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O Independente acaba

A última edição de ‘O Independente’ sai amanhã para as bancas. Inês Serra Lopes, directora do semanário, anunciou ontem à redacção o encerramento do jornal, depois de na véspera ter falhado a venda do título ao empresário Alberto do Rosário.
31 de Agosto de 2006 às 00:00
Há muito que se falava das dificuldades de ‘O Independente’ e da necessidade de encontrar um novo investidor. Alberto do Rosário foi sempre o nome falado, mas as negociações nunca chegaram a bom porto. A quebra de leitores agravou ainda mais um cenário que já era negro.
Actualmente, a média de vendas do jornal situava-se nos 9392 exemplares e, de acordo com Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação, ‘O Independente’ protagonizou a maior descida entre os semanários, registando, no primeiro trimestre deste ano uma quebra de 22,9%.
18 ANOS DE IRREVERÊNCIA
‘O Independente’ foi criado pela sociedade Soci em Fevereiro de 1988. Entre os principais accionistas encontravam-se a família Nobre Guedes, através da empresa Cerexport, Joaquim Silveira, Carlos Barbosa, Miguel Anadia, Francisco e Pedro Fino e Frederico Mendes de Almeida.
Miguel Esteves Cardoso (MEC), Paulo Portas e Manuel Falcão estiveram entre o grupo fundador do jornal, assumindo, respectivamente, os cargos de director, director adjunto e subdirector. A ideia nasceu à mesa de um restaurante, quando Portas, que fazia 25 anos, perguntou a MEC: “Porque é que não fazemos um jornal?” A 19 de Maio, as bancas acolhiam o primeiro número de um jornal que se assumia “democrata e conservador”, mas que sempre se apresentou como o jovem irreverente da Imprensa nacional.
Em Março de 1990, MEC abandonou a direcção do semanário após desentendimentos com a administração. Portas assumiu o comando, cargo que foi ainda ocupado por Isaías Gomes Teixeira, Constança Cunha e Sá e Serra Lopes.
“É um sinal dos tempos políticos que correm”, afirmou Manuel Falcão a propósito da ‘morte’ de ‘O Independente’, lamentando que se esteja “a reduzir o leque de diversidade da imprensa em Portugal”.
“É pena que não tenha sido possível torná-lo viável”, disse Luís Nobre Guedes, que presidiu ao Conselho de Administração da Soci, a propósito do desfecho, acrescentando saber que “foi feito um grande esforço” para o evitar.
O CM tentou contactar Serra Lopes, MEC e Paulo Portas, este ausente no estrangeiro, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.
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