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Correio da Manhã

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“Nunca é tarde para começar”

Depois de morrer quero ser incinerado. E as cinzas serão enterradas no jardim da casa, debaixo de uma pedra. Sem inscrições. Só com uma flor, de vez em quando, para não ser esquecido." É assim que o escritor José Saramago fecha o documentário ‘Levantado do Chão’, sobre a sua vida e obra. O trabalho de Alberto Serra que a RTP 1 exibe amanhã, às 21h00, assinala os dez anos da atribuição do primeiro Prémio Nobel da Literatura a um português.
9 de Dezembro de 2008 às 00:30
O documentário evoca as origens do escritor português
O documentário evoca as origens do escritor português FOTO: direitos reservados

Entre os vários depoimentos que enriquecem este trabalho estão os da filha do escritor, Violante, e da mulher, Pilar del Rio. "Não queríamos fazer uma coisa fechada, mas um documentário que prendesse o grande público sem menosprezar uma linha estética", esclarece ao CM o autor do guião, Alberto Serra.

‘Levantado do Chão’, o título de uma das obras do Prémio Nobel da Literatura, é o resultado de quase um ano de trabalho que quis reconstituir a vida e obra de um homem que aos 53 anos ainda não era escritor. "Neste autodidacta há como que uma erupção surda que se vai convertendo numa vitalidade que despoleta quase aos 60 anos. Este documentário traduz uma mensagem de esperança, porque nunca é tarde para começar. E Saramago simboliza muito bem esta postura", diz Alberto Serra. No percurso evocativo das origens de Saramago, filho e neto de camponeses sem terra, o documentário visita também a oficina onde o escritor trabalhou como serralheiro mecânico e dá a palavra a ex-colegas do ofício.

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