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Correio da Manhã

Tv Media
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O nosso alvo é a malta que vê televisão

A uma semana da estreia dos Gato Fedorento – série ‘Lopes da Silva’ – na RTP 1, a Correio TV desvenda como os quatro comediantes estão a delinear as novas personagens criadas para o canal estatal e as verdadeiras razões porque deixaram a SIC Radical.
10 de Março de 2006 às 00:00
‘Baratas à procura de casa’ promete ser uma das cenas memoráveis desta nova série
‘Baratas à procura de casa’ promete ser uma das cenas memoráveis desta nova série FOTO: Sérgio Lemos
- Os episódios desta série já estão escritos?
Miguel Góis – Tudo pronto. Tudo feito.
Tiago Dores – Desde 2004.
Ricardo Araújo Pereira – Nós começámos a escrever há três meses. Bem, começámos a escrever e a jogar Playstation. Ao fim de dois meses constatámos que tínhamos jogado um pouco mais do que tínhamos escrito. Portanto, havia coisas que estavam escritas e havia outras que tínhamos a ideia. À medida que vamos gravando também vamos acabando esses textos.
- Continuam a ser vocês a escrever os textos?
RAP – Sim, com certeza. Totalmente.
Zé Diogo Quintela – Menos os giros, os que têm graça. Esses continuamos a encomendar lá fora.
MG – À equipa que fazia os Parodiantes.
- Quantos episódios é que vão gravar?
MG – Nesta primeira série são 13.
RAP – Nós não estamos a gravar por episódios. Temos muitos ‘sketches’ e depois vamos compondo os programas. Mas acho que temos material para mais de metade dos episódios.
- Haverá personagens novas?
MG – Sim, nós nunca repetimos personagens. Nesta série todas as personagens são insectos. Mas não repetimos, ainda assim.
TD – Há mais insectos do que se pensa.
ZDQ – Se perguntarem a uma pessoa normal quantos insectos ela conhece, vai dizer 12, 15 no máximo. Mas há muito mais que isso. Só escaravelhos há...
TD – Várias espécies de escaravelhos. Tudo isto é para não publicar, na medida em que é falso.
RAP – Na realidade não são só insectos. Também há mamíferos.
- Embora seja difícil de prever, há algum personagem em particular que possa causar impacto, como alguns das séries anteriores?
ZDQ – Neste ‘sketch’ há um personagem que é capaz de ficar, que é o pé do Tiago.
MG – E há uma expressão que eu acho que vai pegar que é ‘Boa tarde’. Prevejo que os portugueses, daqui a um mês ou dois, vão estar todos com o ‘Boa tarde’ e alguém responde ‘Boa tarde para si também’.
ZDQ – É muito difícil apontar aquilo que vai ser... Nunca se sabe para que lado o radar da estupidez portuguesa está virado.
- Há alguns temas em especial mais focados nesta temporada?
ZDQ – Mantemos as pescas.
TD – Debates, Comunicação Social. Nos debates não há propriamente um tema.
MG – Sim , é mais uma situação.
RAP – Mas há personagens que continuam a ser recorrentes. Por exemplo, o personagem do telejornal, o personagem do debate, aquele tipo de entrevista mais... Coisas passadas em empresas.
ZDQ – Agora temos é possibilidade de ter outros cenários, de ir a outros locais para gravar.
- O orçamento cresceu, obviamente. Vai-se manifestar em alguma coisa?
MG – No cenário do telejornal, por exemplo.
TD – O Miguel aproveitou e arranjou os dentes.
ZDQ – Foi logo metade do orçamento.
MG – Eu é que não fiquei nada contente com o resultado.
- E a nível técnico?
RAP – Antigamente fazíamos ‘sketches’ de estúdio com mobiliário velho da SIC. Agora temos mobiliário novo. Temos um cenário mesmo de telejornal. De resto, continuamos a tentar fazer o máximo possível em cenários reais. Gostamos de filmar em escritórios a sério.
MG – Cenografar um escritório soa a falso. Não tem janelas… Indo para escritórios a sério, desalojamos quem trabalha naquela secretária para fazer o ‘sketch’. Por isso é uma coisa verdadeira. Estão lá as canetas e a pessoa e o agrafador…
MG – Os computadores em que mexemos são mesmo dos funcionários e nós estamos mesmo a estragar aquilo tudo.
TD – A lixar o ‘software’.
MG – Já houve duas ou três empresas que foram à falência por causa dessa brincadeira.
- Já gravaram no Convento do Beato e o Nuno Santos [director de programas da RTP] confessou que esteve a jogar à bola convosco...
ZDQ – Exactamente, mas ele é muito fraquinho. Não tem muito jeito.
- … em que outros sítios estiveram a gravar?
RAP – No Badoca Parque... Na praia...
TD – A produção arranjou-nos uma praia construída de propósito para nós.
ZDQ – Ali na zona do Areeiro.
MG – Construída com areia do Algarve.
RAP – Temos também uma área lunar.
- Houve uma preocupação em demarcar esta série das outras?
MG – Sim. Houve a preocupação de transformar para pior. Um bocadinho pior. A única coisa que podemos falar é que havia ideias que nós tínhamos há bastante tempo e que não podíamos fazer por falta de meios.
