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Correio da Manhã

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POLÉMICA É NOVA ORDEM

Carlos Pinto Coelho apresentou ontem algumas novidades para o programa “Acontece”, do canal 2 da RTP, o único “telejornal” de cultura das televisões da Europa e garantiu que a continuidade deste formato só é possível se “o serviço público se mantiver com dois canais. Temos 250 mil espectadores diariamente, o que é desinteressante para quem mantém o fito único do lucro”, garantiu aos jornalistas.
19 de Junho de 2002 às 00:02
Carlos Pinto Coelho vai atribuir prémios à qualidade dos livros
Carlos Pinto Coelho vai atribuir prémios à qualidade dos livros
A polémica promete ser o grande trunfo do programa para a próxima temporada, que arranca já a 12 de Julho depois de uma pausa para férias que começa no final deste mês.

Críticos e autores

Segundo Carlos Pinto Coelho, a discussão vai entrar no programa com a introdução de debates entre críticos e autores: “Vamos pôr frente a frente um crítico que analisa uma obra num jornal e o autor desse trabalho. Vai ser um debate cara-a-cara, e que se aplica à literatura, às artes plásticas, ao bailado...”. Trata-se de uma maneira também de aproveitar o novo cenário, cuja maquete já foi criada e aguarda apenas ordem para avançar. Tal como o projecto de uma revista com os mesmos conteúdos de “Acontece”: “Por agora, está tudo congelado”, garantiu o jornalista, referindo-se ao impasse que paira sobre a RTP.


Outra das novidades é a introdução de prémios para a qualidade dos livros editados em Portugal. “Foram consideradas seis categorias: tradução, revisão, grafismo, fabrico, inovação e conteúdo”, referiu João Carlos Alvim, consultor do programa e um dos impulsionadores desta novidade.


Os prémios, que não têm valor pecuniário, são traduzidos numa escultura de um autor português e serão entregues aos responsáveis pelas obras enviadas até 31 de Janeiro para o “Acontece”. E o objectivo é distinguir a qualidade do que é editado em Portugal.
Em Agosto o programa vai ter uma emissão especial da Ilha da Madeira, um “destino pertinente, depois de já ter passado pelos Açores, Macau e várias localidades do continente”, referiu o responsável Carlos Pinto Coelho. A partir de Setembro, passa a ser emitido uma vez por mês de uma livraria sorteada. A primeira emissão arranca na Bucholz de Lisboa, Portalegre e Porto são outros dos destinos já escolhidos.

Manter serviço público

Sobre a discussão do futuro da RTP, Carlos Pinto Coelho garante estar disposto a lutar e acredita que ainda é possível manter os dois canais de televisão.


Para exemplificar o seu protesto, o jornalista e apresentador falou do caso da compra dos direitos de transmissão dos jogos do Mundial: “Se não existirem dois canais o serviço público fica obrigado a dar primazia a essa programação e a remeter outros conteúdos para horas tardias”.


“Não se deita fora um serviço que é único na Europa. Pois não há um único canal na Europa que tenha um telejornal diário de cultura. O problema é que com um só canal corre-se o risco de enfiar um programa como o ‘Acontece’ no horário das três da manhã, apenas para dizer que ele existe”.


Em jeito de conclusão, mostrou-se ainda esperançado em que o Governo tome outra decisão. “Com os políticos nunca se sabe e espero sinceramente que não acabem com os dois canais. Não façam isso aos portugueses, não façam isso ao meu país”.
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