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Correio da Manhã

Tv Media
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O PODER DA TELEVISÃO

Hoje como ontem, a TV continua a seduzir-nos. Seja nas eleições nos EUA, seja com ‘Gabriela’...
6 de Novembro de 2004 às 00:00
A televisão continua a ter hoje um estranho magnetismo, que nos prende ao pequeno ecrã e nos obriga a fazer escolhas. É assim há muito tempo, embora, convenhamos, a caixa mágica tenha hoje menos poder de absorção do que há 20 anos. A culpa, está bom de ver, não é apenas da TV. Hoje, a concorrência é muito maior e Portugal já há muito deixou de ser uma província onde nada se passa. Sobretudo nos grandes centros urbanos, há restaurantes, há cinemas, há teatros, há cafés e bares, há esplanadas, há centros comerciais, há uma panóplia de ofertas potencialmente mais apetecíveis do que um simples serão à lareira, em família, ou sozinho, enrolado a um cobertor e com a botija de água quente nos pés.
Ainda assim, nos grandes momentos, a televisão está lá e tem uma importância ímpar para nos captar a atenção. Foi assim há três anos nos atentados ao World Trade Center, em Nova Iorque, a 11 de Setembro de 2001. Foi assim, já este ano, no 11 de Março, quando a al-Qaeda atacou a estação de Atocha, em Madrid. Independentemente da gravidade e dimensão dos acontecimentos, foi assim também na semana passada na audiência de Marcelo Rebelo de Sousa na Alta Autoridade para a Comunicação Social, e também na madrugada da última quarta-feira, quando fecharam as urnas nos Estados Unidos. O braço-de-ferro entre Bush e Kerry fez-me passar a noite em claro. Pregado à televisão desde as 23h00, acompanhei o especial da SIC Notícias, superiormente dirigido por Mário Crespo, ‘piquei’ a emissão da RTP e as internacionais. E quando os primeiros resultados começaram a dar vantagem ao actual inquilino da Casa Branca, mesmo quando o desânimo derrotou o sono, mantive-me de olho vivo, imobilizado no sofá, hipnotizado pelo magnetismo da televisão.
Os tempos mudaram, é certo, mas há 27 anos, outras disputas fizeram parar os portugueses. A começar pelo despique político entre os velhos coronéis brasileiros e uma nova esperança de fazer política, protagonizada por José Wilker. Falo de ‘Gabriela’, a primeira novela brasileira que passou em Portugal. O seu impacto na sociedade portuguesa e na história da televisão, que recordamos nesta edição da Correio TV (a propósito da sua re-exibição, a partir de segunda-feira na SIC…) foi tal que o País parava para assistir aos emocionantes capítulos da novela e para não perder pitada do romance de Gabriela e Seu Nacib. Hoje, é certo, a TV é menos entusiasmante, mas não perdeu a magia. Nem perderá...
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