RAP – Há uma preocupação que é muito marcante: desta vez só estamos a fazer isto. Na SIC Radical fazíamos a série nos intervalos de escrever para o Herman, para a Rueff e de fazer tudo o resto em que estávamos envolvidos.
- O público potencial agora aumenta. Qual passa a ser o vosso público-alvo?
MG – Malta que vê televisão.
RAP – Não faz sentido fazer ‘sketches’ a pensar numa faixa etária. Fazemos coisas que nos agradam. Se as pessoas gostarem, melhor.
ZDQ – À partida sabemos que na RTP vamos ter muito mais gente em contacto connosco, nem que seja pela primeira vez. Podem ter ouvido falar ou viram em DVD, mas não viam na televisão. Vamos ter hipótese agora com o público normal.
- Sabem qual o horário em que vai passar?
ZDQ – Eu propus cinco da manhã. A essa hora o telespectador não tem critério.
TD – Normalmente já está a tentar abrir uma lata de Coca-Cola com a cabeça.
RAP – E em alternativa só tem o TV Shop.
ZDQ – É possível ter 100 por cento de audiência às cinco da manhã.
RAP – Só sabemos que vai ser em horário nobre…
ZDQ – Que se vai deixar de chamar nobre depois de duas ou três semanas…
- Eliminaram os espectáculos ao vivo?
ZDQ – Este ano não haverá espectáculos ao vivo.
RAP – Mas não excluímos totalmente.
MG – Imaginem que cada português coloca uma nota de 10 euros num envelope e nos envia. Ai fazemos espectáculos ao vivo.
RAP – Ou então inventamos uma zanga e depois voltamos em grande.
TD – Estamos é com dificuldade em escolher quem é que vai sair.
- Fizeram um ‘casting’…
RAP – Eu não lhe chamaria um casting…
ZDQ – Apenas tenho a dizer que ainda continuamos com o Miguel.
MG – Foi uma forma de conhecer miúdas giras.
- Recrutaram alguém?
MG – Antes não tínhamos figurantes. Eram pessoas que passavam ali ao pé da SIC e nós perguntávamos ‘desculpe lá, mas está a fazer alguma coisa?’
RAP– Eram voluntários à força.
MG – Ou então era uma prima do Zé Diogo que aparecia.
TD – Mas essa falava.
- O subdirector de programas da SIC afirmou que a RTP foi pegar num programa experimental de um canal temático...
RAP – Isso é motivo de orgulho para nós. Nunca vi uma coisa destas acontecer. Se, em 2004, disséssemos que, passados dois anos, estaríamos na RTP como uma aposta séria do canal, ninguém acreditava.
MG – Se estamos hoje num canal generalista é porque há pessoas que acreditam que nós e o programa temos espaço num canal generalista. Ao contrário daquilo de que sempre nos tentaram convencer.
RAP – Que era mais ‘tenham calma porque não há espaço para um tipo de humor mais…’. A certa altura, gerou-se a ideia de que não queríamos sair da SIC Radical porque não queríamos aumentar o nosso público. Isso é falso. A partir do momento em que tivemos condições, noutro sítio, com acesso a um público mais alargado, a mudança era óbvia.
DIFERENÇAS ENTRE A RTP E A SIC RADICAL
EQUIPA
Realizador: 1 (RTP) / 1 (SIC RADICAL)
- Produtor: 1 (RTP) / 1 (SIC RADICAL)
- Operadores de câmara: 5 (RTP) / 2 (SIC RADICAL)
- Anotadora: 1 (RTP) / 0 (SIC RADICAL)
- Assistente de Realização: 1 (RTP) / 0 (SIC RADICAL)
CENÁRIO NA RTP
- Dois estúdios fixos (Telejornal e Entrevista) e acesso a outros ‘sets’ (cenário de ‘A Herança’ e estúdio chroma)
CENÁRIO NA SIC RADICAL
- Instalações da SIC
ADEREÇOS NA RTP
- Guarda-Roupa: Maria Gonzaga
ADEREÇOS NA SIC RADICAL
- Não tinha
AUDIÊNCIA MÉDIA DO CANAL POR DIA, EM 2005
RTP - 329.200 telespectadores
SIC RADICAL - 9.100 telespectadores
SHARE DO CANAL EM 2005
RTP - 23,6% (Universo 9.459.000 individuos)
SIC RADICAL - 1,5% (Universo 4.173.000 individuos)
REALIZADOR DE SEMPRE
Teotónio Bernardo está com os Gato Fedorento desde o início, em 2003 e acompanha-os nesta aventura. Reconhece que tem a parte mais fácil do trabalho, mas ficou satisfeito pela ajuda extra que o contrato com a RTP trouxe: “Não temos que despender tanta energia a transportar os adereços”.
PRODUTO DE MASSAS COM QUALIDADE
Ricardo Araújo Pereira rejeita o rótulo de elitista e recorda a popularidade das referências dos ‘Gatos’: “Os Monty Python e o Seinfeld são produtos de massas. A dificuldade é essa. Fazer uma coisa de qualidade chegar ao máximo de público possível”.
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