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Pior é impossível

Não sei que novidades nos reserva para amanhã o PSD: mas pior do que tem feito é quase impossível.
17 de Setembro de 2010 às 00:30
Pior é impossível
Pior é impossível

Com uma dívida incontrolável, uma despesa vertiginosa e uma taxa de desemprego que se distingue pelos recordes que vai conseguindo bater, o país está a um passo de entregar, sem sobressaltos de maior, o seu destino aos bons ofícios do FMI. Enquanto isso, o Governo desistiu de governar e o maior partido da oposição perde o melhor do seu tempo a discutir hipotéticas revisões constitucionais que revelam, antes de mais, o absoluto desnorte que reina no PSD. Se no que toca ao Governo o diagnóstico é por demais conhecido (um bando incapacitado, atrelado a um primeiro-ministro que mantém contactos cada vez mais intermitentes com a realidade), o caso do PSD revela uma surpreendente (e exuberante) tendência para a asneira que não se compadece com qualquer tipo de voo alternativo.

Em meia dúzia de meses, o dr. Passos Coelho, essa promessa do liberalismo indígena, conseguiu a extraordinária proeza de içar o engº Sócrates do fundo das sondagens para os primeiros lugares das mesmas, exactamente na altura em que os erros do Governo são cada vez mais perceptíveis. A receita para este fulminante sucesso não desperdiçou os mais elementares ingredientes. Antes de mais, arrancou com um projecto de revisão constitucional (que rapidamente se transformou num anteprojecto) recheado de propostas inconsequentes e de contradições insanáveis. Entre a justa causa e a razão atendível, o arranque teve, como é óbvio, o condão de transformar o engº Sócrates numa espécie de garante do Estado Social, disfarçando naturalmente o óbvio. Ou seja, que o principal responsável pela destruição do dito Estado Social é a política económica seguida por este Governo – à qual, diga--se de passagem, o PSD deu seu aval quando negociou as medidas incluídas no PEC II.

O folhetim prolongou-se pelas férias e marcou presença nas chamadas rentrées do PS e do PSD ao mesmo tempo que se avançava, em força, para uma nova polémica em torno do Orçamento. No Pontal, o dr. Passos Coelho anunciou as suas "condições mínimas", anunciando simultaneamente que tinha acordado para os cortes das deduções fiscais – que, na sua opinião, eram inegociáveis. Entretanto, o dr. Relvas decidiu negociar o que era inegociável, avançando com uma proposta que foi devidamente desautorizada pela direcção do partido – direcção esta que foi ontem surpreendida pelas declarações do dr. Passos Coelho, em Bruxelas, nas quais admitia que podia haver aumento de impostos desde houvesse cortes na despesa. Não sei que novidades nos reservará o PSD para amanhã: mas pior do que tem feito é quase impossível. E digo quase porque no PSD não há impossíveis.

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