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Correio da Manhã

Tv Media
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Música, emoção e idiotice

‘Ídolos’ não traz novidades. Muitos querem ter direito a cinco minutos de fama mas o programa é o único vencedor. É feito com profissionalismo mas dá-nos o menu de sempre: a hegemonia cultural da pop anglo-americana.
16 de Outubro de 2009 às 00:00

Em programas como ‘Ídolos’ o único vencedor é o próprio programa. Como noutros ‘reality shows’, os concorrentes e aqueles que irrompem como pretensos vencedores finais esvaem-se com o tempo e do que se fala é do programa. Os concorrentes são figurantes que, hipnotizados pelo sonho de serem estrelas e terem sucesso (afinal o sonho que tem sido vendido como determinante na sociedade de consumo), acabam por, gratuitamente, serem actores de algo feito para garantir audiências e publicidade. Nada de novo, portanto.

A ideia subjacente a ‘Ídolos’ é o ‘Do It Yourself’, o “Não desistas dos teus sonhos”, o “Concorre e passarás a ser conhecido”. E quem hoje em dia não aparece triunfante na televisão não existe. ‘Ídolos’ poderia ser um concurso. Mas é só uma ficção de concurso. Tem todos os componentes de um grande programa de entretenimento da idade do vazio: música, controvérsia, emoção, ‘stress’ e idiotice. É claro que ‘Ídolos’ é bem feito: é um programa cheio de profissionalismo. Os apresentadores conseguem convencer-nos de que tudo é uma grande emoção e alegria e o júri faz o papel de tribunal sinistro para os jovens que querem apenas ter direito a ter sucesso. ‘Ídolos’, claro, é feito por jovens e para jovens.

Qualquer concorrente com mais de 20 anos já parece ser um avô ali. E, depois, humilha todos aqueles que não sabendo cantar (alguns nem inglês, ou português, sabem) vão ali para que os outros se riam deles. ‘Ídolos’ arrasa porque os espectadores gostam de ver esta mistura de comédia e de drama onde se pode rir de quem nunca se ouviu a sério e se pode ver os outros chorar como de uma telenovela real se tratasse. Há, claro, o maior equívoco de ‘Ídolos’. Ele, como outrora aconteceu com a MTV (quando havia paciência para vê-la), faz da música pop anglo-americana o modelo cultural para o Mundo. Há canções em português, como haverá em castelhano nas televisões do mercado hispânico. Mas a dicotomia é só essa. No fundo, ‘Ídolos’ nivela o Mundo pelo modelo cultural americano.

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