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Correio da Manhã

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Pêpê perdeu dez quilos nas obras

Pêpê Rapazote é actor e arquitecto, mas já trabalhou nas obras, onde perdeu dez quilos num mês. O ‘Fernando’ de ‘Jura’, novela da SIC, diz que nunca fez dramas da vida, nem foi infeliz nas suas várias ocupações.
20 de Novembro de 2006 às 00:00
“Foi para aí em 86 ou 87” quando Pêpê chegou às obras da Caixa Geral de Depósitos, mais concretamente às fundações do edifício da Avenida João XXI. Acabara de completar o 11.º ano e a ideia partiu do pai, engenheiro civil: “Queria levar-me à viva força para a área.” E conseguiu. “Lembro-me que perdi dez quilos num mês. Trabalhava em turnos semanais, alternando entre o diurno, das 08h00 às 20h00, e o nocturno, das 20h00 às 08h00”, conta ao CM.
O actor-arquitecto entrou na obra para “ser servente”, mas a condição de estudante valeu-lhe uma ‘transferência’. “Precisavam de alguém para fazer testes à betonite [muros de betão criados para evitar a queda das fundações devido a solos arenosos] e repô-la, se necessário”, explica. Trabalhava seis dias por semana e recebia o salário mínimo.
Mas a experiência operária não alterou a percepção do mundo que o rodeava. “Nunca fiz grandes dramas da vida. E, por isso, também nunca fui infeliz a fazer o que fiz”, fosse a trabalhar nas obras, atrás do balcão de um bar ou a servir cafés, algo que diz “adorar”. Porquê? “Pelo contacto. Hoje não o faria, porque a exposição já é muita. Gosto de ser um tipo bem-disposto e palhaço quando me apetece. Agora, que sou puxado para isso por obrigação, retraio-me. Mas gostava muito da exibição e fazia-me sentir bem-disposto.”
O actor acabou por não se dedicar à engenharia civil, como era vontade do pai, seguindo arquitectura “por também lidar com estruturas, mas por ser mais abrangente”. E não faz pausas na carreira, esteja ou não envolvido em gravações ou peças de teatro (integra a companhia Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul).
Isso traz-lhe vantagens: “A profissão de actor, apesar de tudo, continua a ser bastante instável e eu posso dar-me ao luxo de dizer que nunca estou desempregado.” A única desvantagem na conciliação das carreiras está na impossibilidade de aceitar “projectos muito grandes”. O panorama actual já o “obriga a grandes noitadas”. A única opção seria “entrar num esquema de empresa”, o que o obrigaria a “abdicar de fazer outras coisas de que gosto”.
SIC COMÉDIA FAZ OLHOS BRILHAREM
A passagem pela SIC Comédia marcou Pêpê Rapazate e os olhos brilham quando se menciona o ‘Quadrado das Bermudas’. “Se voltaria a fazer? Sempre! Apesar e por causa das limitações”, afirma o actor.
“É uma experiência totalmente diferente podermos fazer aquilo que gostamos, como queremos e à nossa medida – guarda-roupa, caracterização, textos, realização – sem termos ninguém a mandar em nós. Dão-nos uns trocos, que, sublinhe-se, são muito bem-vindos, e tudo é feito com um esforço monumental. É extremamente gratificante”, explica Pêpê.
E o regresso do programa é sempre uma possibilidade: “Quando me cruzo com o Ricardo Palacin [director da SIC Comédia] ele fala sempre em reunir-se comigo e com o Miguel Barros [actor e produtor do formato].”
"SOMOS TODOS POLÍGAMOS"
O ‘Fernando’ compara promiscuidade da telenovela dos trintões com a vida real.
Correio da Manhã – O ‘Fernando’ suscita muitas abordagens na rua?
Pêpê Rapazote – Sim. As verbalizadas são normalmente proferidas por homens e não as posso reproduzir aqui. É do mais variado, mas sempre dentro do calão, com conotações positivas ao espírito do macho. Acho piada, porque, às vezes, até acontece no trânsito. Malta que vem em sentido contrário e aproveita o facto de eu estar parado no semáforo. As mulheres mais velhas têm menos pudor em fazer comentários, mas abaixo dos 40 também há reacções, sem que se chegue à fala, mais laxivas, com alguns olhares bem sugestivos.
CM – O ‘Jura’ representa os trintões no contexto português?
P.R. – Não. Obviamente, há pontos em que toca a nossa realidade. A ambição, por exemplo. Mas é tudo muito empolado. Primeiro, toda aquela malta tem demasiado dinheiro. Claro que conheço trintões muito bem-sucedidos na vida, com carreiras de sucesso, mas são apenas um nicho.
CM – E os portugueses são tão promíscuos quanto são representados na novela?
P.R. – Muito. Mas não é só em Portugal. O homem e a mulher são naturalmente polígamos. A Natureza diz-nos isso todos os dias. Esta convenção que nos é transmitida pela educação ocidental que recebemos faz todo o sentido numa base de relacionamento onde o sentimento de posse e o respeito mútuo obrigam a esse acordo de fidelidade. É uma questão cultural, porque, teoricamente, somos todos polígamos. Por brincadeira, costumo dizer que, se a novela se desenrolasse noutra cultura, o ‘Fernando’ seria um tipo monogâmico a quem os amigos diriam: “Não sejas parvo, pá. Tu estás doente ou quê?!”
CM – O que podemos esperar do ‘Fernando’?
P.R. – Ele é uma personagem muito interessante na sua evolução ao longo da história. Não vai mudar radicalmente a sua postura, mas, continuando a ser o mesmo ‘Fernando’ de sempre, apresentará pequenas alterações comportamentais, ditadas por alguns acontecimentos na sua vivência quotidiana, que o farão evoluir.
PERFIL
Pedro (Pêpê) Rapazote tem 36 anos e é casado com uma outra actriz, Mafalda Vilhena, a ‘Magda’ de ‘Floribella’. Mora no centro de Lisboa, “a cinco minutos de todo o lado”, como faz questão de frisar, mas é no campo que encontra a “paz” e onde gostava de fixar residência.
Licenciado em arquitectura, exerce a profissão em simultâneo com a interpretação em teatro, cinema e televisão. Gosta de gravar novelas e já vai na quinta, mas não as aprecia ao ponto de se transformar num fiel telespectador.
A sua preferência recai na ficção norte-americana e em séries como ‘CSI’. Documentários e programas de informação são outros géneros que o actor aprecia. A SIC Notícias e a 2: são os canais que elege.
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