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Correio da Manhã

Tv Media
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O novo trunfo é ouro da SIC

Na hora crítica, Pinto Balsemão chamou o profissional mais criativo dos canais por cabo para dirigir a SIC generalista.
7 de Outubro de 2005 às 00:00
Considerando os inúmeros rumores que circulavam desde o início do Verão, tanto a demissão de Manuel Fonseca da Direcção de Programas da SIC, como o anúncio do nome de Francisco Penim para seu sucessor, não causaram grande surpresa no panorama audiovisual. Após uma ascensão meteórica no interior da SIC – conseguida, em grande parte, à custa do sucesso da SIC Radical – Francisco Penim é um nome que gera consensos entre as várias personalidades ligadas ao mundo da televisão. A generalidade das pessoas que contactam, pessoal ou profissionalmente, com o homem que um dia quis ser piloto de aviões, é unânime em destacar o rigor, o profissionalismo e a capacidade de trabalho como características fundamentais na sua caminhada triunfante nesta área. Atributos reforçados pelo facto de ser visto como uma pessoa de trato fácil, franco e aberto.
Tal como aconteceu com muitos jovens da sua geração, o novo director de Programas da SIC iniciou a sua relação com os media ao serviço de uma rádio pirata. Corria o ano de 1986 quando Francisco Miguel Raposo Penim, então com 19 anos, começou a trabalhar como locutor na Rádio Clube da Parede, onde permaneceu até Agosto de 1988. Aí encontrou a sua futura mulher, Clara de Sousa, actual pivô da SIC e que desde sempre o acompanhou no seu percurso profissional. Foi também nessa rádio que conheceu Paulo Bastos, com quem viria a partilhar redacção na TVI e escrita na produtora ‘Mentes de Contacto’.
Eram tempos de divertimento e alguma loucura. “A rádio funcionava na sede dos bombeiros e era no mínimo caricato fazer rádio por entre sirenes que disparavam a todo o momento. E havia o pormenor de fazermos guerras de listas telefónicas como se de uma guerra de travesseiros se tratasse”, recorda. Entre o Francisco da rádio pirata e o Penim responsável pelos conteúdos da SIC, Paulo Bastos não encontra diferenças: “Só era mais novo. De resto, era exactamente a mesma pessoa. No local de trabalho é divertido mas muito responsável. Uma pessoa reflectida a quem nunca vi perder a cabeça ou levantar a voz numa discussão”.
Na escola as preferências de Francisco Penim recaíam na área das ciências, e uma das disciplinas em que se destacava era a Matemática. “Um aluno de notas 16 e 17”, recorda Maria José Salavessa, sua professora no 10.º e 11.º anos na Escola Secundária de Carcavelos que funcionava então no edifício do Colégio Marista.
A professora, de 70 anos, recorda o jovem Francisco como “um bom aluno, participativo, simpático e bem comportado, tal como toda a turma.” Maria José refere que os alunos daquela aula eram muito unidos e conta que ainda recentemente Francisco Penim lhe pediu ajuda para encontrar os contactos dos antigos colegas. “Queria organizar um almoço”, disse a professora à Correio TV. Hoje em dia, é com “muita satisfação” que assiste ao sucesso do seu antigo aluno.
Em 1989, já com a licenciatura em Informática de Gestão finalizada - o sonho de uma carreira na Força Aérea esfumou-se nos testes médicos - entrou para a Rádio Marginal a convite de Luís Montez. Aí atingiu as posições de director da estação e de programas, cargos que desempenhou entre 1991 e 1994.
A sua experiência no mundo da rádio acabou por valer-lhe um primeiro contacto com o mundo da televisão: entre Agosto de 1992 e Maio de 1994 fez voz-off para vários documentários da RTP. Em Setembro de 1995, após ter frequentado um curso de Verão na Escola de Comunicação da Universidade de Boston, Francisco Penim entra na TVI pela mão de Artur Albarran e inicia o percurso que o conduz até à direcção de programas da SIC. Na estação, então situada na Avenida de Berna, desempenha as funções de jornalista e edita os programas ‘1ª Fila’ e ‘7.15’.
Transita para a Valentim de Carvalho no início de 1997, onde escreve e produz para a RTP. Mas na TVI Francisco havia estabelecido uma boa relação com Artur Albarran que em Agosto de 1997 o chama para a SIC. A sua missão: coordenar e editar o programa ‘Imagens Reais’. “O Francisco Penim é uma pessoa extremamente criativa e com muito bom senso, embora atrevido. No fundo, uma pessoa capaz de voos diferentes”, refere Albarran.
