Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
3

Pais do Amaral espera as “devidas contrapartidas” dos bancos

O empresário Miguel Pais do Amaral espera que os bancos a quem pagou a operação de tomada de posição na Media Capital, que esta semana chegou ao fim, o ajudem agora com as "devidas contrapartidas" nos seus "outros negócios".
1 de Março de 2013 às 17:27

"Espero agora ter as devidas contrapartidas dos bancos a quem paguei, nos meus outros negócios", disse o empresário em entrevista à Lusa.

Pais do Amaral é o maior acionista da Novabase, com pouco mais de 10%, e da Reditus, é dono do Grupo Leya, e, nos vinhos, da Companhia as Quintas, para além de deter interesses imobiliários e negócios como a Hemera Energy na área da energias renováveis ou como a Quifel Natural Resources na agricultura de Moçambique.

"Neste momento de dificuldades não é um momento para se estar muito exposto e eu estava muito exposto. Isto [a devolução à Prisa de 10% da Media Capital] faz parte de um movimento de 'back to basics'", afirmou.

O empresário, que se mantém como presidente do conselho de administração da Media Capital, apesar de ter deixado de ter interesses financeiros na dona da TVI, escusou-se a revelar o montante que esteve em causa na operação de devolução das ações à Prisa.

Pais do Amaral pagou à Prisa em 2011 apenas 70% do valor correspondente a 10% do capital da Media Capital que lhe foram entregues, avaliados em cerca de 35 milhões de euros. Foi isso que lhe foi agora devolvido, qualquer coisa na ordem dos 25 milhões de euros, acrescidos de uma mais-valia, que o empresário também não revelou.


"Não vou falar de números, penso que o montante da transação é conhecido", afirmou à Lusa.

A operação não trouxe liquidez significativa ao empresário, permitiu-lhe, isso sim, "ter menos exposição à banca", disse.

"Hoje em dia a banca portuguesa está muito apertada pela 'troika' e pelo banco central para seguir um movimento de desalavancagem, de redução dos seus rácios de transformação. Isso faz com que os bancos queiram ser pagos dos seus empréstimos. Penso que aqui estou claramente a dar uma contribuição positiva nesse aspeto e espero agora ter as devidas contrapartidas dos bancos a quem paguei, nos meus outros negócios".

"Neste momento ninguém paga a ninguém. São raras as empresas que amortizam aos bancos. Esta operação foi integralmente amortizada, o que é uma situação rara, nos prazos e de acordo com os acordos, apesar de as pessoas dizerem que ia haver 'default', que ia haver isto e aquilo. Tudo correu na perfeição, não houve o menor problema e os bancos foram integralmente pagos, capital e juros", acrescentou.

"É disso que se constrói a credibilidade e a capacidade de ir agora pedir apoio. Porque a questão é que, neste momento, existem muito boas oportunidades de mercado e o que não existe é capital, ninguém olha para Portugal como destino de investimento -- é impossível arranjar sócios para fazer negócios -- e o financiamento bancário não está fácil, existem muitas restrições, e está caro", afirmou Miguel Pais do Amaral.

Pais do Amaral Prisa Media Capital TVI Bancos
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)