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OURO NEGRO EM ALTA

Nasceram quase todos em Portugal e em comum têm o sangue africano e a cor da pele mais escura. Apesar de constituírem uma minoria, estão a ganhar visibilidade com carreiras de sucesso. Na televisão. Na música. No cinema... O tempo é de mudança. Mas cautelosa...

05 de julho de 2003 às 16:56

Sofia Barbosa, vencedora da ‘Operação Triunfo’, Sara Tavares, conhecida cantora, Patrícia Bull, actriz em ‘Coração Malandro’ (TVI), Milton Lopes, actor em ‘Saber Amar’ (TVI) e Mina Andala, que entrou em ‘Ganância’ e ‘O Programa da Maria’, agora em exibição na SIC Radical, são alguns exemplos de africanos ou descendentes que fazem sucesso e rasgam caminho na televisão para gerações vindouras. Mas há ainda Daniel Nascimento, comentador na ‘SIC 10 Horas’ e repórter no ‘Caras Notícias’, e Cláudia Semedo, repórter no ‘Flash’ (SIC).

Daniel Nascimento, natural de Luanda, conta o que sentiu quando, há seis anos, chegou à SIC: “Fiquei chocado por ver que era o único negro na redacção. Mas nunca me senti marginalizado. Não fui tratado nem melhor, nem pior do que os outros. Nem na universidade isso aconteceu. Se senti o preconceito foi por parte dos colegas negros”, diz, recordando que todos os caminhos têm os seus escolhos.

Mina Andala, de 25 anos, portuguesa de nascimento, e que recentemente fez na RTP o telefilme ‘O Meu Sósia e Eu’, afirma: “Tal como no Brasil, os negros em Portugal ainda são atirados para papéis secundários. No nosso País ainda não chegou o tempo de protagonismo para os actores negros. Produtores e encenadores ainda têm medo de arriscar. Já há vontade, mas algum receio.”

Quem também partilha desta opinião é Milton Lopes, de 25 anos, nascido no Mindelo, Cabo Verde, nação que hoje comemora o aniversário da sua independência: “Penso que é preciso habituar primeiro o público à presença negra. O protagonismo chegará depois. As televisões começam a mostrar interesse em explorar outros temas e outros caminhos na ficção. E há uma abertura cada vez maior por parte dos guionistas e dos produtores na procura de actores negros. Mas nós, portugueses, não gostamos muito de arriscar...”

Cláudia Semedo, de 20 anos, natural de Oeiras, diz, peremptória: “Os negros são uma minoria, é natural que na representação também o sejamos. Mas acredito que quando há talento, há sucesso, independentemente da cor da pele.”

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