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Correio da Manhã

Tv Media

O PODER DE MANIPULAR O REAL

A tentação é grande. Foi a frase que abriu o debate realizado no Museu da Resistência, em Lisboa, onde se juntaram repórteres fotográficos, jornalistas e curiosos para debater a questão da fotografia digital permitir manipular o real. Nesse caso, a imagem deve ser acompanhada de uma referência que indique que se trata de foto digital e manipulada, foi pedido.
10 de Julho de 2002 às 23:26
José António Domingues, fotojornalista e membro da direcção do Sindicato de Jornalistas, alertou que “se é verdade que a tecnologia veio dar mais tempo para fotografar, mas lança algumas dúvidas sobre a autenticidade de algumas fotos, já que torna possível, sem controlo, a manipulação da imagem”.

Dando como exemplo as imagens de futebol, salientou que “os novos programas, nomeadamente o Photoshop, permitem até colocar uma bola onde se gostaria que ela estivesse. E aí levantam-se várias questões: Se a bola esteve lá e o repórter não registou o momento ou se a bola nunca esteve lá e aí há manipulação da própria realidade”. Para mais, há que distinguir entre uma foto manipulada para melhorar a qualidade da imagem e uma outra em que se altera o próprio conteúdo.

O problema agrava-se porque, na maior parte dos casos, o repórter fotográfico encontra-se sozinho, em frente ao ecrã de um computador, ficando sujeito à própria auto-censura.

O valor histórico do fotojornalismo também esteve em discussão. “O risco de se deixar de usar negativo e os arquivos dos jornais - e a informação histórica - ficarem reféns de uma fotografia gravada digitalmente é grave se essas imagens não correspondem à verdade”.

No entanto João Barba, produtor de cinema, aceita a manipulação como forma de arte. “Porque não fotografar os prédios em ruínas e tratar a imagem digitalmente de forma a mostrar como era Lisboa há 50 anos?”.
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