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Correio da Manhã

Tv Media
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Os dez anos de liderança não se vão repetir

No ano em que se propôs chegar à liderança, Francisco Penim admite que o mercado está mais profissional mas duvida que suporte a chegada de novos canais generalistas.
16 de Fevereiro de 2007 às 00:00
Os dez anos de liderança não se vão repetir
Os dez anos de liderança não se vão repetir FOTO: João Miguel Rodrigues
Quando chegou à direcção de Programas da estação de Carnaxide, a 26 de Setembro de 2005, Francisco Penim prometeu que “2007 seria o ano da SIC”. Decorrido um mês e meio desse ano, o líder do canal privado mostra-se confiante na meta que traçou. E nem a aproximação das audiências dos três canais generalistas, com vantagem para a TVI, trava o discurso vitorioso. “SIC, RTP e TVI andam muito próximos, em termos de share. Acho que esse é o futuro, num ano ganha um, no seguinte ganha outro, e no outro ano ganha um terceiro. Isso é sinal de um mercado mais maduro”, explica à Correio TV. Pela parte que lhe toca, Penim trabalha “sempre para a vitória”. “Admito que os dez anos em que a SIC foi sempre líder não se vão repetir. A minha ideia é que o mercado vai ser mais competitivo, com projectos mais interessantes. Isso vai ser bom para todos, para anunciantes, investidores e público. Sempre acreditei que em 2007 a SIC chegaria à liderança e acho que no final do ano estamos seguramente em condições de que isso aconteça”, garante. A receita, em sua opinião, resulta de uma fórmula única que a estação de Carnaxide põe no ar: “Três novelas brasileiras da Globo e três feitas pela SIC são uma mistura imbatível.”
Mas à autoconfiança da SIC, a RTP 1 responde com uma grelha diversificada e a TVI com forte contraprogramação. Sobre essa matéria, Francisco Penim é peremptório. Acredita numa grelha multidisciplinar, com elos de entendimento entre Informação e Programação, mas recusa alterar programas e horários a qualquer preço. “Não sou apologista de que a programação deva mudar todos os dias. Enervo-me quando a concorrência o faz. Claro que qualquer programador muda as grelhas, alinha melhor, altera a estratégia. Há sempre mudanças de última hora, nomeadamente quando há futebol. Agora, mudar para experimentar, só porque estou a perder, não”, refere. E nem o facto de estar a perder “miseravelmente” no horário das 19h00 – quando a novela da Globo ‘Pé na Jaca’ não chega para fazer frente ao sucesso de ‘Morangos com Açúcar’ da TVI e ao fenómeno ‘Preço Certo’, da RTP 1 – o faz mudar de orientação: “Tenho 24 horas de programação com que me preocupar todos os dias e resisto à tentação de querer resolver logo um problema pontual. Sei esperar, para que consiga ter, noutro momento, um produto que responda com eficácia nesse horário. A contraprogramação não me parece digna de quem tem uma estratégia e a quer seguir”.
Também a alternativa às novelas que inundam os canais portugueses é algo para que Francisco Penim não tem resposta para já. “A SIC pondera essa situação, mas é necessário ter muita calma. Não vamos repetir em 2007 o que fizémos em 2006, que foi exibir novelas ao mesmo tempo que séries. Ainda temos 26 episódios da sitcom ‘Aqui Não há Quem Viva’ e não estamos a produzir mais séries”. Nem a exibição de séries internacionais em horário nobre está nos seus planos, pois “não representam o gosto da população”, garante. Penim defende, sim, que a grelha da SIC assente em talk shows na manhã e na tarde – em que lidera –, novelas em horário nobre, séries e filmes internacionais no ‘late night’, e futebol sempre que possível, “é mais eficaz para o maior número de pessoas, no maior número de horas possíveis. Não tenho a mania de que sei programar melhor do que os outros, tenho sim a mania de que na SIC há melhores pessoas do que nas outras estações”.
As estrelas SIC e a produção nacional continuam a ser o fiel da balança para Penim, mas a “fábrica tem de avançar com moderação”. E a luta da Teresa Guilherme Produções, com a qual a SIC tem acordo, contra o gigante que é a produtora da TVI, não assusta. “A NBP não é um adversário temível, é um adversário que tem muito avanço, pois formou pessoas nas mais diversas áreas. Mas é também graças a esse avanço que vamos poder fazer o mesmo percurso em menos tempo”, acredita. Nem o sucesso da novela brasileira ‘Páginas da Vida’ faz o director de Programas mudar de ideias. “A SIC tem contrato de exclusividade com a Globo até 2009 e estou certo de que o vamos renovar por mais seis anos. Isso significa que a SIC compra e exibe a melhor dramaturgia falada em português”, diz. “Curiosamente, nos últimos anos, as novelas da Globo têm sido suplantadas pelas que são feitas cá por outro canal. A SIC também acredita que quanto mais proximidade e familiaridade se consiga com os espectadores portugueses, melhores resultados se perspectiva que a novela possa ter. Logo, faz todo o sentido um movimento na novela nacional”, frisa.
Mas o que falta então para que o mercado cresça? “Falta formar mais profissionais nas áreas técnicas, criativas e de representação”. E enquanto isso, é necessário estar atento aos melhores modelos internacionais, garante. “Um dos mercados a que estamos sempre muito atentos, por uma questão de proximidade cultural e geográfica, é o espanhol”, de onde a SIC tem importado originais, e “o norte-americano, o mais avançado na programação e informação”, reforça. “Os três canais generalistas portugueses adaptam, copiam ou compram formatos internacionais. Isso é um valor mais seguro para um director de Programas, pois ideias que já vêm provadas de fora dão mais conforto a quem tem de tomar decisões todos os dias”, afiança.
