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Correio da Manhã

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PARLAMENTO COM 'ANTENA' NO CANAL SOCIEDADE

O ministro da Presidência, Nuno Morais Sarmento, afirmou ontem ao CM que a Assembleia da República deverá ser uma das entidades sem fins lucrativos a produzir conteúdos para o futuro canal sociedade, que sucede à RTP2. Já existem contactos estabelecidos entre o Ministério e o Parlamento para se concretizar um acordo de parceria, cujo projecto poderá passar por documentários, conforme noticiou o CM em primeira mão.
13 de Fevereiro de 2003 às 00:00
No final da reunião da comissão de Assuntos Constitucionais, Morais Sarmento explicou que foram entregues “várias” propostas de diferentes entidades para a respectiva produção de conteúdos do referido canal junto da administração da Estação Pública. Com a nova roupagem da RTP2, o Governo comparticipará com recursos humanos e capacidade das produtoras da estação pública num valor aproximado aos 15 milhões de euros, cerca de 50 por cento do custo actual do canal. Manuel Falcão, administrador executivo do Pavilhão Atlântico, vai integrar a equipa que irá estudar os moldes do futuro canal.

No âmbito da comissão parlamentar, o ministro foi bombardeado por questões dos deputados da oposição sobre o futuro da RTP2, da NTV, além das críticas, contundentes, à escolha de Luís Delgado para a administração da Agência Lusa( ver caixa). Quanto à RTP2, o ministro argumentou com números de audiência, referindo que este “é visto por uma média de 61 mil espectadores diários”. Mais. O público pertence às classes C e D e não às classes mais altas, ao contrário do que se pensa. Sarmento exemplificou: o programa “Acontece” não é dos mais vistos. E o cálculo do valor da sua produção comparado com as audiências daria para pagar “uma volta ao Mundo” aos seus telespectadores.

Sobre o processo de aquisição da NTV pela RTP, o ministro assumiu que a aquisição do canal teve por objectivo transformá-lo no Canal Regiões. E lembrou que a PT – a maior accionista – quis fechá-lo. O ministro garantiu ainda que a constituição de uma entidade reguladora única, bem como outras matérias legislativas, propostas pelo Governo, estarão concluídas até ao final de Março.

LUÍS DELGADO REFORÇADO

No debate, a oposição socialista considerou a escolha de Luís Delgado para a administração da Lusa um “erro de casting”, mas o ministro da Presidência reforçou a confiança na “competência e experiência” do jornalista.
A escolha do ainda director, administrador e accionista do “Diário Digital” para a agência noticiosa dominou o debate e provocou uma acesa discussão entre o ministro e os deputados, que alegam conflito de interesses.

Agastado com as acusações, Sarmento chegou a dizer que “é muito difícil ser-se jornalista em Portugal e não ser de esquerda”. “A nomeação de Luís Delgado é um erro de casting, porque ele não reúne os requisitos deontológicos e profissionais necessários para um cargo de tão elevada responsabilidade”, criticou o deputado socialista e antigo jornalista Vicente Jorge Silva.

Nuno Morais Sarmento acusou Vicente Jorge Silva de ter “cristalizado em Maio de 68” e sublinhou que "o critério da competência" é o único que preocupa o Governo nas nomeações para cargos públicos. "A última coisa que preocupa o Governo é a opção política e partidária das pessoas escolhidas", garantiu, apontando como exemplo o presidente da RTP, o socialista Almerindo Marques.
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