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Correio da Manhã

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Negócio estava “praticamente concluído”

José Eduardo Moniz e Zeinal Bava reuniram-se a 23 de Junho, quando o CEO da PT convidou o antigo director-geral da TVI, para trabalhar na PT. Nessa reunião, segundo Moniz, foi discutida a compra da Media Capital pela Portugal Telecom.
29 de Abril de 2010 às 13:02
“Houve influência clara do Governo”
“Houve influência clara do Governo” FOTO: José Sena Goulão/Lusa

“Pareceu-me que o negócio tava todo acertado. Estava praticamente concluído e a assinatura eminente”, dise Moniz, que adiantou que o acordo dava à PT capaciddae de “intervenção em áreas vitais, como a financeira e não se afastaria completamente dos conteúdos”.

O agora vice-presidente da Ongoing Media adiantou ainda que ficou “com a ideia de que os accionistas de referência da PT sabiam o que se passava”.

Moniz recusou o convite até porque, sublinha, ficou com uma forte suspetita de que “a alteração da linha editorial seria imediata”. “Era o que desejavam os espanhóis. E ligação da PT com a Golden Share ao Estado...”.

Em resposta, Zeinal Bava terá dito: “Não sou político mas sim gestor. E que o quero é ter bons resultados”.

MONIZ: "FUI CONVIDADO PARA A ZON E O GOVERNO SABIA" 

José Eduardo Moniz considera diz que é “inverosímel” que o Governo só tenha tido conhecimento do negócio quando este foi tornado público.

“Não acredito na bondade do que aqui tem sido dito. Sei como as coisas funcionam, ando nestas lides há muitos anos”, disse esta quinta-feira no Parlamentio.

Como exemplo revelou que em 2008 foi convidado para ir para a Zon, um  processo que continuou em 2009, e o “Governo sabia disso”. Além disso, diz que nas conversas que teve com a administração da Media Capital esta mostrava “tranquilidade com aval que negócio teria” da parte do Governo, o que, segundo Moniz, pressupunha, um conhecimento prévio.

Na audição da comissão de inquérito, Moniz referiu ainda que o “incómodo” da administração da TVI com notícias relacionadas com o Governo.

“Fui várias vezes chamado à administração por Manuel Polanco [na altura administrador-delegado da Media Capital] que me manifestou discordância com algumas notícias, em relação ao conteúdo e à forma, sobretudo das notícias com o Governo ou figuras governamentais”, disse.

“Era-me dito que a informação da TVI tinha um estilo muito agressivo, que devíamos ter uma atitude mais consentânea com espírito o Prisa, que a informação era um incómodo para a relação da empresa com o exterior e que havia a necessidade de passar sinais para o exterior. Nunca percebi o que isto era”, sublinhou.

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