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Correio da Manhã

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O VENCEDOR MAL-AMADO

De mal-amado pelo júri de "Pop Idol" a "herói" popular, o britânico Will Young inverteu todas as "regras do jogo" e tornou-se não só no primeiro vencedor daquele formato televisivo no mundo inteiro, mas também aquele que mais deu que falar.
8 de Outubro de 2003 às 00:00
Will Young conquistou um prémio Brit para artista Revelação
Will Young conquistou um prémio Brit para artista Revelação FOTO: d.r.
Enquanto estudante de história antiga e política na Universidade de Exeter, William Young foi um verdadeiro homem dos "sete ofícios". Entre os diversos empregos que teve, contam-se actividades tão diversas como "barman", modelo, jardineiro, promotor de eventos, cantor de rua e até assistente pessoal na companhia discográfica Sony Music. Mas a sua vida só mudou depois de ter concorrido à primeira edição de "Pop Idols", a versão britânica de "Ídolos", e conquistar a vitória.
Até aqui, a história de Young é idêntica à de qualquer outro vencedor de "Ídolos": sonhos, ambições e um talento que depois de alguns reveses acabou por ser finalmente reconhecido.
Um aspecto, porém, distingue Young de qualquer outro ídolo: a vitória do jovem de 24 anos nada teve de consensual. As actuações de Young foram quase todas "cilindradas" pelo júri, especialmente pelo produtor Simon Cowell, mas o cantor acabou por ser sempre "salvo" pelo público, que o manteve em cena até à grande final e depois lhe deu a vitória, com mais de nove milhões de votos. Mais do que o partido conservador britânico obteve nas últimas eleições.
"Fiquei muito contente por ter conseguido provar que o júri estava errado", confessaria mais tarde Will Young em entrevistas aos media, os quais sempre apoiaram a sua "campanha".
HEROI POPULAR
Transformado num verdadeiro "herói" popular, a carreira musical de Young arrancou a "mil à hora", apesar de não ter assinado contrato com Simon Cowell, que optou por "apadrinhar" o segundo classificado, Gareth Gates, este sim o "menino bonito" do presidente do júri. E nem o facto de ter assumido publicamente a sua homossexualidade, um mês após o final do programa, abalou a "paixão" dos britânicos pelo seu novo ídolo.
O seu single de estreia, o tema "Anything is Possible/Evergreen" foi um dos mais vendidos da história da música inglesa (um milhão de exemplares só na semana de lançamento). Além disso, arrebatou um prémio Brit para Artista Revelação e ainda o troféu Personalidade do Ano em Televisão.
A explicação para a discordância do júri com a decisão do público é simples. Will Young revelou-se muito mais do que um simples vencedor de um programa de televisão. Ao longo da sua passagem pelo "Ídolos" britânico, Young mostrou a capacidade de "reinventar" a música, transformando qualquer tema vulgar numa canção sofisticada. Mas, sobretudo, demonstrou que tinha personalidade, inteligência e que não estava disposto a alcançar a fama a qualquer preço. Terminado o concurso, o júri continuou a afirmar que Young não era o finalista com o perfil ideal. Em resposta, a indústria e os media clamaram que ele seria antes a "salvação da pop".
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