todos juntos, a captar mais de 120 mil pessoas.
"Independentemente das audiências, a transmissão de cerimónias religiosas e a divulgação dos valores cristãos integram-se na missão de serviço público da RTP", afirmou à Lusa o director adjunto de programas do canal público, Nuno Santos, acrescentando que na futura RTP 2 "a aposta vai continuar".
Mais vista é a Eucaristia Dominical exibida pela TVI. No passado domingo, às 11h00, foi acompanhada por 360 mil pessoas, um número que cresceu para 400 mil durante o programa 'Oitavo Dia', magazine religioso apresentado pelo padre António Rego.
Para o sociólogo Moisés Espírito Santo, especialista em assuntos religiosos, "há uma evidente fidelidade dos espectadores de programas religiosos", que se mantém semanalmente.
"São programas que, apesar de não terem o nível de fidelização das novelas, prendem muitas pessoas ao ecrã e isso tem a ver com a procura de um certo discurso, de uma certa paz interior", disse.
Para este estudioso, "muitas das pessoas que vêem estes programas não são, necessariamente, católicas ou praticantes, mas gostam do tom espiritual destas emissões".
"A televisão é toda muito igual, com programas de baixo nível e os programas religiosos levantam problemas, propõem reflexões, são uma espécie de porto de abrigo da televisão aborrecida que temos", justificou.
De qualquer forma, Moisés Espírito Santos critica a "falta de liberdade de informação religiosa" existente nos programas e afirma que "o exclusivismo da igreja católica deveria ser evitado".
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