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Correio da Manhã

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"Não fecho as portas a nada. Nunca sabemos o dia de amanhã"

A apresentadora de 'Portugal no Coração', que renovou recentemente contrato com a RTP, diz estar feliz na TV pública embora não recuse a possibilidade de trabalhar numa privada.
17 de Fevereiro de 2012 às 00:00
Tânia Ribas de Oliveira
Tânia Ribas de Oliveira FOTO: Mariline Alves

Como está a correr o ‘Portugal no Coração’?

Muito bem. Há quatro anos e meio, estamos aqui todos os dias. É um programa com o qual me identifico muito. Não só com o programa mas principalmente com a pessoa com quem o partilho, que é o João [Baião]. Grande parte da felicidade que sinto ao fazer o ‘Portugal no Coração’ deve-se ao facto de o fazer com ele.

É um programa para continuar?

Os programas da manhã ou da tarde, normalmente quando resultam, permanecem no tempo até se extinguirem por outros motivos que não o facto de correrem bem ou mal. Um programa em Portugal que dure, como a ‘Praça da Alegria’, que já está há vinte anos no ar, ou como nós, que já vamos para o quinto ano, não tem fim à vista.

O segredo é a relação que tem com o João Baião?

Também, mas não só. Tem muito que ver com o facto de abordarmos temas que dão um exemplo positivo às pessoas, muito antes desta crise…

Com a situação económica do país sentem que as pessoas têm mais necessidade…

As pessoas têm mais necessidade de se sentir felizes. Mas sempre tivemos noção disso, porque as pessoas que vêem o ‘Portugal no Coração’ não são só de Lisboa e do Porto, vivem também em meios rurais, mais distanciadas dos grandes centros urbanos e para quem nós os dois, e todos os nossos colegas dos outros canais, somos a única companhia que têm. Não os queremos ver tristes, já basta que estejam sozinhos na maior parte dos dias.    

Costuma acompanhar os programas dos outros canais?

Claro!

E o que lhe parecem?

Quer dizer, os programas da tarde muitas vezes não podemos espreitar porque estamos no ar à mesma hora…

Mas têm noção do que se faz nos outros canais…

Temos alguma noção, mas o nosso departamento de pesquisa tem uma noção maior daquilo que existe à mesma hora. Se perguntar aos outros profissionais também não nos vêem…

Acha que o ‘Portugal no Coração’ é suficientemente distintivo?

É diferente, sim. Somos os três diferentes… Os formatos são diferentes, as pessoas que os fazem são diferentes, as estações também. Se calhar são feitos para o mesmo público mas com intenções diferentes. Mas temos o maior respeito por todas as pessoas que trabalham na nossa área, em qualquer dos canais ou horários. O nosso percurso é este e não nos vamos desviar dele! Não falamos sobre desgraças, preferimos não abordar muito o tema das doenças, falamos muito de empreendedorismo, damos exemplos às outras pessoas. E temos humor, fado e directos pelo País inteiro feitos por repórteres extraordinários – o sucesso do programa deve-se a eles – que viajam e trabalham muito.

E os outros programas não têm isso?

Não sei se têm ou não. Nós temos e isso agrada-me!

O registo do ‘Portugal no Coração’ é o seu preferido?

Tenho vários registos em televisão onde me sinto bem. Mas o talk show em directo é, claramente, onde me sinto mais à vontade. Mas a verdade é que adoro fazer reportagem, talk shows e concursos de cultura geral. São, portanto, três formatos em que me sinto muito bem.

Começou no jornalismo. Sente falta?

Não. Sinto que se não fosse a informação não teria chegado onde cheguei. Aquilo que aprendi nesse período é a minha base para fazer aquilo que faço hoje. E se não tivesse estado na informação o Nuno Santos também nunca me teria convidado para ir depois para os programas. Mas não sinto saudades. Estou muito bem onde estou.

Renovou recentemente o contrato com a RTP...

Não comento questões contratuais com a RTP.

A imprensa escreveu que o seu salario tinha sido reduzido…

Não comento questões contratuais com a RTP.

Sente que é bem paga? Acha que o seu valor é reconhecido pela RTP?

Acho. Sempre tive com a RTP uma relação de mútua confiança, confio na RTP e a RTP confia em mim. É assim há muitos anos e espero que seja por muitos mais.

Portanto, não me pode confirmar se o valor do seu contrato foi reduzido?

Não quero falar sobre a minha relação contratual, nem sobre dinheiro. As questões dos ordenados da RTP são sempre as mais visadas cada vez que acontece alguma coisa. Como deve calcular não posso falar sobre o meu ordenado, sobre o dos meus colegas ou das conversas privadas que tenho.

