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Políticos e jornalistas debatem precarização

Condições de trabalho estão a pôr em causa liberdade de informação.
Duarte Faria 7 de Abril de 2016 às 08:18
Octávio Ribeiro, Luís Marques Mendes, Paulo Mota Pinto (moderador), Jorge Coelho e Raul Vaz durante o colóquio
Octávio Ribeiro, Luís Marques Mendes, Paulo Mota Pinto (moderador), Jorge Coelho e Raul Vaz durante o colóquio FOTO: João Miguel Rodrigues
O regime remuneratório dos políticos foi um dos temas centrais do colóquio ‘Direito, Política e Media’, promovido pelo Instituto Jurídico da Comunicação, da Faculdade de Direito de Coimbra, que se realizou terça-feira à noite, em Lisboa.

Luís Marques Mendes, ex-líder do PSD, pediu uma "reforma do sistema político" e falou na necessidade de serem aumentados os salários dos políticos em cargos governativos.

"Há muita gente que não aceita ir para a política por questões remuneratórias. Temos tido ministros e secretários de Estado que são a sexta e sétima escolhas. É caso para dizer que o barato sai caro", concluiu.


As dificuldades vividas pela comunicação social também estiveram em análise. Jorge Coelho, ex-ministro da Administração Interna, alertou para a situação "cada vez mais precária de muitos jornalistas" e para a "dependência da publicidade" de muitos meios, o que "coloca em causa" a liberdade de informação. Até porque "nada está adquirido", disse.

Octávio Ribeiro, diretor do CM e da CMTV, reforçou que "não há liberdade quando não há o mínimo de segurança no trabalho". "Hoje, em muitos meios, as pessoas estão a mendigar, a pedir para que não haja despedimentos... e já não conseguem justificar o papel que gastam na gráfica. E quando é assim não há liberdade", afirmou, lamentando que "em muitos casos o medo impeça que o jornalismo seja exercido na sua plenitude".

Raul Vaz, diretor do ‘Jornal de Negócios’, falou ainda nas "aves de rapina", como o Google, que fazem dinheiro "utilizando trabalho" dos produtores de conteúdos.
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