Barra Cofina

Correio da Manhã

Tv Media
9

PAIXÃO VEM A CAMINHO

Já fez papéis de polícia e de mecânica de automóveis. Para a intérprete da professora “Joaninha”, não há profissões exclusivamente masculinas - era mesmo capaz de ser mecânica.
25 de Julho de 2002 às 18:05
A pacata professora “Joaninha”, de “Sonhos Traídos”, vai apaixonar--se e ter um namorado. Mas, segundo a sua intérprete, Sílvia Rizzo, esse sentimento será contrariado pelo irmão da personagem, “Toni” (Pê-Pê Rapazote). Habituado a assumir a faceta de “filhinho” da irmã, desde que ambos ficaram órfãos, irá, nessa altura, agir como pai protector. “Eles são e serão sempre muito unidos”, anuncia Sílvia.

“Joaninha” é a típica boa rapariga, uma personagem que agrada à intérprete, mas que lhe foi um pouco difícil interiorizar, pela sua personalidade “algo estranha e distraída”. Sílvia já fez um papel de má — a “Susana”, de “Primeiro Amor” (TVI) — e concluiu não ser o seu género. Apesar de se tratar de um tipo de trabalho fantástico para um actor, “quando fiz de má, odiei”. Aconteceu-me ver reacções horríveis por parte do público, como “ir beber café e quase me atirarem a chávena para cima”, conta.

Em “Sonhos Traídos”, a sua personagem passa os dias na escola, dando aulas aos miúdos. À noite, surge a outra faceta da “Joaninha”, a de dançarina de salão, algo que inicialmente reprimia, temendo as ilações morais que a vizinhança poderia tirar.
Sílvia vai somando profissões nos seus desempenhos. Em “Roseira Brava” (RTP) era secretária e nos “Jardins Proi-bidos” (TVI) professora de matemática. Também já fez de polícia. No seu trabalho anterior a “Sonhos Traídos”, “Olhos de Água” (TVI), era a mecânica “Anita”, actuação que considera ter sido a “mais gratificante”. Aliás, a intérprete não vê diferença entre profissões masculinas e femininas. Há mul-heres mecânicas de automóveis, como há, por exemplo, uma mulher que é mãe de família e, ao mesmo tempo, chefe de máquinas de um cargueiro. “Eu não tinha problema nenhum em ser mecânica. Acho fantástico!”, admite.

A actriz é casada com António Parente, director da NBP, produtora de várias telenovelas portuguesas, entre as quais “Sonhos Traídos”. Segundo diz Sílvia, o facto de estarem ambos no mesmo meio não interfere na vida de casal, até pelo facto de desempenharem funções bem distintas. Afinal, lá em casa, a actriz é só mesmo ela. E aos dois filhos — Ana Marta, de três anos, e António, de cinco — dedica toda a atenção e tempo disponíveis.


Mais vale um episódio…

As pessoas podem achar, segundo Sílvia Rizzo, que estão a passar muitas novelas portuguesas na televisão. Mas é importante que isso aconteça, porque é uma fase e nós temos de evoluir. “Eu não desprezo a novela, acho um produto como outro qualquer”, afirma. Para a actriz, mais vale, por vezes, um episódio de uma telenovela do que alguns filmes, onde se investiram milhões e que são um “barrete”.
Sílvia salienta o facto de as telenovelas de produção portuguesa serem um fenómeno recente, enquanto outros países apostaram, desde sempre, na sua própria ficção e ainda hoje o fazem, como acontece no Brasil, em Espanha, França ou Inglaterra.

“É evidente que as coisas têm de melhorar sempre e tem de se apostar cada vez mais na qualidade, tanto no argumento como na representação e na técnica”, considera. Acrescenta que isso só se consegue com o tempo e com o trabalho.
Como quase todos os actores, Sílvia Rizzo tem grande gosto por fazer teatro. “É gratificante, é outra escola”, diz Sílvia, que participou em “Maldita Cocaína”, de Filipe La Féria.


“Os meus filhos não ligam ao meu trabalho nem fazem questão de ver a telenovela, porque precisam da atenção toda para si próprios. Querem é a mãe!”
“Em criança, era destravada, bem disposta e muito “maria-rapaz”, o que é normal, porque tenho três irmãos mais velhos.”
“Não viajo muito, porque odeio andar de avião. Tenho pânico disso. Prefiro o metro, o comboio ou o barco.”
“Marcou-me muito uma ida a Cabo Verde, há anos. Achei tudo tão bonito! As pessoas podiam não ter nada, mas, ao mesmo tempo, tinham tudo. Com qualquer coisa estavam bem. E eram muito ligadas umas às outras.”
“Depois de regressar de Cabo Verde, passei a achar tudo muito desinteressante e a notar que nós, em Portugal, tínhamos problemazinhos de nada.”
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)