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Correio da Manhã

Tv Media
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Moura e Mendes trocam acusações

Marques Mendes e Pina Moura trocaram ontem acusações a propósito da escolha do socialista para presidente da Media Capital, grupo que detém a TVI. O líder social-democrata e o antigo ministro de António Guterres recorreram à mesma expressão – “a falta de pudor”.
21 de Abril de 2007 às 00:00
Futuro presidente do canal lembra que o líder do PSD 'pretendia fazer os alinhamentos dos telejornais'
Futuro presidente do canal lembra que o líder do PSD 'pretendia fazer os alinhamentos dos telejornais' FOTO: Manuel Moreira / Jorge Paula
As escolhas de Pina Moura e de José Lemos, igualmente do PS, pela Prisa para a administração do canal líder de audiências, segundo Marques Mendes, “têm o sabor a nomeações políticas. O social-democrata, que falava à saída de uma reunião, em Lisboa, com os reitores das universidades portuguesas, sublinhou, por outro lado, que o “Governo tudo quer controlar”. A grande preocupação do Executivo, vincou, é “controlar”.
Mendes falou, ainda, de “grande descaramento” e de se perder “o pudor”. “Usando os mesmos termos do dr. Marques Mendes, é um descaramento e uma falta de pudor dele, que, durante a sua primeira ‘encarnação’ legislativa, pretendia fazer o alinhamento dos telejornais da TV pública, vir acusar quem quer que seja do que quer que seja. É inqualificável e intolerável”, diz ao CM o presidente da Iberdrola Portugal. “O dr. Marques Mendes não pode nem deve ver as outras pessoas à sua imagem e semelhança nesta matéria”, enfatiza o socialista.
“Estamos a governar mal, não faz mal, compramos a TVI” – escreveu, em título, há um ano, Eduardo Cintra Torres. Volvido esse tempo, o crítico de televisão refere ao nosso jornal: “É uma falta de vergonha. Vamos assistir a uma luta interna, na TVI, entre a liberdade de informação e o condicionamento político de informação, entre a liberdade e a censura.”
Miguel Sousa Tavares, comentador da TVI, e Fátima Campos Ferreira, apresentadora do ‘Prós e Contras’, da RTP 1, não quiseram comentar as opções da Prisa pelos dois socialistas. “Os jornalistas não se devem envolver nessas questões”, afirma a profissional da televisão pública.
"LIGAÇÃO ÓBVIA À ÁREA DO GOVERNO"
“Esta é uma escolha política, já que Pina Moura nunca teve nada a ver com a Comunicação Social. Trata-se de uma conotação muito intensa entre o canal e o Governo. É uma escolha que para o Governo só traz consequências positivas. Para a Media Capital, depende da forma como for gerida e se o José Eduardo Moniz fica ou não”, comenta, ao CM, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa.
Se Moniz ficar, diz o comentador da RTP 1, “irá, provavelmente, tentar que a administração seja menos partidária. No entanto, há uma ligação óbvia à área do Governo. Num canal de TV há várias maneiras de fazer notícias. Só o facto de se atenuar a crítica ao Governo é já uma maneira de facilitar a vida do próprio Governo”.
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