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Correio da Manhã

Tv Media
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O buraco negro

A SIC já não disputa o primeiro lugar nas audiências. Em parte porque eliminou os bons programas de informação.
7 de Outubro de 2005 às 00:00
As recentes alterações na hierarquia da Direcção de Programas da SIC suscitam naturalmente ‘velhas’ e importantes questões que se relacionam com o caminho adoptado pela estação de Carnaxide nos últimos quatro anos. Este não é um espaço de longas reflexões mas vale a pena recordar um assunto que foi banido na avalanche de decisões erradas tomadas pela Administração da empresa e que conduziu ao esvaziamento significativo do seu património principal (resta o alvará e pouco mais), no convencimento de que assim obteria mais lucros.
Obviamente ninguém na SIC pensou que esses lucros não eram virtuosos porque exauriam a empresa, retiravam-lhe capacidade inventiva ao desincentivar a produção nacional, ficava sem meios humanos e técnicos para enfrentar os desafios que se põem a uma estação generalista que quer ganhar o mercado da publicidade. Os resultados estão à vista.
A SIC já não disputa hoje o primeiro lugar nas audiências e está desesperadamente a evitar ser a última estação do ‘ranking’, abaixo da RTP1. Os lucros obtidos desta forma desastrada vão dar lugar a prejuízos avultados. É muito difícil e demorado chegar ao topo mas é fácil e rápido estatelar-se no chão. Bom, mas o assunto que eu queria sublinhar nesta queda bombástica da SIC é a eliminação dos programas de informação.
A SIC começou a sua batalha em 1992 pela aposta numa informação diária, e não diária, de grande mérito e qualidade. Até 2001 manteve essa característica. A SIC era então a estação de referência e por isso altamente prestigiada na área de informação. Os grandes debates nacionais, as principais entrevistas dos principais protagonistas da vida política económica e social surgiram na SIC, estação privada e generalista, porque os portugueses gostavam e gostam de informação. É natural, após tantos anos de obscurantismo.
Pois bem, a Administração da SIC acabou com todos os programas de grande informação e ficou, vá lá, reduzida, aos jornais diários embora com menos meios para cumprir a sua tarefa. Agora é na RTP1 que se desenvolve essa tarefa para desgraça da SIC. Lembrei-me disto, mais uma vez, ao ver o debate sobre Justiça, bem interessante, do ‘Prós e Contras’ da Fátima Campos Ferreira.
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