Findo o programa, Penim divide-se entre as colaborações com a SIC, onde se destaca a chefia da redacção de ‘Mundo VIP’, e as produções da ‘Mentes de Contacto’, empresa criada em parceria com os jornalistas Paulo Bastos e Paulo Salvador que tinha como clientes as três estações generalistas. É aí que Teresa Guilherme o conhece. E a sua primeira impressão “foi óptima.
O Penim destacava-se pela sua escrita mas também pelo trato, o empenhamento profissional e a capacidade de adaptação às circunstâncias.” Teresa Guilherme não tem dúvidas sobre o sucesso futuro de Francisco Penim: “Ele é novo mas tem muita experiência de chefia e responsabilidade. E as pessoas confiam nele. Isso é uma grande vantagem para as funções que irá desempenhar a partir de agora.”
Em Abril de 2000, Emídio Rangel convida-o para os quadros da SIC e entrega-lhe a SIC Gold e a SIC Radical, as primeiras apostas da SIC para o cabo. É o ponto de viragem no futuro de Francisco Penim. Rangel justifica a opção que então tomou: “O Penim é uma pessoa que gosta de trabalhar e que trabalha bem, sem pruridos de qualquer espécie.” O ex-director-geral da SIC via nele um profissional “dedicado e empenhado, características muito importantes numa fase em que a SIC vivia com toda a gente a dar tudo o que tinha e podia dar.” Uma das primeiras pessoas a contactar com Penim enquanto responsável da SIC Radical foi Rui Unas. Da sua experiência profissional com o novo director de programas de Carnaxide, destaca “o diálogo franco e aberto que foi estabelecido desde o primeiro minuto. Com o Francisco nunca se registam mal-entendidos porque qualquer problema é discutido de imediato. O diálogo é sempre privilegiado”.
Emídio Rangel acredita que “no contexto actual da SIC, como solução interna, a aposta em Francisco Penim é a melhor possível. Uma pessoa criativa, com rasgo, que poderá fazer um bom trabalho se o deixarem.” E ressalva que um director de Programas deve estar seguro daquilo a que se propõe, de forma a conseguir traçar um rumo para uma estação de televisão. “Ele vai precisar de se impor à administração e à direcção comercial, essas entidades que, no fundo, não sabem nada de programação mas insistem em dar palpites”, afirma.
Neste contexto, relembra uma declaração de Penim que lhe pareceu infeliz: “Disse que estava inteiramente ao dispor do dr. Balsemão e que faria tudo o que lhe pedissem.” Mas o amigo Paulo Bastos discorda: “Uma característica pessoal que valoriza os cargos que tem vindo a desempenhar é ser uma pessoa de confiança sem ser um ‘Yes Man’. Quando recebe uma tarefa, cumpre-a. Mas não se encolhe ao ponto de fazer aquilo em que não acredita.”
MOMENTO DE VIRAGEM
“Quando precisei de uma pessoa para assumir a responsabilidade quotidiana dos canais temáticos, que eram canais sem produção própria, com a excepção do ‘Curto Circuito’, feitos à base de conteúdos ‘enlatados’. E o Francisco Penim desempenhou muito bem essa tarefa. Não estou nada arrependido de o ter convidado para aquelas funções”, diz Rangel.
UNIDOS TAMBÉM NA PROFISSÃO
Casados e pais de dois filhos, Clara e Francisco conheceram-se no Rádio Clube da Parede e não mais se largaram. Continuaram juntos na Rádio Marginal, na TVI e por fim na SIC, onde ainda se encontram.
ASCENSÃO METEÓRICA
Com o tempo, Francisco Penim ganhou relevância cada vez maior no universo SIC. Em Janeiro de 2003 é nomeado Director Coordenador dos canais temáticos da SIC, com a excepção da SIC Notícias que permanece na Direcção de Informação, e em Maio desse ano torna-se membro do Conselho Supra Editorial do Grupo Impresa.
Em Janeiro de 2005 é-lhe entregue a gestão da SIC Multimédia, que engloba os canais temáticos, SIC Online, SIC Portátil e SIC Indoor. Desde o dia 26 de Setembro é o responsável máximo pelos destinos da SIC generalista. Para combater a queda de audiências, Penim já constituiu equipa: Pedro Costa, subdirector de produção de entretenimento, Paulos Bastos, subdirector de programas para a área criativa, João Pedro Galveias, director da SIC Multimédia. Sob a sua alçada ficam também os canais temáticos
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