Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
6

Oposição quer mais tempo

Os vários partidos presentes, ontem, na audição parlamentar com o director de Informação da RTP 1, José Alberto Carvalho, queixaram-se da falta de programas de comentadores políticos, para além de ‘As Escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa’, do PSD, e de ‘As Notas Soltas de António Vitorino’, do PS, na antena do canal.
7 de Maio de 2008 às 00:30
O director de Informação, José Alberto Carvalho, e o director de Programas, José Fragoso
O director de Informação, José Alberto Carvalho, e o director de Programas, José Fragoso FOTO: Duarte Roriz

Para José Alberto Carvalho, a inclusão de comentadores de outros quadrantes políticos está limitada, mas afirma:"Sempre que encontrarmos comentadores políticos que sejam ao mesmo tempo excelentes comunicadores e com características semelhantes [aos outros dois] não hesitaremos em propor-lhes programas do mesmo género."

O responsável da RTP, que sublinhou, logo no início, que "em consciência" não encontrava "grande justificação para este encontro", sugeriu ainda que a estação pública e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) se sentem de novo à mesa "para discutir os parâmetros de avaliação dos tempos políticos".

O relatório da ERC foi sobejamente discutido. A questão dos tempos políticos – 50% para o Governo ou partido da maioria, 48% para a Oposição parlamentar e 2% para a não parlamentar – mereceu a crítica do director de Informação. "Não sabia que havia e não concordo", disse.

José Alberto Carvalho está a planear criar, até ao final do ano, "uma figura que ajude a redacção a reflectir e a respeitar mais a língua portuguesa, sobretudo depois do Acordo Ortográfico". Para além disso, o responsável pela Informação da RTP 1 pretende "reorganizar a redacção", que "cresceu segundo modelos obsoletos", face ao contexto actual.

José Fragoso, director de Programas dos canais 1, Internacional e África, não foi tão questionado pelos deputados, na medida em que, como sublinhou Pedro Mota Soares, "a actual grelha de programas ainda é da autoria da direcção anterior". O responsável partilhou com os deputados que um dos próximos projectos é "uma operação de Verão, que pretende levar a RTP pelo País, com conteúdos relacionados com os locais onde estiver".

O CUSTO COM AS "VEDETAS"

Agostinho Branquinho, deputado do PSD, criticou José Fragoso pelos vencimentos das caras do canal. "Causa-me apreensão observar os salários de algumas vedetas do canal. A RTP não pode inflacionar o mercado. Alguns destes salários são escandalosos." Branquinho questionou ainda o "caderno de encargos ambicioso em termos de custos". O director de Programas respondeu: "Há caras com salários mais elevados, outras menos, mas não há nenhum escandaloso. Os nossos valores estão dentro da normalidade." O centro de produção da RTP Porto foi outro dos temas abordados. Fragoso adiantou que nesse centro "vão começar a ser feitos dois programas, um concurso e um de entrevistas, para a RTP Internacional".

DÚVIDAS DOS DEPUTADOS

Os deputados ontem presentes na Comissão de Ética, Sociedade e Cultura viram os seus ‘lapsos’ esclarecidos várias vezes. Fernando Rosas, deputado do Bloco de Esquerda, por exemplo, achava que José Fragoso também dirigia os programas da RTP 2. Impôs-se, portanto, a pergunta: "Então quem é?" O director esclareceu: "É o Jorge Wemans". Acrescentando ainda que, para além da RTP 1, tem a seu cargo a RTP Internacional e a RTP África. A deputada do PS, Teresa Portugal, também se baralhou ao afirmar que o extinto programa ‘Acontece’ era do canal um e não da RTP 2.

APONTAMENTOS

REPORTAGENS

José Alberto Carvalho pretende alargar o espaço dedicado a reportagens de média duração. O director de Informação está também a preparar, para breve, uma renovação cenográfica dos programas de Informação. O responsável quer ter no ar todos os géneros jornalísticos.

CULTURA

Os vários partidos políticos ontem presentes na sessão, na Assembleia da República, com o director de Programas da RTP, José Fragoso, foram unânimes em apontar "um défice grande de programas culturais", como sublinhou a deputada do PS, Teresa Morais Sarmento.

GRELHA

José Fragoso, há três meses na RTP, admite ter encontrado um grelha de programas "estável", dando, neste momento, destaque à necessidade de "iniciar projectos de ficção nacional que não sejam novelas, pois já é um género suficientemente explorado pelos canais privados".

 

 

Ver comentários