Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
2

O controlo rígido sobre a Informação

O controlo rígido do sector da Comunicação Social pelo Governo é o tema-chave do balanço que Pacheco Pereira fez, anteontem, no seu blogue, o Abrupto. O historiador fala das velhas vantagens dos socialistas no sector, mas aponta também as novas.
17 de Janeiro de 2007 às 00:00
José Pacheco Pereira releva, na prosa escrita anteontem, o facto de o ministro Santos Silva juntar, “significativamente”, uma função “puramente política” (a pasta dos Assuntos Parlamentares) com a tutela da Comunicação Social
José Pacheco Pereira releva, na prosa escrita anteontem, o facto de o ministro Santos Silva juntar, “significativamente”, uma função “puramente política” (a pasta dos Assuntos Parlamentares) com a tutela da Comunicação Social FOTO: Marta Vitorino
“O objectivo de todos os governos face à Comunicação Social é sempre o mesmo: controlá-la, quando não se consegue controlá-la, moldá-la, quando não se consegue moldá-la, neutralizá-la, quando não se consegue neutralizá-la, penalizá-la”, escreve Pacheco, lembrando que um número significativo de jornalistas “está melhor com o PS (a ‘esquerda’) no Governo do que com o PSD ou CDS (a ‘direita’). [...] Mas, a esta velha realidade, o actual Governo soma outras: tem maioria absoluta e fraca oposição, tem muito tempo à sua frente para governar. Isso permite-lhe nomear pessoas-chave para os lugares-chave, o principal mecanismo de controlo da informação nos dias de hoje, num número significativo de cargos dado o peso da nossa Comunicação Social estatal”.
O Governo, através de decisões “‘económicas’ ou de regulação”, diz Pacheco Pereira, “pode usar a cenoura e o pau para os grupos privados, beneficiando também da enorme dependência que em Portugal existe do Estado e do Governo em múltiplas decisões que deveriam estar fora do Estado e da política e não estão”.
Na parte substantiva do balanço às “coisas más/péssimas”, o ex-eurodeputado critica o facto de o ministro Santos Silva juntar “uma função puramente política (os ‘assuntos parlamentares’) com a Comunicação Social”. A legislação, segundo Pacheco Pereira, é feita tendo em conta a manutenção de “um controlo rígido sobre o sector” da Comunicação Social.
Contactado pelo CM, o gabinete de Santos Silva não comentou.
AUTO-IMOLAÇÃO DA ERC
“A ausência de programas de informação nas televisões generalistas” e “a cobertura dos assuntos” da União Europeia pela RTP também entram no rol dos factos negativos, mas a principal crítica é dirigida à Entidade Reguladora para a Comunicação Social. A ERC volta, assim, a estar na mira do autor de o Abrupto: “A ideia da sua existência já é má, a sua actuação tem sido péssima. Recebida com alguma expectativa, a que não era alheia uma certa benevolência depois do descalabro da Alta Autoridade [anterior órgão regulador], a ERC auto-imolou-se na forma como tratou a questão da crítica do ‘Público’ à governamentalização da RTP.”
CRÍTICAS AO 'JORNAL DA TARDE'
A Informação da televisão pública voltou a ser questionada por Pacheco Pereira. Desta vez, o alvo foi o ‘Jornal da Tarde’ de ontem. Ainda faltava muito para terminar aquele o bloco de notícias e já o historiador apontava o dedo, no seu blogue, à TV do Estado. A peça de abertura – a aplicação de fundos comunitários –, refere, não tem um grama de “jornalismo”. Podia ser, escreve Pacheco Pereira, “um prospecto de apresentação feito pelo Governo dos fundos, e é um bom exemplo da governamentalização da RTP. Querem exemplos? Aqui está mais um”. Posteriormente, o autor de o Abrupto faz uma adenda, onde se lê: “O carácter governamentalizado da peça da RTP ainda se torna mais evidente quando se vê a mesma notícia na SIC”, sendo que, neste caso, “o tom é sóbrio em vez de grandiloquente, uma diferença abissal no tom, nas imagens, no texto”. A SIC, refere, colocou a peça “no meio” do noticiário”. Interpelado sobre a matéria, José Manuel Portugal, subdirector de Informação da RTP com a tutela do ‘Jornal da Tarde’, rejeitou comentar.
ASSEMBLEIA DEBATE TEMPOS DE ANTENA
A conferência de líderes decidiu ontem que a transmissão dos tempos de antena na RTP será discutida na próxima semana (quinta-feira) na Assembleia da República. O projecto-lei do PSD, recorde-se, visa a exibição daquele espaço imediatamente antes ou depois do ‘Telejornal’, que vai para o ar às 20h00, isto é, cerca de uma hora depois do novo horário definido pela TV pública, cujo director de Programas, Nuno Santos, tem audição no Parlamento marcada para terça-feira. A RTP já fez saber que a mudança não constitui violação à lei e revelou, também, que não fecha a porta ao diálogo.
CM E 'SÁBADO' NAS "COISAS BOAS"
Pacheco Pereira, no balanço das “coisas boas”, atravessa a Imprensa, desde as melhorias gráficas à importância do papel dos provedores dos leitores, passando pelos jornais gratuitos e semanários. O CM e a ‘Sábado’ são, igualmente, motivo de análise no Abrupto. “O Correio da Manhã é um bom jornal. É o que pretende ser e acaba por ser mais alguma coisa do que aquilo que pretende ser”, escreve o historiador. A propósito da ‘Sábado’, diz, por exemplo, que “é o órgão de Comunicação Social portuguesa mais subestimado, vítima de ‘sinergias’ que lhe faltam: não tem quem puxe pelas suas notícias nos outros órgãos de Comunicação Social. Mas que tem notícias, isso tem”. Pacheco Pereira sublinha, ainda, o facto de a publicação ter superado em banca a ‘Visão’. Nas “coisas boas” entram, também, entre outros, Mário Crespo, os Gato Fedorento e o programa ‘Prós e Contras’.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)