Tem feito só programas à tarde…

Para já sim.

Mas há alguma novidade para breve?

Não, estou a dizer para já porque enquanto profissional da RTP faço aquilo que a direcção de Programas me propuser, se houver espaço em antena. Na verdade, faço o ‘Portugal no Coração’ mas chego ao final do ano e fiz três meses de ‘Verão Total’, duas semanas de ‘Vindimas’, as galas que forem precisas, trabalhos de fim-de-semana, o ‘piquenique’, a Popota…

Gostava de voltar ao horário nobre?

Nunca escondi que adorei fazer um concurso de cultura geral e que me sentiria muito bem e feliz se me voltassem a convidar para um formato do género na RTP. Fiz a ‘Herança’ durante dois anos, correu muito bem, gostei muito da experiência, senti-me muito à vontade. Se pudesse conciliar com o ‘Portugal no Coração’ porque não? De todos os programas que vejo à noite, por acaso, ou não, são todos da RTP. E estão muito bem entregues…

A RTP, nesse aspecto, diferencia-se dos outros canais?

Tem essa obrigação! A RTP passa em horário nobre programas da BBC, que é uma alternativa completamente oposta àquilo que está a acontecer nos outros canais nesse momento. A RTP tem essa obrigação e cumpre-a. Identificamo-nos com o serviço público e cumprimo-lo com honra, brio e mérito.

Fala-se na privatização de um dos canais da RTP…

Não quero falar sobre isso! Desde que estou na RTP, quando tinha 20 anos, já se falava que a RTP ia acabar… cada vez que acontece alguma coisa neste País a RTP é visada… Portanto, a minha opinião é a minha opinião, logo é pessoal. Prefiro não a partilhar. Trabalho na RTP independentemente do facto de ela pertencer seja a quem for. Tenho muito orgulho em trabalhar aqui. Isso é tudo o que posso e devo dizer. O resto são questões que me ultrapassam completamente.

E a RTP cumpre perfeitamente o papel de serviço público?

Acho que sim.

Se um dos canais da RTP for privatizado como fica a sua situação?

Acha que é a mim que deve perguntar isso? Não é seguramente…

Mas está disponível para convites das privadas?

Não fecho as portas a nada na vida. Nunca sabemos o dia de amanhã. Não fecho a porta sequer a trabalhar num supermercado. O que espero é ter saúde para continuar a fazer aquilo que gosto, que é apresentar programas de televisão, trabalhar com fantásticas equipas e promover bons ambientes. Isso é o mais importante onde quer que seja. Estou na RTP há muito tempo, sinto-me bem aqui. Mas nunca fecho a porta a nada.

Antes da sua renovação de contrato ponderou outros convites?

Não comento.

Que balanço faz do trabalho de Hugo Andrade à frente da direcção de Programas?

Às vezes é-me difícil separar o Hugo Andrade do Hugo, porque sempre foi uma pessoa muito próxima. Já tinha uma relação extraordinária com o pai do Hugo, o sr. Luiz Andrade, que me pôs, inclusivamente, no quadro da RTP - na altura do Nuno Santos – e, portanto, já tinha uma relação muito próxima com a família. O Hugo sempre foi uma pessoa muito prática, sempre esteve muito próximo de nós quando era preciso alguma coisa. É uma pessoa de terreno e fiquei muito feliz quando ele foi nomeado director de Programas. Tenho uma relação fantástica com ele.

E o anterior director de Programas, José Fragoso?

Também tenho uma relação fantástica com o Fragoso, como tinha uma relação fantástica com o Nuno Santos. Nunca tive problemas com nenhuma direcção de Programas, antes pelo contrário.

Continua a manter contacto com o José Fragoso?

Porque não? Mas não lhe vou responder sobre nada disso.

Sente falta do aconselhamento dele?

Não lhe vou responder.

Sem ser o ‘Portugal no Coração’ que outro trabalho lhe permitiu evoluir mais?

O Euro 2004 e a ‘Operação Triunfo’, porque foi a primeira vez que apareci e porque tive uma madrinha muito especial – adoro a Catarina [Furtado] – que me acarinhou muito. Tenho uma grande admiração por ela.

Sente-se reconhecida pelo público?

Sinto-me muito acarinhada. Numa relação muito reciproca, de respeito que tenho pelos portugueses e especialmente pelas pessoas que nos vêem. Sinto-me uma espécie de neta, o que é muito simpático. Para mim o horário nobre é este [as tardes], porque as pessoas precisam mesmo de nós.

Tânia Ribas de Oliveira Entrevista Televisão
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