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Correio da Manhã

Tv Media
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O VILÃO É SEMPRE MAIS INTERESSANTE DE REPRESENTAR

Depois do sucesso de ‘Celebridade’, Marcos Palmeira está em Portugal com a peça ‘Mais Uma Vez Amor’. Quase a comemorar 25 anos de carreira, o actor falou à Correio TV do sucesso e do assédio dos media. Aos 41 anos, ele continua a ser um dos maiores galãs da televisão brasileira…
23 de Outubro de 2004 às 00:00
Em ‘Celebridade’ (SIC) interpretou Fernando. Agradou-lhe o papel? Gostou do trabalho final?
Sim, identifiquei-me muito com o papel. Nasci e fui criado no meio do cinema, o meu pai (Zelito Viana) é cineasta. Gostei da novela e foi muito positivo voltar a trabalhar com Gilberto Braga.
Identifica-se mais com um papel de ‘bonzinho’ ou de vilão? Qual o que lhe dá mais gozo?
Gosto dos dois, mas o vilão dá mais prazer, é sempre mais interessante. O Fernando Amorim tinha um pouco esse problema de ser bonzinho demais. Ninguém é totalmente bonzinho.
‘Celebridade’ tinha como tema central o mundo da fama, o seu carácter efémero, bem como a questão de uma imprensa muito pressionante… É uma realidade que conhece bem?
Depende, não é? Não dá para generalizar a imprensa. Mas há, de facto, ‘veículos’ de comunicação muito mais interessados na vida pessoal do actor do que na profissional. Eles não vão à estreia da tua peça, mas vão depois ao restaurante onde vais jantar para ver com quem estás. Não estão interessados na cultura – o que é uma pena porque temos uma cultura muito rica e pouco explorada. Mas eu entendo. Temos de ver qual a intenção: é vender o jornal ou dar a notícia? Hoje pode-se falar de qualquer pessoa. Depois desmente-se... Já me viram em cada lugar, com cada pessoa!... (risos)
Mas já sentiu na pele algum problema? Como lida com situações de ‘assédio’ da Comunicação Social?
Às vezes ‘pegam pesado’, já o fizeram com colegas meus. Eu acho que não dou muitos motivos, sou mais reservado, talvez.
“INTERCÂMBIO É FUNDAMENTAL”
Portugal importa novelas da Globo há mais de 20 anos e começa agora a enviar alguns actores e também produtos televisivos. Conhece alguns actores portugueses? Já viu o trabalho deles, gosta?
Gosto do trabalho deles, embora gostasse de os ver no teatro. Conheço o Paulo Pires – e já trabalhei com ele – o Nuno Lopes, que é uma pessoa super simpática, e a Maria João.
Já viu alguma novela portuguesa? Gosta?
Ainda não vi nenhuma, sei que está dando no Brasil e acho isso muito bom. É fundamental o intercâmbio cultural.
Gostava de fazer uma novela em Portugal, com actores portugueses?
Sim, claro, muito.
À semelhança de outros colegas seus, como Sílvia Pheiffer e Maurício Mattar, era capaz de viver em Portugal?
Não, gosto muito de Portugal, acho que é um país de grande riqueza cultural, mas eu gosto muito de viver no Brasil, é lá que tenho a minha família e a minha fazenda.
Há uma faceta do actor que o público português desconhece e que tem a ver com outra das suas ‘paixões’: a agricultura biológica.
É verdade, gosto bastante. E isso aconteceu porque já não acredito mais na agricultura convencional. A Europa tem apostado bastante em produtos biológicos, com questões ambientais e isso reflecte uma preocupação com a qual me identifico.
A globalização preocupa-o?
Totalmente. A possibilidade do Bush ser reeleito nos EUA é de uma pobreza de espírito impressionante. A atitude do próprio Tony Blair é intolerável. Acho que o espírito imperialista é algo de antigo. Você alimenta a cobra para depois a matar. Nos países árabes usa-se a religião na política. Enfim, hoje nada vale, só o que ‘me’ interessa. Agora faço aqui um acordo consigo, mas, amanhã, se não me der jeito, quebro. É assim que vai o mundo. Temos de nos insurgir contra isso e eu tento no meu dia-a-dia.
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