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Correio da Manhã

Tv Media
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Novela cheia de enredos

Deficiência, sexo e violência conjugal são alguns dos fios condutores da acção desta produção da Rede Globo.
29 de Dezembro de 2006 às 00:00
Helena é um nome que soa a feminilidade para o autor
Helena é um nome que soa a feminilidade para o autor FOTO: Márcia Lessa
Exibida no horário nobre da SIC, ‘Páginas da Vida’ é uma novela mais realista. E a deficiência, o alcoolismo, a violência conjugal, a bulimia, a sexualidade, a sida e o preconceito racial, os principais temas que vão ser assumidos pelos vários núcleos das suas personagens.
AUDIÊNCIAS
A procura das audiências tem levado os guionistas brasileiros a abordar um número cada vez maior de temas nas suas novelas. Nem sempre com bons resultados. Porque umas vezes os autores perdem o fio condutor das narrativas. Outras porque o público se desinteressa perante a pluralidade de assuntos abordados. Quando terminou ‘Mulheres Apaixonadas’, Manoel Carlos anunciou que aquela seria a sua última novela. Mas, aos 73 anos, e sempre rendido ao nome de Helena para a protagonista, continua sentado à secretária a escrever os capítulos de ‘Páginas da Vida’. E a traçar o destino da personagem assumida pela actriz Regina Duarte que, pela terceira vez numa novela deste autor, se chama Helena.
O enredo de ‘Páginas de Vida’ desenvolve-se com a morte de uma jovem parturiente. Grávida de gémeos, Nanda (Fernanda Vasconcellos) é atropelada e assistida, no hospital, por Helena (Regina Duarte), médica obstetra. É ela quem faz o parto de Nanda, que morre horas depois. Sempre em busca “da vida como ela é”, Manoel Carlos aproveitou para gravar imagens de um parto real.
RESULTADO NEGATIVO
Portadora de síndroma de Down, Clara, uma das gémeas, é rejeitada pela avó e adoptada pela médica que a ajudou a nascer. Mais tarde, e para evitar problemas com a família, Helena dirá que ela morreu. Nesta mentira assenta o principal dilema da estória de Manoel Carlos. ‘Páginas da Vida’ estreou a 10 de Julho, no Brasil, com 50 pontos, uma audiência abaixo do esperado e inferior às antecessoras ‘Belíssima’ (52 pontos) e ‘América’ (54 pontos).
Como ao fim de dois meses, as audiências continuavam a descer, Manoel Carlos decidiu inverter a situação. E a primeira cena que fez subir as audiências aconteceu quando Nanda regressa ao Brasil e visita a mãe para lhe comunicar que espera gémeos.
Revoltada com a notícia, Marta (Lilia Cabral) bate na filha sem se importar com a sua gravidez de sete meses. A novela, que estava com uma média de 46 pontos, alcançou os 50. Não tardou que o guião de ‘Páginas da Vida’ introduzisse novo pico de atenção com o striptease da actriz Ana Paula Arósio. Mas a audiência voltou a subir e a polémica também com o depoimento de uma cidadã anónima, que narrou o seu primeiro orgasmo. A celeuma levantada foi tal que obrigou Manoel Carlos a retratar-se: “Lamento e peço desculpa se ofendi e choquei algumas pessoas. O meu desejo era aproximar as pessoas à novela.”
OS JOVENS CASAIS DA NOVELA
VIDAS CRUZADAS
Os destinos de Olívia e Nanda cruzam-se na cidade de Amesterdão. A afinidade entre as duas jovens marcará, no futuro, a aproximação de Olívia aos filhos da amiga tragicamente atropelada. Dona de um espírito inquieto, Olívia vai chocar muitas vezes o formal e disciplinado Sílvio, oficial da força aérea brasileira.
NUDEZ PROVOCATÓRIA
O striptease que Olívia, personagem interpretada por Ana Paula Arósio, fez, na noite de núpcias, para o marido Sílvio (Edson Celulari), chocou os telespectadores mais conservadores que acharam as cenas “demasiado ousadas” para uma novela das 20h00. Manoel Carlos entendeu que as cenas “de sexo e nudez estavam na medida certa”.
ELENCO DE LUXO DE 'PÁGINAS DA VIDA'
Estes são alguns dos rostos que dão vida às personagens de Manoel Carlos, o guionista que se habituou a escrever sobre a realidade e arrebatou assim a opinião pública. O seu contrato com a Globo termina em 2008. Jayme Monjardim assina a realização desta produção.
- Deborah Evelyn
- Thiago Lacerda
- Natália do Vale
- Marcos Paulo
- Edson Celulari
- Lilia Cabral
- Renata Sorrah
- Sónia Braga
A DONA DE CASA
A mulher que chocou o Brasil tem 68 anos, deu à luz 17 filhos e revelou na Globo que só atingiu o orgasmo aos 45 anos “sem precisar de homem” e ao som de um disco de Roberto Carlos. Nelly da Conceição, empregada doméstica, foi despedida após exibição do depoimento na Globo. E queixou-se de nunca ter recebido os 109 euros que a Globo lhe prometeu, explicando que gravou mais de uma hora de conversa e que, depois de ter falado de tudo da sua vida, estranhou que os poucos minutos em que falou do orgasmo fossem os escolhidos.
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