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Correio da Manhã

Tv Media
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O RECADO ESTÁ DADO

A chegada de uma nova directora, para se sentar ao lado
de Luiz Andrade e Nuno Santos, é ilógica
11 de Maio de 2003 às 00:00
A notícia passou despercebida em muitos meios e nem sequer se percebe porquê: a RTP tem, desde esta semana, uma nova directora adjunta de Programas. Chama-se Maria de São José, passou pela SIC, pela TVI, pela Endemol e chega agora à 5 de Outubro no preciso momento em que a televisão pública atravessa a sua melhor fase – dos últimos anos! – em matéria de audiências. Com o "campeonato" mais equilibrado do que nunca (se calhar, com valores que nem o mais optimista dos senhores administradores julgaria possível…), a RTP terá apostado em alargar a sua frente directiva sem que, até ao momento, alguém tivesse justificado para o exterior uma única linha sobre o assunto. A chegada de uma nova directora, para se sentar ao lado de Luiz Andrade e Nuno Santos, é ilógica, no mínimo, numa empresa que continua a apelar a um grande rigor financeiro, que conta os cêntimos um por um e que, recorde-se, ainda está a abandonar um delicado processo de emagrecimento da sua própria massa salarial. Então, por tudo isto, o que vem Maria de São José acrescentar à Direcção de Programas da RTP? Alguma coisa, por certo, que agora ainda não se percebe. O que se percebe, sim, é que, após o consulado de Emídio Rangel, a estação acertou finalmente com um caminho que, ao longo de anos, originou estúpidas e estéreis conversas e discussões, que nunca levaram a lado algum, sobre serviço público. Que coisa tão complicada era essa, afinal? Uma televisão mais falada em português, produção nacional de qualidade mais razoável (inteligente, se possível), boa e cuidada informação, um ou dois concursos daqueles que não "agridem", dois ou três jogos de futebol, uma novela (porque não?) e as novidades internacionais (séries e filmes) que estiverem ao alcance dos cofres da televisão pública. Só isto? Sim. Mas também imaginação e agilidade. Está na cara, sejamos claros, quem "pensa" a Programação da RTP, quem decide, quem estrutura, quem arruma, quem mexe, quem ajusta, quem avança. Só alguém cronicamente distraído não vê que o salto foi dado, não vê como foi dado, não entende que, hoje, a televisão pública só pode funcionar se, metaforicamente falando, estiver mais perto, por afinidade, da "Operação Triunfo" do que do Festival da Eurovisão. A mudança, que deve (continuar a) ser efectivada, passa em igual dose de importância pela informação – de longe a mais credível, constante e rigorosa das três estações (os resultados, de resto, explicam isto mesmo). Curiosamente, na mesma semana em que a Administração validou a entrada de Maria de São José para a Programação (ela é, recorde-se, uma das produtoras responsáveis por êxitos, na SIC, como "Médico de Família" e "Residencial Tejo" e por desastres como "querido Professor" e "Fúria de Viver"), José Rodrigues dos Santos, o Senhor Informação, falou para dentro da empresa e disse, para quem o quis ouvir, que tudo se exige à RTP, mas que é evidente a falta de meios. Não era um recado. Era muito mais do que isso. E agora? Orelhas moucas?
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