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Correio da Manhã

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Morte de Franco está a ser gravada

Em Espanha, a família Alcantara, protagonista da série de época ‘Cuéntame cómo Pasó’, assistiu há dias pela televisão, em casa, ao assalto à embaixada espanhola em Lisboa, corria o ano de 1975.
9 de Novembro de 2007 às 00:00
Porque o governo espanhol da época censurou a cobertura jornalística do acontecimento, justificando ser “um mau exemplo”, as imagens exibidas na série da TVE foram obtidas numa estação de TV alemã e outra argentina. A história é contada ao CM por Jacobo Delgado, um dos quatro guionistas responsáveis pelo original da série ‘Conta-me como Foi’, que a RTP1 exibe aos serões de domingo.
“As imagens das manifestações europeias que protestavam contra os últimos fuzilamentos da ditadura espanhola foram igualmente censuradas pelo regime”, lembra o guionista de 29 anos.
Para ultrapassar as limitações dos arquivos oficiais, a produção de ‘Cuéntame cómo Pasó’ recorre ao arquivo de imagens do Partido Comunista Espanhol e a material recolhido por jornalistas e realizadores independentes.
O rigor histórico e a qualidade da interpretação, realização e produção desta série concebida por Ángel Bernardeau, que a TVE exibe desde 2001, prendem ao ecrã quatro milhões de telespectadores por capítulo. Agora, nos estúdios em Madrid, grava-se o capítulo que o ‘Cuéntame cómo Pasó’ vai dedicar à morte do general Franco, em 1975, acontecimento que abrirá portas à monarquia parlamentar democrática. “Este vai ser, certamente, um dos momentos altos desta série de época”, prevê o guionista Jacobo Delgado. Para Sergio Cabrera, de 57 anos, que desde 2003 realiza ‘Cuéntame cómo Pasó’, é “um privilégio” trabalhar no projecto.
Face aos meios disponibilizados pela estação pública espanhola – cada capítulo custa cerca de 500 mil euros –, o realizador diz que “cada episódio da série é quase um pequeno filme”. “Os guiões estão muito bem escritos e o elenco é constituído por actores com muita experiência de teatro e TV”.
A compra do primeiro televisor pela família Alcantara, tal como sucedeu em Portugal com os Lopes, o Maio de 68, a estreia do filme ‘Love Story’, a chegada do Homem à Lua, o atentado contra Carrero Blanco, sucessor oficioso de Franco, são alguns dos acontecimentos que a série espanhola tem abordado no enredo. Apesar da importância das temáticas, os problemas da esfera familiar e doméstica dos Alcantara são os que mais arrebatam os espanhóis.
Depois de Itália e Portugal, que já exibem adaptações de ‘Cuéntame cómo Pasó’, o México começou agora a gravar a sua versão desta série de sucesso. A estreia está prevista para breve. A qualidade de ‘Cuéntame cómo Pasó’ mede-se pelos anos que está em exibição e o número de prémios conquistados.
Desde que estreou conta com mais de 150 capítulos e 200 horas de emissão. Nomeada para os Emmy, a série conquistou 40 prémios. “Em 2006, no festival de Seoul Drama Awards, obteve o prémio para o melhor guião. Neste ano, no mesmo evento, conquistou o título de melhor série de ficção estrangeira”, explica Miguel Forneiro, o director de produção.
A MORTE DE FRANCO: A SÉRIE ESPANHOLA
‘Cuéntame cómo Pasó’ retrata a vida dos Alcantara, uma família da classe média-baixa, entre 1968 e 1975.
Um dos acontecimentos que os Alcantara vão acompanhar pela televisão vai ser o funeral de Franco.
Para os guionistas da série, o episódio dedicado ao general Franco promete ser um dos capítulos “mais vistos” desta produção de sucesso. Itália e, em breve, o México exibem também esta produção que em Espanha estreou em Setembro de 2001.
SÉRIE DA TVE INTRODUZ ACONTECIMENTO DE 1975 NA FICÇÃO: SAQUE À EMBAIXADA
O “mau exemplo” que foi o saque à embaixada de Espanha em Lisboa, em 1975, levou o governo do país vizinho a censurar as imagens do acontecimento. Os guionistas da série ‘Cuéntame cómo Pasó’ recuperaram a história e introduziram-na num episódio que foi exibido há alguns dias pela TVE.
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