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Correio da Manhã

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Nuno Santos admite querer voltar à RTP

O antigo diretor da RTP Nuno Santos admitiu nesta sexta-feira à Lusa que quer voltar a trabalhar na estação pública, depois de três meses de suspensão, sendo que a decisão da administração terá de ser tomada até final deste mês.
1 de Março de 2013 às 13:57

"Tenho muitas coisas para fazer ainda e que gostava de fazer na RTP, onde tenho 13 anos de trabalho em televisão e mais quatro em rádio. Eu gosto da RTP, é um sítio onde eu cresci e aprendi muito em termos profissionais", afirmou o jornalista, lembrando que essa decisão tem que ser tomada pela administração.

"Aqui chegados, quem tem que tomar uma decisão é o conselho de administração. Tem 30 dias para a tomar, eu não sei que decisão vai ser e não tenho estados de alma sobre isso. Aguardo com a serenidade que sempre tenho tido e com a consciência tranquila que tenho desde o primeiro momento", disse.

Nuno Santos reagia à deliberação divulgada na quinta-feira pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), segundo a qual o acesso da PSP às imagens da manifestação de 14 de novembro gravadas pela estação pública "foi propiciado pela ausência de normas internas" e recomenda a adoção de regras claras para estes casos.

Para Nuno Santos, a deliberação da ERC iliba-o da responsabilidade de ceder as imagens à PSP e junta-se a outros dois pareceres no mesmo sentido.

"Houve três pareceres que têm muita importância: o da comissão de trabalhadores, que está muito bem fundamentado, o do conselho de redação, que é especialmente importante para mim porque é o parecer dos meus pares e, finalmente, agora, a deliberação da ERC, que tem um peso institucional que não pode ser ignorado".

Pareceres que, para o ex-diretor, não só contrariam as conclusões do inquérito da RTP.

"Fica claro qual foi o meu grau de responsabilidade. Eu saio ilibado na deliberação da ERC. E isso contraria aquilo que o inquérito - expressão que gosto e devo colocar entre aspas -, feito pela RTP em dois dias, determinou".

Quanto às normas internas recomendadas pela ERC, Nuno santos considera que já existem regras e que essas são claras.

"Acho que as normas que existem, desde que sejam aplicadas, são claras. O que é material jornalístico pertence ao jornalista, é ele que deve dar a última palavra sobre quem pode ter acesso a esse material. E por norma, ninguém pode ter acesso a esse material a menos que haja um mandato judicial. De facto ali, apesar de tudo, havia uma diferença por se tratar de um evento público, mas eu acho que não é isso que está em discussão até porque a Procuradoria [Geral da República] também, no seu parecer emitido há poucas semanas, faz saber que aquilo é trabalho jornalístico", afirmou.

Ainda assim, Nuno Santos congratula-se com as recomendações do regulador para o futuro.

"Também acho que este documento é muito importante para o futuro. Porque faz um conjunto de recomendações à RTP, algumas diria que básicas, mas que é bom sistematizá-las, e define bem onde está o poder editorial e onde pode e não pode ter intervenção o conselho de administração", concluiu.

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