Nuno Artur Silva, fundador e director-geral das Produções Fictícias, activas na televisão, no teatro, no cinema e na banda desenhada. E diz que para “fazer rir os portugueses basta dizer um palavrão”, difícil é fazê-lo de forma crítica, inteligente e original.
Correio da Manhã – Apesar das PF serem conhecidas pelo humor, a verdade é que abrangem muito mais...
– Só começou por ser um grupo de humor por uma questão de oportunidade. O que é engraçado é que o grupo base – eu, o Pina, o Rui e o Miguel –, de início, sempre pensou fazer aqui ou ali humor, mas nunca se imaginou como humorista a tempo inteiro. Hoje, estamos a começar a fazer coisas que não são especificamente humor.
– Além da tv, as PF trabalham em diversas áreas como o teatro e o cinema. Qual é a melhor cliente?
– A TV é a que paga mais, a mais regular. O teatro é para a realização artística, onde temos liberdade para fazer o que nos apetece sem o constrangimento das audiências. É uma área em que começámos com 'As Manobras de Diversão’. Como correu bem, fomos convidados para escrever uma peça de teatro musical: 'Portugal, Uma Comédia Musical', que estreia no final do mês no S. Luiz. Ainda este mês, faremos um espectáculo das Manobras e vamos avançar com mais duas coisas: uma adaptação do Filipe Seems para teatro, que será para o Teatro Aberto. Chama-se 'Conspiração' e conta com o Nuno Lopes. Em Setembro/ /Outubro, temos um projecto com o Tiago Rodrigues de 'stand up tragedy'.
– É difícil fazer rir em Portugal?
– É facílimo, basta dizer um palavrão ou dizer mal de meia dúzia de alvos. O que é difícil é fazer rir e ser ao mesmo tempo contra-poder, crítico, inteligente, original. Há um movimento contraditório: por um lado, o humor português escancarou as portas a uma nova geração. Pela primeira vez estamos a ver pessoas de 20 anos a terem tempo de antena. Por outro, há um facilitismo que faz com que qualquer pessoa possa chegar à tv dizer uma alarvidade e toda a gente rir. É uma faca de dois gumes.
– Como é o dia-a-dia das PF?
– É não rotineiro. As pessoas podem trabalhar às horas que quiserem. O que há são horários de reuniões e, sobretudo, datas de entregas. As PF transformaram-se, de um grupo de humoristas, numa agência criativa. Fazemos coisas tão diferentes como debates culturais, representar e agenciar criativos. O que funciona é o trabalho em rede, o permanente entrar e sair de pessoas é que faz a riqueza das PR. São destes encontros que nascem projectos, parcerias, cumplicidades.
– Em 1997, o Nuno disse, numa entrevista que, se não fosse o Herman, a PF teria dificuldades em fazer vingar o seu humor. Ainda hoje pensa assim?
– Há uma nuance. Se não estivéssemos a trabalhar para o Herman não haveria PF tal como elas são hoje. O Herman permitiu-nos ter trabalho regular. Deu-nos a possibilidade de nos profissionalizarmos. A nossa relação e o contrato com a HermanZap está melhor do que nunca e economicamente é muito importante.
– O que significam estes 11 anos das Produções Fictícias?
– Para já, é a noção de que há um passado, um património. São muitas histórias, pessoas, trabalhos. Se começar a andar para trás, vêm muitas coisas à memória. Recordo o Bruno Nogueira acabadinho de chegar, a Rueff muito tímida, a reunião com o José Pedro Gomes e o António Feio a imaginar a 'Conversas da Treta'.
– Como foi chegar até aqui?
– No início, foi complicada a noção de que havia espaço para a estranha actividade de ter ideias e escrever. E continua a sê-lo no sentido de encontrarmos um espaço para a concretização das nossas ideias.
– Porque é assim tão difícil?
– O País é pequeno. Depois, os grupos de comunicação são poucos e estão na luta pela sobrevivência. Não há uma lógica de mecenato, de patrocínios. O próprio mercado publicitário não está sensível ao investimento em produtos alternativos. Os espectadores – falando no caso da tv – são massificados por telenovelas, futebol e concursos.
Aos 41 anos, Nuno Artur Silva lidera uma das empresas de escrita de argumentos mais bem sucedidas de Portugal. Em 1991 começou a trabalhar com José Pedro Gomes, António Feio e Miguel Guilherme num programa do Joaquim Letria, na RTP2.
Em 92, Herman José desafiou-o para trabalhar com ele, no programa 'Parabéns', que tinha um espaço de 'stand up comedy'. Com o avolumar de trabalho reuniu, com colegas de faculdade e de bairro uma equipa, constituída por Rui Cardoso Martins, José Pina e Miguel Viterbo.
Mais tarde, juntou-se Nuno Markl, Maria João Cruz e Miguel Vital. Actualmente, tem cerca de 20 associados e colaboradores. Além do Herman, têm a seu cargo o 'Contra-Informação', entre muitos outros trabalhos.
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