Já a entrada de grandes grupos europeus nas empresas portuguesas de media, como foi o caso recente dos espanhóis da Prisa que adquiriram a Media Capital (detentora da TVI) e o eventual interesse do alemão RTL na Impresa (que detém a SIC) – grupos esses que têm canais próprios de produção de conteúdos – é vista com ponderação por Francisco Penim. “Qualquer ajuda que Portugal possa ter na área do audiovisual, para produzir mais e melhor, é sempre bem-vinda. Desde que isso não seja feito à custa da cultura, dos valores, dos hábitos, das identidades portuguesas. Não acredito, não quero acreditar, que um grupo empresarial estrangeiro venha para Portugal para germanizar ou castelhanizar os portugueses”, frisa.
Menos confiante é a posição de Penim relativamente à entrada de novos concorrentes no mercado, um cenário previsível com o licenciamento da Televisão Digital Terrestre. Penim duvida da capacidade do mercado para albergar novos ‘players’ e diz mesmo que o Governo “não sabe o que fazer” nessa matéria. “Naturalmente, quero que o mercado evolua e se a TDT contribuir para isso então estou a favor. Mas, honestamente, acho que todos os projectos estão votados ao fracasso e não sei onde vai haver dinheiro. Principalmente se a RTP continuar a ter receitas publicitárias como tem, não sei se vai haver dinheiro para tanta televisão generalista. Nem estou a ver que o mercado consiga criar pessoas para alimentar, pelo menos, mais dois canais generalistas. Acho que o Governo está a ser muito mal aconselhado”, remata.
MAIS PRODUÇÃO NACIONAL
“O MAIOR FENÓMENO DA SIC”
A novela ‘Floribella’ vai continuar e Francisco Penim considera que “o facto de ter sido um sucesso quase imediato e o maior fenómeno da história da SICna produção nacional”, tendo conquistado o estatuto de programa mais visto da SIC, é revelador da capacidade de fazer a fábrica de produção nacional”. “No primeiro ano da SIC com produção nacional feita, conseguimos pôr no ar uma segunda novela em simultâneo, algo que estava no plano só para 2007”, assegura.
E nem as fracas audiências de ‘Jura’, que o director de Programas considera terem “correspondido às expectativas, tendo em conta o horário nocturno em que a novela foi exibida”, fizeram alterar a estratégia: “Em 2007, vamos estrear ‘Vingança’, a terceira novela, o que só estava previsto para 2008. Isso é sinal de que a fábrica está a ser construída a uma velocidade exponencialmente mais rápida do que inicialmente se esperava”.
“‘Floribella’ lançou caras novas, como Luciana Abreu, e as próximas novelas vão descobrir outras”, garante. “Todo o trabalho que a produção da SIC vai fazer durante estes anos também passa por descobrir novos talentos”, afirma.
WRESTLING FALHOU NA GENERALISTA
“O MEU MAIOR ERRO”
“O wrestling na SIC generalista foi o meu maior erro até hoje”, admite Penim. “Foi uma aposta pessoal, pois acreditava que era um fenómeno que atravessava diversos públicos e idades, por tudo o que experimentei na SIC Radical. Enganei-me. E, de facto, na generalista, o wrestling repele público. No domingo em que foi exibido, a SIC perdeu esmagadoramente. Mas continuo a entender que é um grande programa e garante de audiências na SIC Radical.”
AUDÊNCIAS E RENTABILIDADE
“A SIC ESTÁ MUITO BEM”
Francisco Penim considera que a estação de Carnaxide está “no bom caminho” e essa eficácia traduz-se em audiências e rentabilidade. “A SIC está muito bem. O meu objectivo é fazer com que a estação seja rentável e líder de audiências ao mesmo tempo. E não consigo escolher qual dos filhos gosto mais”, afirma. Penim, que tem aliados de peso como a produtora Teresa Guilherme, com quem trabalha na área da produção, e o presidente da Impresa, Francisco Pinto Balsemão, responsável pela boa gestão da empresa, garante que a meta é dar resposta eficaz às duas faces da moeda.
“Eu sou um gestor. Portanto, tenho que fazer a gestão de dinheiros e de egos. Quando faço essa dupla gestão quero que ambas as coisas estejam equilibradas e que o Dr. Balsemão esteja satisfeito com essas duas facetas do problema. Não me faz sentido capitalizar ou prejudicar um dos lados em detrimento de outro. Ou um em favor de outro”. Mas em jeito de remate, declara: “Eu vou estar sempre pela mais alta rentabilidade da SIC.”
46 MILHÕES DE EUROS
Receitas totais da TV da Impresa no 2.º trimestre de 2006, o que representa uma variação positiva de 1,8% em relação ao mesmo período de 2005.
26,2% DE SHARE
Foi a média de 2006. Um valor mais baixo que o registado em 2005 (27,2%).
29,9% A 20.01.07
Foi o share mais alto conquistado pela SIC até 13.02.2007. Até esta data, a SIC venceu 14 dias.
26% DE SHARE: (semana de 5 a 11 de Fevereiro de 2007)
FRANCISCO PENIM
Cargo: Director de programas da SIC
Idade: 39 anos
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